Mato Grosso
Fraude em venda de fazenda afasta conselheiro do TCE
Mato Grosso
Da Redação
A delação do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e do irmão dele, o empresário Antônio Barbosa em relação a um contrato de compra e venda de fazenda do conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Antônio Joaquim foi o que levou o procurador-geral da República Rodrigo Janot a pedir e o ministro do supremo Tribunal Federal (STF) Luiz Fux a autorizar os mandados de busca e apreensão e afastamento do conselheiro do cargo, o que foi cumprido na quinta-feira (14).
Antônio Joaquim é acusado de receber propina, lavagem de dinheiro, sonegação de renda e organização criminosa na petição assinada por Rodrigo Janot. As investigações tiveram início após as delações premiadas do ex-governador Silval Barbosa (PMDB) e seu irmão Antônio Barbosa, que relataram a participação do conselheiro em um esquema fraudulento de compra e venda de uma fazenda efetuado com Silval e o empresário Wanderlei Fachetti Torres, dono da Trimec Construções e Terraplanagem Ltda.
Busca e apreensão
Diante das acusações do Ministério Público Federal (MPF), o ministro Luiz Fux autorizou a busca e apreensão na casa do conselheiro, localizada no condomínio Alphaville, bairro Jardim Itália e no gabinete e assessoria dele no Tribunal de Contas do Estado (TCE).
O mandado foi cumprido na quinta-feira (14) pela Polícia Federal, que procurou nos locais instrumentos de falsificação ou de simulação e objetos falsificados, cartas (abertas ou não), documentos físicos e digitais, computadores e valores em espécie acima de R$ 30 mil. Foi necessário envio de reforço para que todo o material apreendido fosse avaliado e transferido para a sede da Polícia Federal em Cuiabá.
Afastamento
Além das buscas e apreensões, o ministro Luiz Fux também afastou Antônio Joaquim do cargo de conselheiro de contas e determinou sua proibição de acessar o prédio do TCE e de manter contato com qualquer servidor da instituição.
Para obter esse pedido,Rodrigo Janot argumentou que os fatos apurados “demonstram incompatibilidade com o exercício da função de conselheiro de Tribunal de Contas, sob pena de colocar-se em risco a própria atividade do órgão que integra”.
Janot também alegou que os fatos criminosos se referem a atos relacionados ao exercício da função e que, por conta disso, o afastamento “é necessário para evitar interferências na investigação, uma vez que ele poderiam facilmente utilizar-se do cargo para constranger servidores e recolher provas presentes no órgão”.
Ainda na quinta-feira (14), Antônio Joaquim, que já havia anunciado sua aposentadoria do TCE para retornar à política, se manifestou por meio de suas redes sociais para dizer que o projeto de retomar a vida política-partidária fica suspenso, já que a decisão judicial do STF o obrigou a continuar no cargo, mesmo que afastado da função até que a investigação seja concluída.
Entenda o caso
Conforme a delação de Silval Barbosa, em junho de 2012, a empresa Trimec Construções e Terraplanagem Ltda., administrada por Wanderley figurou como comprador de uma fazenda de Antônio Joaquim e sua esposa. No entanto, o verdadeiro comprador do imóvel foi Silval Barbosa, à época governador, tendo Wanderley apenas sido uma espécie de “testa de ferro”.
Além da ocultação do nome do então governador, houve também o subfaturamento do valor do imóvel, com o propósito de sonegar impostos, conforme aas investigações. Enquanto no contrato de compra e venda constava o valor de R$ 4 milhões, o acordo real teria sido de R$ 10 milhões, sendo uma entrada e as outras parcelas anuais, tendo sido quitadas no último ano de mandato de Silval, em 2014.
A redução do valor da transação teria ocorrido com o objetivo de reduzir também o valor dos impostos a serem pagos.
Segundo a delação de Silval Barbosa, o dinheiro que ele utilizou para comprar a fazenda de Antônio Joaquim originou-se de diversos esquemas de corrupção praticados em seu governo, como propinas recebidas pela intermediação de um contrato firmado entre a Trimec e a Votorantim, propinas recebidas em fraudes no Departamento Estadual de Trânsito (Detran) e no programa de asfaltamento de estrada MT Integrado.
Conforme Silval Barbosa, Antônio Joaquim tinha conhecimento de que ele era o verdadeiro comprador de suas terras e também da origem ilícita do dinheiro.
Fonte: Gazeta Digital
Mato Grosso
Servidores da Corregedoria concluem curso de mediação e conciliação
Dez servidores do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e assessores de gabinetes da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) concluíram o Curso Básico de Mediação e Conciliação Judiciais. A capacitação desenvolveu conhecimentos teóricos e práticos sobre mediação e conciliação judiciais, para a atuação autocompositiva no âmbito judicial.
Segundo o gestor de capacitação e avaliação do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), Carlos Campelo, a formação contribui para ampliar a cultura do diálogo e da solução consensual de conflitos.
“As técnicas aprendidas durante a capacitação não se restringem ao ambiente de trabalho e podem ser aplicadas em diversas situações do cotidiano. Quando mais profissionais estiverem atuando nessa área, sejam servidores ou sociedade em si, mais pessoas irão conseguir resolver seus conflitos com diálogo, pois o primeiro passo para que isso ocorra é saber se comunicar”, afirmou.
A diretora do Daje, Shusiene Tassinari Machado, destacou que a capacitação contribuiu para ampliar o conhecimento da equipe sobre os mecanismos consensuais de resolução de conflitos e irá fortalecer o apoio às atividades desenvolvidas pelos Juizados Especiais.
“Esse curso será um divisor de águas na nossa atuação, na gestão dos conciliadores credenciados que atuam nos processos judicias dos Juizados Especiais. Pois agora compreendemos não apenas a parte administrativa, mas também a teoria e a prática da mediação judicial”, explicou.
Curso – A capacitação foi dividida em duas etapas. A parte teórica, realizada presencialmente entre 24 e 28 de setembro de 2025, com carga horária de 40 horas e que incluiu simulações práticas de audiências de mediação. E a segunda etapa, o estágio supervisionado realizado entre fevereiro a junho deste ano, pela plataforma Microsoft Teams, com 60 horas práticas com casos reais.
A instrutora de mediação e justiça restaurativa, Ana Tereza Pereira Meira, responsável pelo acompanhamento da etapa prática, destacou que a formação proporciona mudanças que refletem diretamente no atendimento prestado à população. “A pessoa que faz um curso de mediação, se torna diferente. Os alunos aprendem uma comunicação melhor, uma comunicação mais harmônica e isso ajuda no atendimento do público e do Poder Judiciário”, disse.
Para o participante da capacitação, o gestor administrativo do Daje, Gláucio Corrêa, a formação proporcionou uma compreensão melhor da realidade dos conciliadores e juízes leigos que atuam nos Juizados Especiais. “Antes a gente trabalhava mais sob a perspectiva administrativa, agora nós sabemos exatamente como funciona, quais os desafios e isso contribuirá para o nosso trabalho de apoio e gestão”, pontuou.
O treinamento é uma iniciativa da CGJ-MT, com apoio da Escola dos Servidores e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Autor: Larissa Klein
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]
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