Mato Grosso
Emanuel pede apuração na Corregedoria da Polícia do uso político da Deccor
Mato Grosso
Cópias da representação serão enviadas à Presidência da República, Senado, Câmara Federal e OAB
Da Redação
O prefeito Emanuel Pinheiro requereu, junto ao corregedor-geral da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso (PJC-MT), que apure a suspeita de uso político da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (Deccor), por parte do delegado Eduardo Augusto de Paula Botelho, para promover uma perseguição à gestão por motivação política, em razão do alinhamento do delegado com o governador Mauro Mendes, notadamente adversário político do prefeito da capital mato-grossense.
“Na semana passada, eu anunciei que estaria entrando com medidas para combater o uso do aparelho estatal, no caso, a Delegacia de Combate a Corrupção (Deccor), com o intuito de atingir a minha gestão e me atingir politicamente. Estou entrando, no início desta tarde, com uma representação junto à Corregedoria Geral da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso com denúncias muito sérias, com indícios fortíssimos que remetem à falta de isenção, ao direcionamento, ao abuso, à perseguição política e ao uso do aparelho estatal – Deccor, com o intuito de me atingir e de atingir à minha administração”, disse o prefeito.
Ele destaca que não é contra a apuração de denúncias contra sua gestão à frente da Prefeitura de Cuiabá, desde que haja embasamento e imparcialidade, e ressalta que sempre adotou postura colaborativa nas investigações que envolvem a administração municipal. “Sempre tenho dito, publicamente, que sou o maior interessado em se investigar e se esclarecer toda e qualquer denúncia que macule e que atinja a minha gestão. Não faço nada errado, não oriento que meus auxiliares façam nada errado e, por isso, qualquer denúncia séria, com documentos, com profundidade e que mereça ser apurada, deve ser apurada e terá o meu total apoio. Agora, o que não posso aceitar é que uma instituição aparelhada pelo Estado só mire a Prefeitura Municipal de Cuiabá, fazendo vista grossa a outros poderes, instituições e a outros órgãos públicos, que cabe a ela também o trabalho de combate a corrupção”, enfatiza.
Pinheiro assevera ainda que respeita a instituição Polícia Judiciária Civil e a Deccor, mas que, ao longo de diversas operações e ações judiciais, o uso político da máquina estatal tem induzido ao erro tanto o Ministério Público quanto o Poder Judiciário. “São instituições formadas, em sua esmagadora maioria, por delegados, investigadores, escrivãos, servidores em geral da maior competência, da maior qualificação, honrados, sérios e comprometidos com aquilo que fazem, mas estou direcionando nesta denúncia os verdadeiros responsáveis, a partir do governador do Estado, para alimentar essa repugnante perseguição política contra o prefeito da capital do Estado de Mato Grosso”.
Na petição, a defesa de Emanuel Pinheiro elenca os elementos que demonstram a perseguição política, iniciando pelo fato de que durante o encaminhamento dos inquéritos da Delegacia Fazendária (Defaz) para a Deccor, dois inquéritos policiais, nos quais Emanuel Pinheiro é citado, foram retirados das atribuições da Defaz e, coincidentemente, passaram a compor o acervo da nova delegacia, criada pelo adversário político de Emanuel Pinheiro e capitaneada pelo delegado Eduardo Botelho.
A petição também aponta que a nomeação de Botelho não respeitou a ordem de antiguidade de carreira e tampouco as regras que proíbem o acumulo de cargos (o delegado ocupava o cargo de coordenador de Inteligência Tecnológica da Diretoria de Inteligência da PJC/MT), fatos que indicam que sua nomeação à chefia da Deccor se tratou de uma estratégia calculada, inserida em um projeto maior de prejudicar politicamente Emanuel Pinheiro.
Somado a isso, com a criação da Deccor, a denuncia aponta que houve um remanejamento artificial dos delegados de Polícia Civil a fim de que aquele que assumisse a Deccor fosse alguém com projeto pessoal de prejudicar politicamente o prefeito. “[…] o caminho precisava ser limpo”. E o que concretamente ocorreu? Coincidentemente, um dia antes da nomeação do Dr. Eduardo Botelho para a DECCOR, o Dr. Lindomar Tófoli, então Diretor de Atividades Especiais, foi retirado de seu cargo sem qualquer justificativa técnica, mas tão somente pelo fato de não ter aceito o uso político da Polícia Civil em desfavor de Emanuel Pinheiro. De fato, tal delegado não cedeu às pressões do Governo do Mato Grosso, e resolveu não instaurar injusto Inquérito Policial contra o ora peticionário, cuja abertura havia sido solicitada diretamente pelo Sr. Mauro Mendes”, diz trecho da petição.
Tanto essa pressão sobre o delegado Lindomar Tófoli, quanto a estratégia indevida de uso político da PJC/MT foram noticiadas pela imprensa local, à época dos fatos, no final de 2019. Emanuel Pinheiro inclusive pediu providências por parte da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.
A defesa de Pinheiro destaca ainda que, imediatamente à saída de Lindomar Tófoli da Diretoria de Atividades Especiais e da Defaz, o inquérito policial que ele havia se recusado a abrir, por falta de elementos, foi instaurado. Dez dias depois da remoção arbitrária de Tófoli, o delegado Eduardo Botelho, abriu o inquérito em questão, mesmo sendo ele o titular da Deccor e não da Defaz.
De acordo com Emanuel Pinheiro, o aparelhamento estatal para prejudicar adversários políticos é um dos instrumentos de maior violência ao Estado democrático de direito e por isso decidiu entrar com a representação para que providências sejam tomadas. “Não posso me omitir e não posso me calar! Essa é a primeira de uma série de medidas que estaremos tomando para combater o repugnante uso do aparelho estatal, essa violência contra a democracia e o estado de direito na capital de Mato Grosso”, afirma.
Por conta disso, cópias da representação serão enviadas à Presidência da República, à Presidência da Câmara dos Deputados, à Presidência do Senado Federal, à Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados, à Comissão de Segurança Pública do Senado Federal, ao ministro da Justiça, à Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Mato Grosso (OAB-MT), à OAB nacional, à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Mato Gross (Sindjor-MT). “Estarão eles acompanhado e cada um, dentro da sua competência, também tomando as providências necessárias para evitar que esta violência contra a democracia e o estado de direito possa florescer na capital de Mato Grosso”, conclui Pinheiro.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
-
Cidades6 dias atrásPivetta cobra providências de prefeita após vídeo de diretor do DAE recebendo dinheiro
-
Política4 dias atrásEleições: propaganda eleitoral começa neste domingo
-
Cidades5 dias atrás“Não venham dizer que é eleitoreira”, dispara Wellington sobre operação contra Mauro
-
Cidades6 dias atrásSinfra avança na compra de equipamentos para Aliança pela Água em VG, afirma Pivetta
-
Política7 dias atrásSenado celebrará criação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial
-
Política6 dias atrásCMO aprova crédito extra para atender vítimas de desastres climáticos
-
Política5 dias atrásMP visa combate à fome de populações afetadas por mudanças climáticas
-
Cidades3 dias atrásEducação de Várzea Grande vai ampliar atendimento aos estudantes com implementação da Política de Educação Integral em Escolas em Tempo Integral


Você precisa estar logado para postar um comentário Login