Mato Grosso
“O universo fala comigo” diz sobrinho que matou a tia em Sorriso
Mato Grosso
Da Redação – Jean Borsatti
Lumar Costa da Silva. 28 anos é acusado de matar a tia, Maria Zélia da Silva Cosmos, 55 anos, na cidade de Sorriso (420 km de Cuiabá) no dia 2 de junho.
Lumar concedeu uma entrevista coletiva na qual confessa ter matado e aberto o tórax da tia, na entrevista o jovem afirma que a tia fazia comentários depreciativos contra o rapaz e que não se arrepende de ter matado Maria Zélia. “Ela estava me sacaneando, ela estava falando pelas minhas costas, me chamando de veado, ela ficou difamando, me chamando de drogado.” Disse o jovem na entrevista.
Lumar diz ainda que a tia mereceu morrer e que não se arrepende do que fez. “Eu tenho a declarar que eu matei ela mesmo, não me arrependo de ter matado, ela mereceu.” Falou Lumar.
Ao ser questionado se fazia uso de drogas e se no dia do assassinato estava sob efeito de entorpecentes, o assassino afirmou que é usuário de maconha, porém no dia do crime teria usado LSD e que o crime não teria sido planejado. Em relação a arma do crime, Lumar afirma que antes de cometer o crime foi até uma gaveta da pia e pegou uma faca que foi utilizada no crime, segundo o acusado após cometer o ato ele teria deixado a faca no local e que não teria escondido a arma.
Já sobre Lumar ter arrancado o coração e levado para a prima, ele não soube explicar com clareza o que teria motivado o ato. “O coração significa que eu dou meu coração, eu te dou meu coração, pode arrancar ele.” Afirmou de forma desconexa.
Toda vez que falava do crime o suspeito não se intimidava e chegava a sorrir, quando foi questionado se ouvia vozes, Lumar afirmou: “Eu ouço o universo. O universo fala comigo sempre.”
No momento em que o assassino fala da relação com a mãe, o sentimento esboçado aparentemente foi de tristeza e ódio, Lumar afirmou que era maltratado, chegou a chama-la de praga. “Eu amo meu pai, mas agora minha mãe, é o demônio aquela praga.” Disse ainda que sua mãe lhe batia quando era criança, segundo o assassino ela chegou a espanca-lo na infância. Ele também lembrou da última briga que teve com a mãe, o que teria motivado a mudança para sorriso, Lumar afirma que brigou com a mãe por conta de uma música que o mesmo colocou no celular, que foi motivo de discussão e que após ela ter pego um facão, ele teria surtado e tentado matá-la. “Quando ela pegou o facão eu surtei, de verdade, do fundo do meu coração, tudo que ela fez pra mim, eu ia matar ela. Só que não, não matei ela, fiz errado, deveria ter matado aquela desgraçada…” Disse Lumar sobre a relação com a mãe.
Quando foi questionado do porque teria se mudado para Sorriso, o assassino afirmou que pretendia empreender vendendo roupas femininas que teria trazido de São Paulo, local onde morava com a mãe. Disse que veio para a casa da tia porque a mesma teria ofertado a casa e que Maria Zélia chegou a dizer que já não era mais dona da casa, segundo Lumar, ele teria ouvido a tia reclamar da presença dele desde o primeiro dia que chegou na residência.
Sobre a briga com um vizinho, Lumar afirmou que o vizinho na qual brigou usava tornozeleira eletrônica e que quando estava tentando vender as roupas que trouxe de São Paulo o referido vizinho ficava o encarrando e que após uma música colocada pelo vizinho ele novamente teria surtado e pegado um facão. “Já que você é malandro, vamos ser malandro então, peguei o facão e chamei ele pra briga.” Disse.
Já quando foi questionado em relação ao veículo que o mesmo pegou e foi em direção a central de energia que abastece toda a cidade, o jovem afirmou que “iria fazer uma revolução” e que o objetivo era apagar as luzes da cidade e liberar presos da cadeia, Lumar chegou a dizer que seu objetivo era “soltar o ódio”.
Ao ser questionado sobre a filha da prima, na qual Lumar queria levar junto no momento em que roubou o veículo para se dirigir até a central de energia, o assassino afirmou que era apaixonado por ela. “Eu gostava dela, eu me apaixonei por ela. Ela é uma menina apaixonante, uma menina muito legal…” disse.
Ao ser questionado sobre quais seriam suas intenções com a garota depois de tentar desligar as luzes da cidade, Lumar relutou em dizer o que faria, neste momento, o jovem foi interrompido pelo advogado, que alegou que a forma na qual Lumar estava falando dava a entender que o mesmo teria intenções sexuais com a garota, fato que fez o assassino negar que teria a intenção de cometer algum ato libidinoso com a garota.
Momentos depois, Lumar assume que tinha uma espécie de paixão pela garota e que tinha a intenção de beijar a menina caso ela quisesse, Lumar chegou a dizer que caso houvesse o consentimento da criança a ação não teria problema, já que segundo ele a garota saberia o que estava fazendo.
Lumar finalizou a entrevista com inúmeros comentários homofóbicos, nos quais, segundo ele, estariam sendo ditos pelo Universo, porém os comentários não tinham nexo nem contexto, Lumar chegou a chamar homossexuais de escória, a entrevista foi finalizada na sequência.
O jovem de vinte e oito anos se mostrou uma pessoa conturbada, muitas vezes falava frases sem sentido e chegou a expressar o ódio que sente pela mãe.
O delegado que atendeu o caso de Lumar, solicitou que o mesmo tivesse uma cela em separado dos demais detidos, já que segundo a polícia outras pessoas que estavam presos ameaçaram mata-lo, pois, nem mesmo o crime aceitaria a forma na qual a tia foi morta..
Segundo os peritos que analisaram o corpo de Maria Zelia, ela ainda respirava quando Lumar abriu o tórax e arrancou o coração, isso foi constatado porque segundo a perícia foram encontrados espuma na boca e no nariz da vítima, o que garante que ela estava respirando, porém não é possível afirmar se a tia estava consciente no momento da abertura.
Após a retirada do coração, Lumar o colocou em uma sacola e levou até a casa da prima, filha de Maria Zélia, no local, o jovem teria ameaçado a família e ainda tentado sequestrar a filha da prima de apenas oito anos de idade, na sequência, roubou o veículo e invadiu a central de energia da cidade com o intuito de cortar a energia de toda a cidade.
De acordo com as informações, a tia teria descoberto que o jovem fazia uso de entorpecentes e teria o expulsado da casa, um dos filhos da vítima chegou a alugar uma quitinete para que Lumar saísse da casa da mãe e fosse morar sozinho, porém, o fato de ter sido expulso levantou a ira do assassino que de forma cruel matou a tia a facadas e depois cortou o tórax para retirar o coração e posteriormente levar para a prima.
Este crime marcou a cidade de Sorriso (475 km de Cuiabá), que conta hoje com pouco mais de 87 mil habitantes, na cidade a única coisa que se comentava na semana era o crime bárbaro que abalou a rotina dos moradores.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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