Mato Grosso
População quer barrar “indústria da multa” em Cuiabá
Mato Grosso
São milhões arrecadados mensalmente em multas pela Prefeitura de Cuiabá, de legalidade questionável por condutores, autoridades judiciais e do Legislativo. A “indústria da multa” – afirma a população – “está a pleno vapor”
Da Redação
Os habitantes de Cuiabá têm sido vítimas de um sistema que a Prefeitura da capital afirma sistematicamente funcionar “dentro da máxima legalidade”, ou seja: a aplicação de multas de trânsito (de valores exorbitantes). E elas têm sido geradas de maneira suspeita, conforme questionamentos oficializados junto à Justiça por condutores e membros do Legislativo e Ministério Público. São notificações pautadas em supostas irregularidades cometidas no trânsito local, porém sem provas cabais de que efetivamente aconteceram.
Naturalmente, conforme o site OMATOGROSSO , a “indústria da multa” seria um oceano ilícito projetado para explorar o cidadão cuiabano e abastecer os cofres da Prefeitura com milhões mensais. Mas existe alguma exceção lícita nesses mares de suspeita exploração: são multas geradas em decorrência de falhas cometidas por condutores que transgrediram as normas do Código Brasileiro de Trânsito. Não é o caso da maioria, apontam os milhares de penalizados pela Secretaria de Mobilidade Urbana de Cuiabá, que têm recorrido à Justiça para barrar essa arbitrariedade, disfarçada de “legalidade”.
O ex-prefeito de Cuiabá, hoje deputado estadual e secretário estadual de Cidades, Wilson Santos, demonstrou há meses completa indignação ao ver o que qualifica de “volúpia insaciável” do Executivo Municipal na utilização de radares geradores de multas no trânsito e por parte dos agentes do setor, conhecidos como “amarelinhos”. Santos explicou que o maior volume dessas multas têm colhido os motoristas de surpresa e indignação.
“Eles {motoristas} simplesmente negam que tenham cometido infrações assinaladas. E exigem provas disso, têm recorrido junto à Secretaria de Mobilidade Urbana e em outros setores. Ao cobrar respostas – que deveriam ser fornecidas de forma clara -, geralmente eles não conseguem derrubar a nebulosidade duvidosa das imagens registradas pelas câmeras e as versões impostas pelos agentes que lavraram as multas…”
Uma das causas mais comuns para a aplicação de multas diz respeito ao não uso do cinto de segurança. Porém, vários condutores já oficializaram queixas contra o Município, pelo fato de usarem tal dispositivo e, mesmo assim, as multas terem sido geradas. Nem com testemunhas presentes no próprio veículo essa penalidade “cai” perante a análise dos servidores da Secretaria de Mobilidade Urbana, denunciam.
Os agentes de trânsito de Cuiabá, conforme disse uma motorista, que prefere não ser identificada, “devem ter olhos de águia, e bem fantasiosos! Pois enxergam até à noite, a quilômetros de distância, por vezes construindo irrealidades do tipo (falta de cinto) no seu campo visual. Então aplicam multas falsas, covardes, no intuito único de explorar”.
Esse problema já extrapolou a esfera do simples inconformismo dos motoristas prejudicados e ganhou alarde em todas as esferas do Judiciário, Executivo Estadual e do Legislativo. Pode render ações de indenização na Justiça por parte dessa multidão, que se sente lesada pela agilidade dos radares em fabricar infrações inexistentes, e também, por parte dos agentes de trânsito do município, acusados de forjar situações de transgressões das normas de trânsito e assim multar a bel prazer.
Há casos, inclusive, em que carros recebem multas cometidas por reais infrações de motocicletas, e vice-versa. Ou de motociclistas multados por não usarem cinto de segurança. Nenhuma dessas situações tem merecido a revogação ou análise não tendenciosa das penalidades aplicadas.
Um condutor chegou a dizer o seguinte: “Se você se sente seguro pela quantidade de câmeras de vigilância que existe na cidade inteira, pode ter certeza de algo: grande parte delas é de trânsito, e exclusivamente para multá-lo, não garantir sua segurança”.
O mesmo motorista disse que, aleatoriamente, eles (agentes) escolhem as vítimas ao checarem as imagens. “Qualquer um é passível de receber multas, tenha ou não cometido alguma infração” (velocidade, falta de cinto de segurança, uso de celular, etc…). Daí a série de controvérsias que tem surgido mensalmente, contestações dos condutores multados. “Sentem revolta por terem sido penalizados injustamente”.
Um agente de trânsito, da gestão anterior à de Emanuel Pinheiro, confidenciou que uma das estratégias utilizadas no dia das multas é comparecer a eventos públicos (shows) e fotografar carros estacionados na área. “Com certeza, algum deles vai estar com problemas de licenciamento ou em local impróprio para estacionar. Realizamos uma checagem no sistema e isso é levantado. A multa é automática”.
O referido agente só não confirmou que a “fabricação” de transgressões no trânsito seja fato concreto e corriqueiro no município. “Só multamos se estiver irregular”. Ele se referiu ainda ao estacionamento de instituições universitárias e escolas como um dos pontos fortes para gerar multas na capital. “Basta ir anotando carros estacionados em cima de calçadas ou em pontos considerados proibitivos. Multas na certa”.
Logicamente, a Prefeitura de Cuiabá, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana, tem assegurado à imprensa que seu sistema de monitoramento do trânsito e aplicação de sistemaé 100% confiável. “Trata-se de um setor idêntico ao ‘galo de ouro’, faltou dizer”, conforme observação de um outro condutor multado, “pois é preservado com eficiência logística, viaturas e contingente razoável de agentes”.
O órgão municipal rebate categoricamente a fama da existência de ‘indústria de multas’ na capital. Diz que isso confrontaria o objetivo real do projeto, que é conscientizar motoristas, não penalizá-los e, consequentemente, arrecadar.
Os números registrados, no entanto, demonstram contradições alarmantes às declarações oficiais dos defensores dos radares e dos agentes de Trânsito: das 289 mil multas aplicadas a partir do funcionamento desse sistema, somente 43 mil foram pagas, mas ainda assim geraram milhões em receita aos cofres da Prefeitura. Resta saber se as penalidades – geradas com base em tais transgressões – coincidem com a realidade dos fatos.
“É uma exploração contundente”, disse o deputado estadual Zeca Viana ao propor, em 2016, a instalação de sonorizadores (Projeto de Lei 339/2016). “Seria um dispositivo realmente eficaz”, defendeu então o parlamentar, a fim de coibir que quaisquer excessos de fiscalização eletrônica possam ser cometidos doravante na capital e em outras cidades do Estado.
Zeca Viana se baseou na cifra respeitável de 630 mil multas que os radares cuiabanos aplicaram em tempo recorde à sua operacionalização, em 2016. De lá pra cá, os cofres do município já arrecadaram mais de R$ 20 milhões em multas.
Mato Grosso
Saúde mental de servidores do sistema prisional é debatida em reunião
O Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) participou de uma reunião interinstitucional no Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso (TRT/MT) voltada à discussão das condições de trabalho, da saúde mental e da valorização dos profissionais que atuam no sistema prisional mato-grossense. Representando a instituição, a procuradora de Justiça Josane Fátima de Carvalho Guariente destacou a necessidade de ampliar o olhar das instituições para o bem-estar dos servidores, diante dos elevados índices de adoecimento registrados na categoria.Durante o encontro, realizado na sexta-feira, 09/10, a procuradora de Justiça ressaltou que a valorização dos trabalhadores do sistema penitenciário é fundamental para o fortalecimento das políticas públicas voltadas à execução penal. Segundo dados apresentados na reunião, 80% dos afastamentos por motivos de saúde registrados entre esses profissionais em 2025 estão relacionados ao sofrimento psíquico. “É muito importante que todas as instituições voltem um olhar para perceber o quanto esse servidor necessita ser valorizado”, afirmou Josane Guariente.Conduzida pelo presidente do TRT/MT, desembargador Aguimar Peixoto. Também participaram das discussões o secretário de Estado de Justiça, Valter Furtado Filho, o coordenador do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), juiz Geraldo Fidelis Neto, representantes sindicais e gestores ligados à política prisional.O objetivo da reunião foi ampliar a participação dos profissionais que atuam diretamente nas unidades prisionais nas discussões e ações previstas pelo Plano Pena Justa. Iniciativa nacional coordenada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, com o objetivo de promover melhorias estruturais e institucionais no sistema prisional brasileiro, incluindo ações voltadas à valorização dos profissionais que atuam nas unidades penais.A pauta contemplou as demandas de policiais penais e de outros profissionais essenciais ao funcionamento do sistema, como psicólogos, médicos, dentistas e psiquiatras. Como encaminhamento, foi definida a realização de uma audiência pública para aprofundar o debate sobre saúde, condições de trabalho e valorização dos servidores do sistema prisional. A expectativa é que o evento ocorra em dezembro, reunindo instituições e profissionais envolvidos na temática.Informações: TRT-MT
Fonte: Ministério Público MT – MT
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