Mato Grosso
PREFEITURA E UNIVAG SE ÚNEM PARA DISCUTIR AÇÕES PARA O PARQUE BERNECK
Mato Grosso
ENVOLVIMENTO DE ENTIDADES PÚBLICAS PRIVADAS É ESSENCIAL PARA SE CONSOLIDAR O PROCESSO DE SE TER UMA ÁREA PÚBLICA VERDE NO CENTRO DE VÁRZEA GRANDE
Da Redação
Após anos de negociação que somente foram consolidadas na atual administração com a cessão de área do Parque Berneck para a Prefeitura de Várzea Grande, a prefeita Lucimar Sacre de Campos deu inicio a uma série de negociações para planejar ações que visem permitir que o espaço seja explorado de forma racional e que atenda a população.
“Várzea Grande estará entre as principais cidades do Brasil com um Parque Municipal em área central que valoriza o entorno e o próprio município”, disse a prefeita que já conseguiu a sinalização do governador Pedro Taques, do vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro, do presidente da Assembleia Legislativa, José Eduardo Botelho, de deputados estaduais e de deputados federais liderados pelo deputado Valtenir Pereira para inserção de emendas na Lei Orçamentária Anual – LOA dos Governos Federal e de Mato Grosso.
Com a premissa de conceber um projeto em parceria com a Prefeitura Municipal de Várzea Grande e levar os conhecimentos acadêmicos para fora dos muros da universidade beneficiando a sociedade, 23 acadêmicos do Centro Universitário de Várzea Grande (Univag) do 7º período do curso de Arquitetura e Urbanismo, foram recebidos pelos secretários municipais, de Assuntos Estratégicos, Jayme Campos e de Governo, César Miranda, com o propósito de apresentar um projeto arquitetônico como proposta de revitalização para o Parque Ambiental Bernardo Berneck.

Jayme Campos, avaliou como positiva a aproximação dos universitários com a Administração Municipal e explicou aos acadêmicos que o Parque Ambiental Bernardo Berneck em breve poderá legalmente receber investimentos públicos. “Recentemente assinamos documentos que garantiram a doação de 26 hectares para pagamento dos tributos devidos pela antiga empresa proprietária da área, a Madeireira Berneck além da doação para que a Prefeitura de Várzea Grande transforme essa área ambiental em um dos maiores parques municipais dentro da área urbana do Centro Oeste do Brasil. Hoje os documentos estão em cartório para registro definitivo, mas não impede que trabalhemos juntos em um prospecto de projeto arquitetônico para o local. Toda ajuda é bem-vinda”, declarou Jayme Campos.
O próximo passo, será de viabilizar projetos não só arquitetônicos, mas também executivos para a revitalização total do novo parque municipal e assim dotá-lo de infraestrutura necessária para uso e lazer da população várzea-grandense. “Já temos o compromisso do governador Pedro Taques através do vice-governador e secretário de Meio Ambiente, Carlos Fávaro em aplicar recursos públicos em obras de infraestrutura no Parque Bernardo Berneck, além da participação dos deputados estaduais, inclusive o presidente da Assembleia Legislativa, José Eduardo Botelho, para destinar recursos de emendas parlamentares para essas obras que irão garantir lazer e saúde para milhares de pessoas. As ideias trazidas pelos acadêmicos do Univag serão levadas em consideração pela nossa equipe técnica de planejamento urbano quando da execução dos projetos que captarão recursos estaduais e federais para estruturar o parque”, disse Jayme Campos.

Os alunos tiveram o desafio de reutilizar as estruturas já existentes como pistas de caminhadas, lagoa, estacionamento e áreas de lazer novas para integrar diversos públicos com tecnologia de ponta. “Primeiro os alunos fizeram um diagnóstico da área que é de preservação ambiental e de todos os equipamentos públicos já existentes e pensamos em instalar playgrounds e academias ao ar livre em diversos pontos porque são os equipamentos mais utilizados pela população. Mas também pensamos em pistas de skate, quadra society, de areia e poliesportiva, além de revitalização das pistas de caminhada já existentes e instalação de postes com captação de energia solar para iluminação de todo o parque”, explicou o professor do Univag, Cezar Santos. Explicando ainda que “trabalhamos o conceito da madeira e da antiga chaminé da madeireira como identidade visual para o parque, mas tudo no projeto é uma sugestão que pode ser utilizada ou modificada. Queremos apenas contribuir com o Poder Público”, destacou o professor Cezar Santos durante a apresentação dos alunos.
A área do Parque Ambiental Bernardo Berneck está localizada em uma região nobre de Várzea Grande, em plena Avenida Júlio Campos próxima ao centro da cidade e rodeada de bairros residenciais. Para reforçar os investimentos no local e atender a demanda da população, já está confirmada a parceria com a Polícia Militar Ambiental para implantação de um posto do segmento para oferecer segurança tanto do patrimônio público como para os usuários do referido espaço e para educação ambiental.

“Durante muitos anos ali funcionou uma das maiores madeireiras de Mato Grosso, mas como o crescimento do Estado e a abertura de novas áreas principalmente para o agronegócio, os antigos proprietários transferiram seus negócios para outras cidades do Estado e hoje doaram a área para que ali fosse implantado o Parque Municipal Bernardo Berneck. Várzea Grande ganha não somente em lazer com um espaço que oferecerá várias trilhas, lagos de contemplação, espaços para apresentações de shows, realização de eventos, mas também em segurança, pois além da polícia ambiental planejamos instalar uma base da Guarda Municipal”, citou Jayme Campos.
Ainda para o professor do Univag, Cezar Santos, a experiência da elaboração do projeto e apresentação foi de extrema importância, pois coloca os estudantes em contato direto com as reais necessidades do município em que vivem, bem como cria uma rede de relacionamentos com os órgãos públicos, tendo como experiência de “clientela” os Líderes do Município. “A oportunidade dos alunos em projetar no meio urbano através de problemas reais de Várzea Grande, demonstrou como é o dia-a-dia do trabalho de um arquiteto com projetos públicos. Oferecendo a experiência adequada para que eles aplicassem o conhecimento adquirido em sala de aula na prática, para resolução de um problema real”, finalizou Cezar Santos.
Também participaram da reunião o representante do movimento “Salve o Parque Berneck”, Willian Sidney Joanir Paula, e, o vereador Ícaro Reveles.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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