Mato Grosso
População do Coxipó apresenta demandas ao governo para os 300 anos da região
Mato Grosso
Reunião na sede da Ucam na noite desta quinta-feira (20.07) contou com a presença de presidentes de bairros e presidentes de clubes de mães da região sul de Cuiabá
Da Redação
Na iminência de completar 300 anos de fundação, o Coxipó, localizado na região sul de Cuiabá, busca se preparar para o futuro. Nesta quinta-feira (20.07), o governador Pedro Taques recebeu demandas dos presidentes de bairros da região. Entre as obras e ações solicitadas estão a ligação da região com Várzea Grande e uma nova avenida que faça a ligação do Osmar Cabral com o bairro Doutor Fábio (região norte).
No encontro com as lideranças que se estendeu até 23h, Taques disse que o Estado tem um olhar estratégico para a região. Ressaltou que já é possível ver essa mudança na nova agência do Detran na região e no número de escolas que serão construídas e reformadas na localidade. “O Coxipó é maior que a maioria dos municípios de Mato Grosso, aqui o cidadão precisa de e equipamentos públicos de qualidade”, afirmou.
Segundo o governador, Além do Detran, o Estado vai atender o pedido dos presidentes de bairro e vai instalar uma delegacia com atendimento 24 horas. Para isso, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) busca um prédio que possa abrigar a unidade.
Além da delegacia, o Coxipó será contemplado com um moderno Ganha Tempo na próxima rodada de PPPs e que será feita pelo MT Par. “Será um Ganha Tempo moderno, com equipamentos de qualidade como o Coxipó merece. Estamos finalizando o processo para construir a unidade do Morada do Ouro, o Coxipó será o próximo contemplado”, garantiu.
Ressaltando a importância da reunião, Taques lembrou que a Casa Civil do governo tem feito diariamente atendimento a líderes comunitários que apresentam suas demandas ao Estado. Destacou que o governo continuará atuando juntos com os presidentes de bairros por entender que as primeiras pessoas procuradas pelos moradores na busca de solução de problemas.
O presidente da União Coxipoense de Associações de Moradores de Bairros (Ucam), José Maurício, agradeceu o governador por fazer gestão próxima à comunidade. “Mais uma vez o governo demostra seu respeito ao movimento comunitário”, disse ao apresentar uma série de reivindicações dos moradores da região.
Regularização Fundiária
Entre as ações apresentadas pelo governador aos moradores do Coxipó está a regularização de mais de 50 mil imóveis em Mato Grosso, sendo mais de 20 mil entregas de títulos em Cuiabá. O Coxipó é um dos principais comtemplados. Presente na reunião, o presidente do Intermat, Cândido Teles ressaltou que o órgão trabalha de domingo a domingo para entregar o maior número de títulos possível. As entregas em Cuiabá começam em agosto, por conta da parceria com a agência Desenvolve MT, Tribunal de Justiça de Mato Grosso e Cartórios locais.
Obras
Um dos principais pedidos do movimento comunitário é para a pavimentação de bairros inteiros ou ruas que ainda não foram contempladas. Muitos locais já possuem emendas alocadas. A Casa Civil, por meio dos adjuntos Paola Reis e Carlos Brito, farão esse levantamento com a Secid, comandada por Wilson Santos, que também participou do encontro, para buscar agilizar as obras.
Brito, que criou a Ucam, destacou que o Coxipó não merece nada a mais que outras regiões da cidade, mas que também não merece nada a menos.
Educação
O secretário de Estado de Educação, Esporte e Lazer, ressaltou que na educação já é possível observar grandes ações do governo no Coxipó. Citou o exemplo da Escola Estadual Rafael Rueda que já funciona em tempo integral, fazendo parte do programa Escola Plena. Quatro escolas da região receberão reforma total e outras três unidades serão construídas, sendo uma Escola Militar Tiradentes e um Centro Integrado Escola Comunidade (CIEC).
Também anunciou que o programa Anjos da Escola, compromisso previsto no plano de governo, será lançado nos próximos dias e também atenderá o Coxipó. Neste programa, os batalhões da Polícia Militar adotará escolas estaduais para levar segurança as unidades educacionais.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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