Mato Grosso

Atendimento de ocorrências a mulheres transexuais foi tema de reunião

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Mato Grosso

Da Redação

A ampliação do atendimento da Polícia Judiciária Civil a mulheres transexuais foi tema de uma reunião realizada na tarde desta quinta (27.08) por videoconferência, envolvendo representantes da Segurança Pública e ativistas. O ponto de partida é o questionamento do lugar mais adequado para atendimento de mulheres trans em ocorrências de homofobia, transfobia e violência doméstica.

“Existe um entendimento de que o espaço conquistado pelas mulheres na Delegacia da Mulher não pode ser cedido para ‘outros grupos’, sob risco de ameaça às conquistas da luta histórica”, afirmou a delegada Ana Paula Campos, Diretora Metropolitana da Polícia Judiciária Civil. Por isso a delegada consultou os presentes sobre a necessidade de mudança na lei ou mesmo a criação de um novo núcleo para atender mulheres trans.

O Tenente Coronel PM Ricardo Bueno lembrou que nos três anos que está à frente do Grupo Estadual de Combate ao Crime de Homofobia (GECCH) aconteceram menos de dez ocorrências de agressão à mulheres trans, “por isso a demanda não justifica a criação de nova estrutura e mobilização de servidores”.

Um estudo do atendimento a mulheres trans foi realizado pela Ouvidoria Geral de Polícia de Mato Grosso e entregue à PJC. O levantamento aponta que na maioria dos estados o atendimento é realizado pelas Delegacias da Mulher, cumprindo o objetivo de inclusão e acolhimento desse equipamento público. “Realizamos o levantamento com o objetivo de avaliar os procedimentos mais adequados dentro do ordenamento jurídico, para atender mulheres trans em eventuais ocorrências”, afirmou Lúcio Andrade, Ouvidor Geral de Polícia de Mato Grosso.

Como encaminhamento, o tema será apresentado na reunião do Conselho Superior da PJC, com a inclusão de uma pessoa que fará a sustentação oral da proposta. A Drª Ana Paula Campos recomendou a realização de qualificação de agentes da Segurança Pública, já firmada, mas adiada devido à pandemia de Coronavírus.

Também participaram da reunião Mário Dermeval de Resende – Delegado Geral da PJC, Rosinete Rosa dos Santos (GECCH), TC PM Ricardo Bueno (GECCH), Kamila Michiko Teischmann – Comissão da Diversidade Sexual (OAB-MT), Adriana Catelli (Conselho Estadual dos Direitos da Mulher MT), Rosana Leite – Núcleo de Defesa da Mulher (DPMT), Alexandra Gloschke ativista dos direitos da mulher e transexuais, da Associação de Mulheres de Rondonópolis, Drª Thaís Brasil (profª de Direito) e Daniella Veyga.

O cidadão pode entrar em contado com a Ouvidoria por telefone, e-mail ou ainda por meio do Fale Cidadão, disponível no site oficial do Governo do Estado de Mato Grosso.

(65) 3614-3103 / 3614-3102

(65) 9962-4270

ouvidoriadepolicia@sesp.mt.gov.br

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Mato Grosso

TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%

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O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.

A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.

O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.

“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.

A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.

“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.

Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.

O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.

Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.



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