Mato Grosso
Janot pede investigação de 34 pessoas e Presidente do TCE é citado duas vezes
Mato Grosso
Procurador-geral da República cita sete episódios levantados a partir das delações premiadas
Da Redação
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou, na última quinta-feira (24), o sigilo relativo aos acordos de delação premiada firmados pelo ex-governador Silval Barbosa (PMDB), sua esposa Roseli Barbosa, o filho do casal, Rodrigo Barbosa, o irmão de Silval, Antônio da Cunha Barbosa e do ex-assessor de gabinete do peemedebista, Silvio Cesar Araújo.
A retirada do sigilo atendeu a um pedido feito pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot.
Nos acordos, o procurador pede a abertura de investigação contra 34 pessoas, envolvidas em sete casos delatados por Silval, seu ex-assessor e demais membros da família Barbosa.
Entre os citados entre agentes políticos, servidores públicos e empresários.
Entenda o caso:
Estão entre os envolvidos o ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP) e o senador Cidinho Santos (PR).
O caso, segundo Janot, tem como enfoque as tentativas de Blairo em interferir na investigação relativa à Operação Ararath, entre os anos de 2014 a 2017.
O ministro Blairo Maggi, que teria tentado interferir na Operação Ararath
Neste aspecto, o procurador identifica o suposto cometimento dos crimes de embaraçamento de investigação penal envolvendo organização criminosa e corrupção de testemunha/falso testemunho.
É citado o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro Antônio Joaquim, que teria participado de um esquema de lavagem de capitais com o ex-governador Silval.
Foi identificado neste caso, suposta prática de sonegação fiscal, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.
Aparecem novamente o os envolvidos os conselheiros Sérgio Ricardo, José Carlos Novelli, Waldir Teis, Walter Albano e novamente o presidente do TCE, Antônio Joaquim.
Eles estariam envolvidos em um esquema de pagamento de propinas liderado por Silval e pelo ex-secretário de Estado, Pedro Nadaf, por meio do programa de obras de pavimentação em Mato Grosso, denominado “MT Integrado”.
Neste caso, o procurador Janot identificou o cometimento dos crimes de corrupção passiva e ativa, lavagem de dinheiro e fraude a procedimento licitatório.
São citados o deputado estadual Ondanir Bortolini, o Nininho, (PSD) e os empresários Jurandir da Silva Vieira e Eloi Bruneta.
O caso envolveria um esquema de pagamento de propina para autorização da concessão e para viabilizar a cobrança de pedágio na MT 130.
Relativa a essa narrativa, são citados os possíveis crimes de corrupção ativa e passiva, além de lavagem de dinheiro.
O deputado Nininho, citado em delação de Silval
Este é a narrativa em que estão o maior número de citados, entre eles os prefeitos de Cuiabá e Juara, Emanuel Pinheiro (PMDB) e Luciane Bezerra (PSB).
Também são listados o deputado federal Ezequiel Fonseca (PP) e os estaduais José Domingos Fraga (PSD), Gilmar Fabris (PSD), Baiano Filho (PSDB), Silvano Amaral (PMDB), Romoaldo Junior (PMDB), Wagner Ramos (PSD) e Oscar Bezerra (PSB).
Aparecem ainda os ex-deputados Hermínio Barreto, Luiz Marinho, Airton Português, Alexandre César (PT) e Carlos Antônio Azambuja.
Este caso ilustra o pagamento do chamado “mensalinho” de R$ 50 mil aos parlamentares como forma de o ex-governador Silval Barbosa “manter a governabilidade” de sua administração, ter as contas de Governo aprovadas dentro da Assembleia Legislativa nos assuntos de interesse do Poder Executivo.
Este esquema previa ainda, a não investigação pode meio de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) de nenhum dos membros do alto escalão do Governo.
São verificadas neste aspecto as supostas práticas de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro.
Este caso tem novamente como investigado o ministro Blairo Maggi e o conselheiro Sérgio Ricardo e envolve um acordo para indicação de nomes para o Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O fato identifica os supostos crimes de corrupção passiva e ativa, bem como lavagem de dinheiro.
Por fim, aparecem citados no caso 7 o ministro Blairo Maggi e os empresários Valdir Piran, Wanderley Fachetti Torres, o presidente do Bic Banco, José Bezerra de Menezes, os ex-secretários de Estado, Pedro Nadaf e Marcel de Cursi, além dos também empresários Genir Martelli, José Geraldo Nonino, Carlos Avalone (que hoje responde pela secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico) e Marcelo Avalone.
O caso envolveu operações financeiras realizadas entre o Governo do Estado e o BIC Banco. Segundo Janot, em 2006, várias construtoras tinham crédito junto ao Paiaguás, no valor aproximado de R$ 130 milhões.
Como não havia disponibilidade orçamentária, Blairo Maggi e Eder Moraes se reuniram com o presidente do BicBanco, José Bezerra de Menezes. Eles teriam acordado que a instituição concederia empréstimos para as construtoras credoras do Estado, que seria o garantidor das operações.
Ao final do Governo Maggi, em 2010, ainda havia uma dívida de R$ 30 milhões com as empreiteiras. Para fazer o pagamento, Silval acertou com o BicBanco um empréstimo, “sem qualquer lastro”, para a construtora Trimec, de Wanderley Fachetti Torres, que quitou a dívida do Estado com as outras construtoras, passando a ser credora do Estado.
Os R$ 30 milhões foram pagos por meio de uma engenharia financeira com os empresários do ramo de pequenas centrais hidrelétricas, José Geraldo Nonini, Marcelo Avalone e Carlos Avalone. O Governo reconheceu um crédito tributário para os empresários no valor de R$ 73 milhões. Com esse dinheiro, eles quitaram a dívida da Trimec com o banco.
São identificados neste aspecto, o suposto cometimento dos crimes de corrupção ativa e passiva, operação clandestina de instituição financeira, gestão fraudulenta de instituição financeira e lavagem de dinheiro.
Organização criminosa estruturada
Os acordos de colaboração, segundo o procurador Rodrigo Janot revelaram a existência de uma organização criminosa instalada no alto escalão do Governo de Mato Grosso, que funcionou especialmente entre os anos de 2006 a 2014.
“O consórcio espúrio entre políticos e empresários tinha como objetivo obter recursos de forma ilícita para o enriquecimento ilícito de seus integrantes, para a manutenção da governabilidade e para o pagamento de dividas de campanhas politicas”, citou o procurador.
Segundo Janot, os termos de declaração em conjunto, revelam a prática dos crimes de operação ilegal de instituição financeira, gestão fraudulenta de instituição financeira, corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
O procurador também afirmou que o grupo criminoso tinha um esquema de divisão de tarefas e estava e estruturalmente ordenado para cometer crimes graves contra a administração, além de obter vantagens de natureza pecuniária e política.
“No que tange a estrutura e divisão de tarefas, e possível identificar três núcleos nítidos: agentes políticos e servidores públicos a serviço destes; operadores financeiros; e iii) empresários responsáveis pelos “retornos” (pagamento de propinas) aos agentes públicos, custeados com recursos públicos e benefícios fiscais concedidos de forma irregular”, afirmou Janot.
Fonte: Midia News
Mato Grosso
Servidores da Corregedoria concluem curso de mediação e conciliação
Dez servidores do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e assessores de gabinetes da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) concluíram o Curso Básico de Mediação e Conciliação Judiciais. A capacitação desenvolveu conhecimentos teóricos e práticos sobre mediação e conciliação judiciais, para a atuação autocompositiva no âmbito judicial.
Segundo o gestor de capacitação e avaliação do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), Carlos Campelo, a formação contribui para ampliar a cultura do diálogo e da solução consensual de conflitos.
“As técnicas aprendidas durante a capacitação não se restringem ao ambiente de trabalho e podem ser aplicadas em diversas situações do cotidiano. Quando mais profissionais estiverem atuando nessa área, sejam servidores ou sociedade em si, mais pessoas irão conseguir resolver seus conflitos com diálogo, pois o primeiro passo para que isso ocorra é saber se comunicar”, afirmou.
A diretora do Daje, Shusiene Tassinari Machado, destacou que a capacitação contribuiu para ampliar o conhecimento da equipe sobre os mecanismos consensuais de resolução de conflitos e irá fortalecer o apoio às atividades desenvolvidas pelos Juizados Especiais.
“Esse curso será um divisor de águas na nossa atuação, na gestão dos conciliadores credenciados que atuam nos processos judicias dos Juizados Especiais. Pois agora compreendemos não apenas a parte administrativa, mas também a teoria e a prática da mediação judicial”, explicou.
Curso – A capacitação foi dividida em duas etapas. A parte teórica, realizada presencialmente entre 24 e 28 de setembro de 2025, com carga horária de 40 horas e que incluiu simulações práticas de audiências de mediação. E a segunda etapa, o estágio supervisionado realizado entre fevereiro a junho deste ano, pela plataforma Microsoft Teams, com 60 horas práticas com casos reais.
A instrutora de mediação e justiça restaurativa, Ana Tereza Pereira Meira, responsável pelo acompanhamento da etapa prática, destacou que a formação proporciona mudanças que refletem diretamente no atendimento prestado à população. “A pessoa que faz um curso de mediação, se torna diferente. Os alunos aprendem uma comunicação melhor, uma comunicação mais harmônica e isso ajuda no atendimento do público e do Poder Judiciário”, disse.
Para o participante da capacitação, o gestor administrativo do Daje, Gláucio Corrêa, a formação proporcionou uma compreensão melhor da realidade dos conciliadores e juízes leigos que atuam nos Juizados Especiais. “Antes a gente trabalhava mais sob a perspectiva administrativa, agora nós sabemos exatamente como funciona, quais os desafios e isso contribuirá para o nosso trabalho de apoio e gestão”, pontuou.
O treinamento é uma iniciativa da CGJ-MT, com apoio da Escola dos Servidores e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Autor: Larissa Klein
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]
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