Mato Grosso
Prefeita recebe visita de Dom Milton e definem fortalecimento de parcerias
Mato Grosso
Dentro da Cúria Metropolitana formada por 27 paróquias, dez delas estão situadas em Várzea Grande, o que faz da cidade uma referência para igreja católica
Da Redação
Elogiando a política social implementada nos últimos anos em Várzea Grande, a segunda maior cidade de Mato Grosso, o Arcebispo Metropolitano de Cuiabá, Dom Milton dos Santos fez uma visita oficial a prefeita Lucimar Sacre de Campos e aproveitou para estreitar os laços na construção de mais políticas voltadas para atender ações como a educação de crianças e jovens, e, de cursos para pessoas em situação de vulnerabilidade.
Dom Milton fez questão de ressaltar que dentro da Cúria Metropolitana formada por 27 paróquias, dez delas estão situadas em Várzea Grande, o que faz da cidade uma referência para igreja católica. Além disso, como completou, Várzea Grande é sede de seminários e da Faculdade Católica de Mato Grosso (Sedac) que oferta cursos de graduação, nas áreas da Pedagogia, Teologia, Filosofia, Processos Gerenciais e Psicologia.

Ele explicou à prefeita que hoje a Cúria Metropolitana possui obras assistenciais, como casa de recuperação, creches e desenvolve ações de apoio ao cidadão, e que com o fortalecimento da parceria com Várzea Grande vai poder aumentar o número de atendimento e implementar as políticas públicas. “As nossas parcerias são importantes. A minha visita tem como finalidade referendar e estudar possibilidades de ampliação. Temos a Faculdade Católica que pode servir para o setor da Educação como campo de capacitação aos professores da Rede Pública Municipal de ensino. Os nossos projetos de creches, que complementam a Rede educacional de assistência às crianças”, explicou.
O arcebispo aproveitou ainda para anunciar a 32ª edição do Vinde e Vede, que será realizada em Cuiabá, entre os dias 9,10, 11 e 12 de fevereiro de 2018, durante o período de Carnaval. “Em 2018 a atenção da igreja vai estar principalmente voltada aos jovens. Depois do sínodo para as famílias, que foi o tema central do Vinde e Vede 2017, agora os bispos querem compreender melhor quais são os desafios da juventude, e assim, estarem mais próximos, seguindo inclusive, a orientação do Papa Francisco”. O tema do encontro anual estará baseado no próximo Encontro Mundial da Juventude católica, que será realizado no Panamá.
“O Vinde e Vede chega a reunir mais de 100 mil pessoas no período do Carnaval. E o MicareCristo, evento que antecipa o Vinde e Vede, reúne mais de 50 mil jovens. A infraestrutura para promover este evento já está definida. Precisamos, junto ao Município traçar algumas ações em conjunto que facilitem o acesso dos jovens de Várzea Grande ao evento, como por exemplo, linhas extras de ônibus neste período específico para o local do evento, promovendo o deslocamento, com linhas diretas e horários pré-definidos. Já na questão da Assistência Social e da Educação nos colocamos à disposição para outras parcerias, vez que a Igreja Católica tem atuado em conjunto com o Município. Como a senhora diz, a união garante o sucesso das parcerias” pontuou Dom Milton.

Acompanhado do padre José Pereira, da paróquia Santo Antônio, do padre Marcos Antônio Dias, da paróquia Nossa Senhora da Guia e do padre Ivan Rodrigues da Paixão, da Canção Nova, Dom Milton abençoou os presentes, o gabinete e a secretaria de Comunicação Social. “A prefeita é uma mãe para essa cidade e quero receber das mãos dela, a minha benção”, disse o arcebispo, emocionando muito a prefeita.
Católica e atuante, a prefeita agradeceu a visita do arcebispo e pontuou que a parceria entre o Município e a igreja católica é uma união forte e que será ampliada ao longo de sua gestão. “Dom Milton fez mais do que uma visita, trouxe palavras de fé, palavras otimistas e sua benção, nos renovou para que sigamos com um trabalho sério, transparente e que tem como único objetivo, melhorar a qualidade de vida da nossa população e construir a Várzea Grande que todos nós queremos”.
A prefeita, devota de Nossa Senhora Aparecida, recebeu das mãos do arcebispo uma imagem da santa, que traz em seu interior, água benta. Além dos padres que atuam em Várzea Grande, a reunião contou com a presença da secretária municipal de Assistência Social, Kathe Martins, do secretário municipal de Governo, César Miranda e de assessores e voluntários da Cúria Metropolitana e do gabinete.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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