Mato Grosso
Prefeitura de Várzea Grande inicia discussão sobre Orçamento 2018 com a população
Mato Grosso
Da Redação
A prefeitura de Várzea Grande, por meio da Secretaria municipal de Planejamento, deu início hoje (26), a primeira de uma série de três audiências públicas para a elaboração da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2018 que servem como instrumento estratégico na execução do orçamento público municipal. Para 2018 estão previstos R$ 727,17 milhões, cifras 2,61% sobre o total que está sendo executado nesse ano, em R$ 708,63 milhões.
Nesta manhã (26) a audiência pública foi realizada no Centro de Referência da Assistência Social (Cras), na rua Professora Izabel Pinto, no Cristo Rei, onde a população convocada para participar, pôde conhecer o demonstrativo da receita global do próximo exercício, bem como as áreas que serão contempladas por novos projetos. “As audiências são importantes não apenas para dar transparência aos atos e ao planejamento elaborado pelo Município como também para receber sugestões de quem realmente vivencia a cidade diariamente, seja pelo uso do transporte coletivo, dos serviços de saúde e de educação, como também sugestões de novos projetos estruturais para o benefício de toda cidade”, explicou o secretário municipal de Planejamento, Edson Roberto Silva.
Participaram das primeiras discussões para composição do novo orçamento municipal presidentes de bairros, representantes de entidades filantrópicas e da Sociedade Civil Organizada. Do Executivo, participaram secretários municipais, secretários adjuntos e coordenadores de áreas específicas, servidores e Legislativo Municipal .
O vice-prefeito de Várzea Grande, José Hazama, frisou que no novo orçamento estão previstos a manutenção de grandes projetos e obras já em execução, especialmente no setor de infraestrutura, como pavimentação, recapeamento, as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a duplicação da Avenida Filinto Müller.
“A partir das audiências públicas estamos mostrando as prioridades do Plano Plurianual, elaborado para 2018-2021, dentro das urgências e necessidades do exercício 2018, concomitante com o limite orçamentário. Ao apresentar o planejamento municipal à população, provocamos o debate por melhorias coletivas à cidade. O PAC, que estaremos finalizando a primeira etapa no próximo mês, no Parque do Lago, é prova de que as discussões para investimentos devem ser compartilhadas e debatidas”.
Entre as novas frentes de investimentos para serem executadas com o orçamento de 2018, estão as construções de seis escolas, sendo quatro na zona urbana e duas na zona rural, 14 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), a construção da UPA 24 horas do Cristo Rei, construção da nova rodoviária, construção de um mercado popular para feiras livres, recuperação e revitalização da Orla do rio Cuiabá e a execução de 50 quilômetros de asfalto novo, de um total de 135 quilômetros que serão implantados nos próximos três anos.
Como detalhou o demonstrativo, o secretário Edson Roberto Silva, explica que dos R$ 727,17 milhões previstos em receita, R$ 539,17 milhões serão originados das receitas correntes, o que gera um aumento anual de 4%, quando comparado aos R$ 519,85 milhões em execução nesse ano. As receitas correntes são constituídas pelas receitas tributária, de contribuições, patrimonial, agropecuária, industrial, de serviços e outras e, ainda, as provenientes de recursos financeiros recebidos de outras pessoas de direito público ou privado, quando destinadas a atender despesas, e essencialmente direcionadas ao custeio.
As receitas de Capital, que são recursos direcionados aos investimentos, estão estimadas em R$ 169,51 milhões para execução somente em 2018. Nesse montante estão os projetos novos já citados nas áreas de saúde, educação e infraestrutura, como a garantia de recursos para a etapa 2018 do PAC, em R$ 52,90 milhões, R$ 34,25 milhões provenientes do governo do Estado, como os R$ 4 milhões para a conclusão da reforma do ginásio Fiotão. O secretário explica ainda que o PAC total de Várzea Grande, com obras de esgotamento sanitário, pavimentação, e 100% da universalização da água, tem orçamento global de cerca de R$ 500 milhões para implantação em quatro anos. “Os R$ 52,90 milhões que estão relacionados na LOA/LDO do ano que vem se refere pontualmente ao investimento para o exercício 2018”.
Ainda como exemplo de projetos de longo prazo, o secretário municipal de Assuntos Estratégicos, Jayme Campos, reforça que hoje foram lançados mais R$ 168 milhões entre ordens de serviço, autorização para licitação de novas obras do PAC, valor global que será diluído anualmente nas próximas LOA’s. “O valor lançado na manhã de hoje, supera o total previsto em receitas de Capital para 2018, em R$ 169,51 milhões. Como trabalhamos com um orçamento real e possível, inserir anualmente os projetos do PAC fazendo parte da receita estimada para cada ano do exercício em questão. Não adianta lançar uma peça orçamentária de milhões, sabendo que sua execução é de longo prazo e não de curto prazo como são as Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e da Lei Orçamentária Anual (LOA)”.
Conforme o secretário Jayme Campos, se todos os projetos de infraestrutura e de investimentos fossem lançados no orçamento, “Várzea Grande teria uma receita estimada bilionária, mas totalmente irreal dentro do contexto de sua execução anual, que é para cada 12 meses”.
AUDIÊNCIAS – Os encontros para discussão do orçamento municipal para 2018 seguem nessa quinta e sexta-feira, no Centro Educacional Abdala José de Almeida (antigo Centro Professor Oscar Ribeiro), no bairro São Mateus e no Plenário da Câmara Municipal de Vereadores de Várzea Grande, ao lado do Paço Municipal, respectivamente.
Como explica o secretário de Planejamento, Edson Roberto Silva, a LDO 2018 recebeu sugestões de todas as secretarias municipais, e apesar de estar sendo apresentada nas audiências públicas, é um documento em construção e precisa da participação de toda a sociedade. Por isso, temos o rito constitucional de cumprir as audiências públicas. “A participação popular é importante para o fortalecimento da integração entre o poder público e sociedade civil, que poderá durante as audiências públicas tirar dúvidas, elencar demandas dos bairros e até sugerir a realização de obras e serviços para a aplicação dos investimentos apontados e que fazem parte das metas estabelecidas pela Administração Pública no Plano Plurianual”.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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