Mato Grosso

EXCLUSIVO: DOCUMENTO DESMENTE CONSELHEIRO E MOSTRA QUE ELE FAZIA COMÉRCIO COM A FAMILIA DE SILVAL 

Publicado em

Mato Grosso

Pedro Ribeiro e Laerte Lannes

Da Editoria/Especial 

 

Interpretar com maestria a negativa de que sabia que os compradores da venda de uma de suas fazendas, na região do município de Nossa Senhora do Livramento, para o ex-governador Silval Barbosa e o sócio Wanderley Faccheti Torres, o Wanderley da Trimec – pode ter sido um erro político caro – para o presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE), conselheiro Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto. Joaquim – completamente desorientado – emitiu uma nota pública e gravou um vídeo mal produzido no facebook neqando que sabia que o comprador de sua fazenda, era o ex-governador.

Aliás, nos últimos meses o conselheiro tem tido dias conturbados.

As denuncias contra o conselheiro foi feita por Silval – em acordo de delação premiada – junto ao Ministério Público Federal(PGR), através de Rodrigo Janot, que conseguiu reunir polpudas provas e denunciou o presidente do TCE junto ao Supremo Tribunal Federal (STF) sob o ministro Luís Fux.

O conselheiro está sendo acusado pelo MPF e deve responder criminalmente por lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, corrupção ativa e fraude a procedimento licitatório.

Em uma das denuncias, Silval acusa Antônio Joaquim, de participar de um ‘esquemão’ de lavagem de dinheiro na compra de fazenda. Ele diz que, no ano de 2011, combinou com empresário Wanderley Faccheti Torres, proprietário da empresa Trimec, o retorno de R$ 300 mil a R$ 400 mil mensais, a título de propina, em razão da prestação de serviços que seria executada pelas empresas, em conjunto com a Strada Construtora, na contratação de mão de obra para as patrulhas do Estado.

Segundo Silval o valor da propriedade ficou estabelecido em R$ 10 milhões, mas, na documentação, foi declarado que a negociação custou menos da metade: R$ 4 milhões.

O ex-governador disse, ainda, que 70% do terreno era seu, mas o contrato de compra e venda, datado de 05 de junho de 2012, foi firmado somente entre a Trimec, Antônio Joaquim e sua esposa Tânia Isabel Moschini Moraes.

Ele disse ainda que a fazenda foi paga em três pagamentos, sendo uma entrada, e um pagamento em cada ano, com parcelas iguais, tendo sido quitada no ano de 2014.

No vídeo e na nota mal redigida pela sua assessoria, Joaquim nega tal acordo. Documento obtido com exclusividade pelos jornalistas Pedro Ribeiro e Laerte Lannes, desmente o conselheiro.

Antônio Joaquim tinha conhecimento que a fazenda estava sendo vendida para o ex-governador e fazia comércio com a família dele.

Em uns dos documentos obtidos pala reportagem, o filho de Silval, Rodrigo da Cunha Barbosa, solicitou em 2013 junto a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema) uma licença de operação para a extração de minérios e metais precisos justamente em uma das fazendas de Antônio Joaquim, a rancho T, que fica no município de Nossa Senhora do Livramento.

Então a delinquência era de conhecimento dos três: Antônio Joaquim, Silval Barbosa e Wanderley da Trimec. Barbosa cita – na delação – que o conselheiro Antônio Joaquim tinha ciência que tal fazenda também pertencia ao colaborador(Silval), muito embora a documentação tenha sido feita em nome de Wanderlei.

O conselheiro que era amigo pessoal do ex-governador aprovou na época, mesmo com parecer contrário do Ministério Público de Contas e de uma centenas de provas de desvio de dinheiro público, as contas do ex-governador em um passe de mágica.

A aprovação colocou o TCE em uma situação embaraçosa.

É claro que, os conselheiros tem o poder constitucionalmente de julgar e apreciar as contas dos gestores públicos estaduais e municipais todo mundo sabe.

Mas, a própria constituição proíbe em seu artigo 37, o tratamento diferenciado para os gestores, como Silval, envolvido até o pescoço em desvio de milhares de reais do erário público do estado.

Além do que, os conselheiros não respeitam os princípios que norteiam a administração pública da isonomia, da legalidade e da moralidade pública. O que já é uma aberração jurídica. Em mais de sessenta anos como controlador de finanças públicas do estado, o Tribunal de Contas de Mato Grosso nunca conviveu com tamanha aberração da maioria de seus representantes nos últimos anos, estarem envolvidos com algum tipo de processos judiciais e/ou inquéritos policiais. 

É certo que, já se flagraram casos de má conduta individual nesses longos anos. Agora, a atual safra decenal bateu todos os recordes e superou as piores expectativas.

Desde quando foi aprovado – por unanimidade – as contas de Silval Barbosa, e contra ele a Polícia Federal e a Policia Civil de Mato Grosso, apontou diversos crimes – todos tipificados no código penal brasileiro – os conselheiros nunca deram nenhuma explicação plausível para a sociedade sobre a aprovação das contas, que segundo o Ministério Público de Contas, estava com várias irregularidades. 

No parecer na época, o MPC rejeitou as contas, conforme o procurador-geral de Contas, Gustavo Deschamps, ao apresentar desequilíbrio financeiro nas contas.

“Não houve adoção da cobrança ativa, em R$ 16,4 bilhões, tamanho do orçamento.

As suplementações orçamentárias também atingiram um terço do orçamento estadual e foram abertos R$ 4,7 bilhões em suplementação”, ressaltou o procurador, na época.

Na contramão, os conselheiros acompanharam o voto do relator Antônio Joaquim, que apresentou relatório técnico e análise sobre a aplicação dos recursos e o desempenho financeiro em políticas públicas.

O relator considerou ainda que os eventuais assuntos relacionados com irregularidades em licitações, descumprimento de contratos, indícios de desvios de recursos ou superfaturamento e impropriedades na gestão de recursos são julgadas nas contas de gestão de cada órgão.

Mesmo diante da análise, o relator afastou tais irregularidades apontadas pelo Ministério Público de Contas e emitiu parecer pela aprovação das contas.

Então o que aconteceu com o Tribunal de Contas de Mato Grosso? Será que Antônio Joaquim não sabia das maracutaias de Silval Barbosa? O que será que ele (Joaquim) pretendeu demonstrar para a sociedade aprovando as contas de Silval, o que a sua gestão já é considerada a mais corrupta da história politica de Mato Grosso? Será que tentaram proteger Silval em detrimento de uma população tão ávida por ajuda? Certamente esse teatro em que teve Silval Barbosa e Antônio Joaquim como atores principais e a população como espectadores não devem prosperar com um vídeo e uma nota pública tentando negar tal conluio com o crime praticado no esgoto da corrupção.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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