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Assembleia Cidadã prepara 1º ‘Prati-Cidade’ de 2017 ouvindo moradores do Cidade de Deus e região

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Da Redação

No início da noite dessa segunda-feira (24/07), mais de 80 moradores do bairro Cidade de Deus e imediações foram ouvidos pelos secretários e representantes de todas as pastas da Prefeitura Municipal de Várzea Grande.  Realizada nas instalações da Escola Municipal de Educação Básica “Aristides Pompeu de Campos”, a denominada Assembleia Cidadã levantou as demandas dos moradores desde infraestrutura, mobilidade urbana até questões sociais e de saúde, para a realização do projeto “Prati-Cidade”, um mutirão que leva até aos  moradores do bairro escolhido e adjacencias, todos os serviços públicos municipais oferecidos pela Administração.

A Prefeitura tem como ponto de partida o Plano Plurianual, a Lei de Diretrizes Orçamentárias e a Lei Orçamentária Anual, para planejamento de execuções porém, para que o poder público possa desempenhar suas funções com critério, é necessário que haja encontros como estes diretamente com o cidadão para saber se estamos no caminho certo e se a sociedade precisa de outras demandas. Nessa primeira reunião ficou claro que as prioridades da atual gestão estão em comunhão com os anseios da sociedade. Em setores onde já se investiu solidamente como educação e assistência social por exemplo, recebemos muitos elogios e em setores que estamos investindo atualmente, a exemplo do saneamento básico, é onde estão as demandas apontadas pelos moradores dessa região”, explicou o secretário municipal de Governo, César Alberto Miranda, se referindo ao anúncio de investimentos de R$ 168 milhões para implantação do sistema público de esgotamento sanitário e a oferta de água tratada através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) que beneficiará mais 49 bairros de Várzea Grande a região do Cidade de Deus.

A secretária municipal de Assistência Social, Kathe Martins, avaliou que a assembleia cidadã cumpriu nessa primeira reunião, mais uma etapa dos preparativos para a realização do mutirão social ‘Prati-Cidade’. “Reunimos gestores da administração municipal, lideranças comunitárias e moradores para discutir as principais necessidades da região e reforçar os atendimentos que serão prestados à população na próxima sexta-feira, dia 28. Também estamos prestando serviços que vem de encontro aos anseios dos moradores, com as ações iniciadas nas áreas mais pleiteadas por eles de infraestrutura e serviço urbano, iluminação pública”.

Já o secretário municipal, Breno Gomes, enfatizou a importância desses encontros que levam a administração pública para perto da população. “Assim, in loco, conhecemos a realidade e as urgências de cada comunidade e podemos trazer soluções rápidas e de maneira eficaz, consolidando de fato as melhorias que são demandas pelos munícipes. As necessidades da população não se resumem  somente em troca de lâmpadas e limpeza das vias públicas, porém a realização dos mutirões propicia avanços inestimáveis nas áreas sociais e de infraestrutura, e serviços. A  Administração contribui para uma Várzea Grande melhor para se viver”.

Os presidentes de bairros presentes declararam ser parceiros incondicionais nessa proposta de atender coletivamente à região e transformar seus bairros. A exemplo de Sônia Ambrózimo, vice-presidente do Jardim Eldorado, que se fez presente na reunião e destacou pontos que avançaram e outros que precisam melhorar. “Representando os moradores do bairro onde moro posso afirmar que muita coisa mudou para melhor, a exemplo da segurança pois vemos a Guarda Municipal com frequência nas ruas, a iluminação das vias também ajuda na segurança do nosso ir e vir, a educação está de parabéns, pois nossas crianças têm uniformes, alimentação saudável e um ambiente bom  para estudar. Precisamos para um futuro próximo além de água e esgoto que já soubemos  que será levado ao nosso bairro e era um sonho antigo, e de áreas de lazer”, citou Sônia durante a assembleia.

O secretário municipal de Educação, Cultura, Esportes e Lazer, Silvio Fidelis, pontuou que todos os questionamentos levantados pela população durante a Assembleia Cidadã foram pertinentes e servirão de pauta para que as secretarias possam dar sequência aos preparativos pré-mutirão que é a de levar melhorias na área de infraestrutura antes da realização do “Prati-Cidade”, no dia 28. “Tenho certeza que a reunião foi produtiva para todas as áreas. No setor educacional falamos sobre transporte escolar, atendimento especializado a crianças autistas, e até mesmo sobre a educação ambiental nas escolas. Prova de maturidade e consciência cidadã. Isso sem falar nos benefícios que começam a chegar à população envolvida muito antes do dia do mutirão, com ações de limpeza, serviços públicos, ações da secretaria de obras, entre outras, pois, essa é a proposta da prefeita Lucimar Campos e que tem trazido excelentes resultados à população de Várzea Grande”, pontua Fidelis.

Esta será a 5ª edição do projeto ‘Prati-Cidade’ e a primeira do ano de 2017. O mutirão de serviços mobiliza equipes de todas as secretarias municipais, desta vez para os bairros Cidade de Deus, São Mateus, Jardim Eldorado e Jardim Itororó. O evento ocorre na próxima sexta-feira, 28 de julho, das 8h às 16h na Escola Municipal de Educação Básica “Aristides Pompeu de Campos”.

Nesta terça-feira, 25, a Assembleia Cidadã terá prosseguimento com a realização de duas reuniões. A primeira será às 19h na Escola Municipal “Aristides Pompeu de Campos”, localizada no bairro Cidade de Deus, e, a segunda será às 20h, na Escola Municipal de Educação Básica “Abdala José de Almeida”, no bairro São Mateus. No dia 26 de julho os moradores dos bairros Jardim Itororó e Eldorado também serão ouvidos pelos secretários municipais. O encontro será realizado na Escola Municipal “Dirce Leite de Campos”, às 19 horas.

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Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

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Foto horizontal dos anos 1990 que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete abraçado com a filha Érica, que tinha cerca de 10 anos na foto. Ela era uma menina de pele clara com longos cabelos loiros e cacheados.

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.

Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.

Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.

Já estava escrito

“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.

Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.

“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.

A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.

Foto vertical antiga que mostra o agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete, com a ex-mulher, duas filhas e o filho ainda crianças, em uma festa. Eles posam sorrindo para a foto.Legado construído com exemplo

Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.

Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.

Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.

Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.

Apoio incondicional

Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.

Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Imagem quadrada gerada com auxílio de inteligência artificial que mostra o agente da Infância e Juventude Aparecido Donizete e sua filha Érica abraçados, com um fundo verde de um parque. Ele é um homem pardo de cabelo grisalho e ela uma jovem branca e loira.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.

Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.

Adoção

Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.

Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.

Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.

Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT



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