Mato Grosso
Pesquisadora aborda branquitude em curso do TJMT e convida para mudança em prol da equidade racial
Mato Grosso
A branquitude como monocultura jurídica e os privilégios sociais foram abordados no segundo módulo do Curso de Letramento Racial e Práticas Antirracistas realizado pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso, nesta terça-feira (16 de junho). A professora doutora Silviane Ramos Lopes da Silva destacou a importância do conhecimento para a mudança de padrões sociais.“Quando a gente fala de branquitude, fala de um comportamento que é reproduzido baseado nos costumes coloniais. Quando você se torna um aliado, você se coloca numa postura que questiona essa opressão da colonização, porque várias pessoas morreram e várias pessoas brancas foram acolhidas nos quilombos no século XVIII”, relatou.
A presidente do Comitê de Promoção da Equidade Racial, desembargadora Juanita Cruz da Silva Clait Duarte, elogiou a profundidade com que o assunto é tratado pela pesquisadora e a participação maciça de magistrados e servidores. “É um tema de alta relevância e precisamos ter a consciência de que esse aprendizado vai facilitar nosso trabalho. Precisamos internalizar em nossas vidas, em nossos julgamentos, no acolhimento às pessoas que nos procuram”, pontuou.
Para a palestrante, o fato de a desembargadora presidir o Comitê de Promoção da Equidade Racial e também a Comissão de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio Moral, Sexual e Discriminação do Poder Judiciário de Mato Grosso é um diferencial em relação a outros tribunais, já que os protocolos são convergentes.
Participações
Até o dia 19 de junho, cerca de 500 magistrados e servidores da capital e de várias comarcas participam do curso online pela plataforma Teams da Escola dos Servidores, tornando produtivos os debates.
O juiz Vagner Dupim Dias, da 5ª Vara Cível de Tangará da Serra, citou o fato de um advogado que afirmou ser “até amigo de pessoas negras, não apenas de pessoas brancas” para defender o réu acusado de racismo; ressaltando uma realidade arraigada em muitos discursos.
O juiz da 2ª Vara Cível de Diamantino, Raul Lara Leite, apontou ainda as questões de mistura de raças existentes no Brasil e as nomenclaturas equivocadas aprendidas antigamente na escola.
A palestrante explicou que o termo “mestiçagem”, por exemplo, é inadequado por conta das políticas de branqueamento e o correto seria “pluralidade étnica”. Silviane Ramos lembrou que as regras de acesso às políticas de reparação afirmativa são claras e objetivas e as bancas de heteroidentificação devem estar atentas diante dessa realidade.
Comitê de Equidade do TJMT
“Aquelas pessoas brancas que querem ser aliadas são muito bem- vindas, a gente abraça, agradece e estamos nesse percurso formativo das letras cursivas e do fluxo do rio que podem se encontrar”, finalizou Silviane Ramos Lopes da Silva, doutora em Sociologia pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), mestre em História pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), consultora em Equidade Racial e membro da Latinas/Fiocruz.
Leia mais:
Autor: Lídice Lannes
Fotografo:
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
Mato Grosso
Projeto inédito do TJMT leva Programa de Integridade à rotina das unidades judiciárias
O Poder Judiciário de Mato Grosso (PJMT) deu mais um passo no fortalecimento da cultura de ética, transparência e governança ao lançar, no dia 30 de julho, o IntegridadeJus – Oficina de Integridade Aplicada à Unidade Judiciária. Com a iniciativa, a Justiça de Mato Grosso (TJMT) torna-se o primeiro do país a estruturar um programa de integridade com foco na realidade cotidiana de uma unidade jurisdicional, aproximando os princípios da integridade pública da prática diária de magistrados e servidores.A unidade escolhida para receber o projeto-piloto é a 3ª Vara Especializada em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá, que terá papel estratégico na construção da metodologia. Na prática, o programa IntegridadeJus prevê a realização de diagnóstico institucional, gestão de riscos, aperfeiçoamento dos fluxos de trabalho, proteção de dados, capacitação das equipes e elaboração de planos de ação voltados às necessidades específicas das unidades.
O coordenador do Comitê Gestor de Integridade e Compliance do PJMT, desembargador Jones Gattass Dias destacou que o projeto representa um novo momento do Programa de Integridade do Tribunal, baseado na prevenção, na responsabilidade compartilhada e no compromisso ético de todos os integrantes da instituição.
“O programa busca incorporar em todos nós a consciência de fazer a coisa certa, independentemente de haver fiscalização. A intenção não é controlar pessoas, mas fortalecer uma cultura de integridade, prevenindo riscos que possam comprometer a imagem, a credibilidade e a confiança da sociedade no Poder Judiciário. É um trabalho colaborativo que pretende aproximar essas práticas da rotina das unidades judiciárias e servir de modelo para outras comarcas e até para outros tribunais brasileiros”, afirmou.Toda a metodologia de trabalho da 3ª Vara Especializada em Direito Bancário da Comarca de Cuiabá será aperfeiçoada durante a execução do projeto-piloto para, posteriormente ser expandida às demais unidades judiciárias do estado, consolidando um modelo que poderá servir de referência nacional.
Para o juiz da 3ª Vara Especializada em Direito Bancário, Alex Nunes de Figueiredo, a iniciativa coloca o TJMT em posição de protagonismo nacional ao desenvolver um modelo inovador voltado ao Primeiro Grau de jurisdição.
“É um desafio muito grande e um programa inédito voltado ao Primeiro Grau de jurisdição. Estamos iniciando um processo novo, que será construído passo a passo em parceria com o Comitê de Integridade e as áreas técnicas do Tribunal. Nosso objetivo é desenvolver um modelo que possa ser replicado em outras unidades do estado e, futuramente servir de referência para outros tribunais do país”, ressaltou.
Ao levar o Programa de Integridade para dentro da rotina das unidades judiciárias, a Justiça de Mato Grosso reafirma seu compromisso com uma gestão pública moderna, preventiva e orientada por valores éticos. A expectativa é de que os resultados a serem obtidos na unidade-piloto contribuam para o aperfeiçoamento contínuo da prestação jurisdicional, fortaleçam a confiança da sociedade na Justiça e consolidem o TJMT como protagonista nacional na promoção da cultura da integridade no Poder Judiciário.
Projeto amplia cooperação institucional e atrai atenção de outros tribunais
O caráter inovador da iniciativa já despertou interesse de outros tribunais brasileiros. O lançamento foi acompanhado, de forma remota, pela gerente do Centro de Controle, Transparência e Integridade do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Ursina Andrade, que demonstrou interesse na metodologia desenvolvida pelo TJMT. Os dois tribunais mantêm um termo de cooperação voltado ao fortalecimento de seus programas de integridade, favorecendo o intercâmbio de experiências, boas práticas e soluções institucionais. O reconhecimento reforça o potencial do IntegridadeJus para se tornar uma referência na implementação de programas de integridade no Judiciário brasileiro.
Autor: Carlos Celestino
Fotografo: Josi Dias
Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT
Email: [email protected]
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