Mato Grosso
Os homens de R$ 50 milhões… e o preço do ‘achaque’ pago aos conselheiros
Mato Grosso
Julgadores promoveram verdadeira ´farra’ ao pressionarem o ex-governador para dar dinheiro em troca da aprovação de contas
Da Redação
Pedro Ribeiro e Laerte Lannes
Reportagem Especial
A tradicional impunidade como os casos de corrupção são tratados em Mato Grosso pode estar com os seus dias contados. Não dá ainda para idealizar uma absoluta guinada rumo à abolição dessa prática abominável, à concretização do sonho de que toda a corrupção será extirpada.
Nos últimos dias ao saber da infame extorsão na ordem de R$ 50 milhões protagonizados por cinco conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso – e liderado pelo presidente, Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto – contra o ex-governador Silval Barbosa (PMDB), o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF) em Brasília, ficou zonzo, sentou na sua cadeira e viu o mundo desabar ao seu redor.
Na sua cabeça passava vários questionamentos, mas, um deles ainda sem respostas concretas. Como? E por os conselheiros cobravam extorsão para aprovar as contas do ex-governador no órgão? Com pulso firme, mesmo sendo pressionado, Fux reuniu a imprensa e revelou: a atitude dos julgadores da Corte de Contas de Mato Grosso é “monstruosa”.
O ministro ainda não homologou a delação premiada do ex-governador, mas adiantou que ela é uma afronta a república e depois da Lava Jato é a maior operação. “Silval trouxe material, mas não foi homologada ainda”, disse o ministro aos jornalistas durante coletiva, minutos antes de chegar para a sessão plenária do STF, na semana que passou.

Ex-governador Silval Barbosa (PMDB) delata os conselheiros do TCE de MT por pratica de extorsão
Silval Barbosa foi governador de Mato Grosso entre 2010 e 2014 e preso sob a acusação de liderar um esquema fraudulento de recebimento de propina em troca da concessão de incentivos fiscais.
Em junho deste ano, a juíza Selma Santos Arruda, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, autorizou a transferência do ex-governador do regime fechado para a prisão domiciliar.
Barbosa já confessou uma série de crimes para a justiça e disponibilizou mais de R$ 40 milhões em bens. Com a delação feita por Silval, alguns conselheiros já teriam recebido informação, de que a qualquer momento, o ministro poderá expedir mandado de prisão contra eles.
A delação de Silval foi feita também para o vice-procurador-geral, Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, responsável pelas delações especiais, com foro por prerrogativas de função. O ex-governador entregou farta documentação e gravações que comprovariam o envolvimento dos conselheiros na ´extorsão´.
Além de Silval, quem também delatou os conselheiros foi o ex-secretário da Casa Civil, Pedro Nadaf, que confirmou o ´achaque´ feito pelos julgadores. Nadaf, consegui concretizar seus efeitos inéditos no depoimento que prestou aos promotores e delegados da Policia Civil do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) e de imediato encaminhado para a juíza Selma Arruda, da Vara de Crime Organizado.
A juíza – prontamente – remeteu ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Nadaf estancou – de uma só vez – o processo depressivo que o incomodava, desde a sua prisão, e delatou os conselheiros entre eles o atual presidente Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto e José Carlos Novelli.
Segundo Nadaf, os conselheiros exigiram propina no valor de R$ 50 milhões na gestão do ex-governador Silval Barbosa, em troca da aprovação das contas do Governo no TCE, além de fazerem vista ‘grossa’ na fiscalização de quase R$ 2 bilhões das obras da Copa do Mundo realizado em Cuiabá em 2014, além de oferecer vantagens fazendo ouvidos ´mouros´ na dinheirama sobre os incentivos fiscais e o Programa MT Integrado, e que deveriam ter sido fiscalizado com afinco pelos conselheiros, mas, conforme a delação do ex-secretário, foram aprovadas em troca de pagamentos de propinas para os representantes da corte.

Ex-secretário Pedro Nadaf: “Conselheiros exigiram R$ 50 milhões em propina”
O resultado disso é que o Mato Grosso tem uma divida com a União relativa às obras da Copa de 2014 e que representa 22,5% do total devido pelo Estado. O emissário do pedido de extorsão contra o ex-governador Silval Barbosa foi feita pelo conselheiro José Carlos Novelli com as benções do atual presidente Antônio Joaquim, segundo consta no depoimento do ex-secretário. Novelli teria exigido um montante de R$ 3,5 milhões a serem distribuídos entre os cinco conselheiros.
Isso tudo dividido em 14 parcelas, que somaria cerca de R$ 50 milhões. Silval teria assinado diversas notas promissórias para honrar a divida com a extorsão dos conselheiros. Assim que dispunha de uma parcela em espécie do achaque, Silval resgatava as notas.
Para conseguir viabilizar o montante da dinheirama, segundo revelou Pedro Nadaf, o ex-governador ´articulou´ a compra superfaturada pelo estado de uma área localizado na região do Manso, de propriedade do médico Filinto Correa da Costa, para poder honrar o pagamento da propina.
O ´esquema´ também contou com a participação do procurador do estado Francisco Lima (Chico Lima). A acusação feita por Pedro Nadaf com farta provas, foi acompanhado por seus advogados e deve instruir nos próximos dias outras ações do Gaeco reativo a operação Seven e Convescote e deve atingir diretamente o Tribunal de Contas e os conselheiros acusados pelos ex-secretário, entres eles o atual presidente Antônio Joaquim, José Novelli, Valter Albano, Waldir Júlio Teis e o conselheiro afastado Sérgio Ricardo.
De tão estranhas ou mal contadas, existem histórias que, aparentemente, só os próprios acusados serão capazes de produzir – e que, de tão singulares, eles também devem se complicam muito na hora de se explicarem.
Mato Grosso
Servidores da Corregedoria concluem curso de mediação e conciliação
Dez servidores do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e assessores de gabinetes da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) concluíram o Curso Básico de Mediação e Conciliação Judiciais. A capacitação desenvolveu conhecimentos teóricos e práticos sobre mediação e conciliação judiciais, para a atuação autocompositiva no âmbito judicial.
Segundo o gestor de capacitação e avaliação do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), Carlos Campelo, a formação contribui para ampliar a cultura do diálogo e da solução consensual de conflitos.
“As técnicas aprendidas durante a capacitação não se restringem ao ambiente de trabalho e podem ser aplicadas em diversas situações do cotidiano. Quando mais profissionais estiverem atuando nessa área, sejam servidores ou sociedade em si, mais pessoas irão conseguir resolver seus conflitos com diálogo, pois o primeiro passo para que isso ocorra é saber se comunicar”, afirmou.
A diretora do Daje, Shusiene Tassinari Machado, destacou que a capacitação contribuiu para ampliar o conhecimento da equipe sobre os mecanismos consensuais de resolução de conflitos e irá fortalecer o apoio às atividades desenvolvidas pelos Juizados Especiais.
“Esse curso será um divisor de águas na nossa atuação, na gestão dos conciliadores credenciados que atuam nos processos judicias dos Juizados Especiais. Pois agora compreendemos não apenas a parte administrativa, mas também a teoria e a prática da mediação judicial”, explicou.
Curso – A capacitação foi dividida em duas etapas. A parte teórica, realizada presencialmente entre 24 e 28 de setembro de 2025, com carga horária de 40 horas e que incluiu simulações práticas de audiências de mediação. E a segunda etapa, o estágio supervisionado realizado entre fevereiro a junho deste ano, pela plataforma Microsoft Teams, com 60 horas práticas com casos reais.
A instrutora de mediação e justiça restaurativa, Ana Tereza Pereira Meira, responsável pelo acompanhamento da etapa prática, destacou que a formação proporciona mudanças que refletem diretamente no atendimento prestado à população. “A pessoa que faz um curso de mediação, se torna diferente. Os alunos aprendem uma comunicação melhor, uma comunicação mais harmônica e isso ajuda no atendimento do público e do Poder Judiciário”, disse.
Para o participante da capacitação, o gestor administrativo do Daje, Gláucio Corrêa, a formação proporcionou uma compreensão melhor da realidade dos conciliadores e juízes leigos que atuam nos Juizados Especiais. “Antes a gente trabalhava mais sob a perspectiva administrativa, agora nós sabemos exatamente como funciona, quais os desafios e isso contribuirá para o nosso trabalho de apoio e gestão”, pontuou.
O treinamento é uma iniciativa da CGJ-MT, com apoio da Escola dos Servidores e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Autor: Larissa Klein
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]
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