Mato Grosso
“Área já pertence ao povo ao povo e a Várzea Grande” Anuncia a prefeita Lucimar Sacre de Campos
Mato Grosso
Escritura definitiva foi assinada pela prefeita. Expectativa é buscar investimentos públicos e modelo de gestão para a área que é uma das maiores do Brasil localizada em área urbana
Da Redação
“O Parque Berneck é do povo e da cidade de Várzea Grande”, comemorou a prefeita Lucimar Sacre de Campos ao assinar a escritura definitiva de transferência da área de 26 hectares que coloca a Cidade Industrial como uma das mais privilegiadas entre os 5.7 mil municípios brasileiros, por ter um parque público urbano na área central. Após dois anos de intensa negociação com os antigos proprietários da área onde nas décadas de 60
e 70 funcionou a maior madeireira do Centro Oeste do Brasil, a área acabou desmembrada para ceder parte da mesma para a quitação de impostos e taxas devidas ao Fisco Municipal e o restante ficou destinado ao Parque Berneck.
Lucimar Sacre de Campos, assinou as escrituras de dação e doação da área pertencente ao Berneck S.A. Painéis e Serrados. Com esse ato, o Município ganha em definitivo a área ambiental do conhecido Parque Berneck. “Chegou ao fim a nossa saga para ter esse parque para nossa população. Um trabalho iniciado lá no final da década de 90, quando o prefeito era Jayme Veríssimo de Campos. Quanto tempo para poder conquistar um espaço tão importante como este que é totalmente necessário e apropriado para a melhoria na qualidade de vida, seja por meio de ações de saúde, educação, cultura e esporte que terão mais um endereço para motivar eventos em prol dos várzea-grandenses”.
A assinatura, como destacou o secretário municipal de Governo, César Miranda, pôs fim o vai e vem pelo qual o parque passava há anos. “Agora, de forma definitiva, Várzea Grande tem mais um parque ambiental aberto à população. A assinatura de hoje foi o último passo burocrático entre as partes para que a área destinada ao Parque, passe efetivamente ao Município”.

A assinatura da prefeita nas escrituras foi o passo seguinte ao evento da última sexta-feira (25), quando a escritura pública de doação dos 26 hectares da área ambiental foi assinada no cartório do 2º Ofício de Várzea Grande. “São procedimentos burocráticos, mas necessários. Da parte do Município vamos liquidar a situação fiscal da empresa que não deve mais nada ao Fisco e assim evitar futuras emissões de tributos como o IPTU”, explicou a Procuradora do Município, Sadora Xavier.
Agora uma série de ações terão que ser colocadas em prática para dotar a atual estrutura de condições para atender a população que utiliza o espaço como lazer ou como prática de atividades físicas.
“Vamos nos unir ao Governo do Estado através do governador Pedro Taques e do secretário de Meio Ambiente e vice-governador Carlos Fávaro, além dos deputados estaduais capitaneados pelo presidente da Casa de Leis, José Eduardo Botelho para arregimentarmos recursos públicos e privados para recuperar o Parque Berneck e torna-lo ainda mais atrativo, sendo que para isto estamos elaborados projetos e definindo parceiros como a Polícia Militar através do Batalhão Ambiental e da Guarda Municipal de Várzea Grande”, disse a prefeita Lucimar Sacre de Campos lembrando que a partir de agora existirão regras a serem cumpridas quanto a utilização do espaço que é público mas necessita de investimentos e ordenamentos.
Ainda em tom de comemoração, a prefeita frisou que o mais significativo, após a conclusão da parte burocrática, é que a partir de hoje, a área é pública e pode oficialmente receber recursos públicos, investimentos e melhorias estruturais. “Vejo que desde que houve a concordância dos empresários em doar a área como parte de pagamento de dívidas tributárias, até agora, só faltou vontade política, pois em pouco tempo executamos todas as etapas e temos uma área valiosa como essa, valiosa em todos os sentidos, dentro do perímetro urbano da cidade”.

De antemão, a prefeita anunciou que agora dará início ao processo de reestruturação e revitalização da área ambiental, que em breve será endereço de lanchonetes, restaurantes, enfim, o novo espaço de lazer gratuito da cidade. “Projetos arquitetônicos já estão sendo elaborados pela administração municipal para a revitalização geral da área. Mas para tanto é necessário buscar parcerias junto aos governos Estadual, Federal e Assembleia Legislativa”, comemorou a prefeita.
Lucimar lembrou que apesar da necessidade publica ser premente, as pessoas terão que ter paciência para se conseguir todos os recursos necessários e se executar as obras essenciais para tornar o Parque Benerck ainda mais atrativo para todos. “Queremos até 2020 deixar uma área verde entre as mais valorizadas e importantes do Brasil”, disse a prefeita.
A dação e a doação colocaram fim a um imbróglio que se arrastava desde o inicio de 2.000, período em que a área ambiental ficou regelada, tanto pelo Município, quanto pelo governo do Estado. “Se passaram mais de 15 anos e nada avançou. O nosso Parque Ambiental Bernardo Berneck foi definido como área pública após uma ação conjunta do então prefeito municipal Jayme Campos e do governo do Estado na administração Blairo Maggi. Desde o ano passado, esse tema passou a ser uma meta e a solução chega sem prejuízo aos cofres públicos, já que o antigo empreendimento existente na área e que era privado, devia tributos ao Poder Público e essa receita que nunca entrou em caixa, nos proporcionará o usufruto do maior parque de Mato Grosso e do Centro-Oeste do Brasil localizado dentro da área urbana de uma cidade. E esse acordo, só trouxe ganhos aos várzea-grandenses”.
A prefeita Lucimar Campos não tem dúvidas de que o novo Parque que começa a de fato existir para a cidade, será um novo cartão postal. “Temos a menos de 15 minutos do centro comercial da cidade, uma área de 26 hectares em plena Avenida Júlio Campos, porta de entrada de Várzea Grande para quem vem do norte do Estado e do Norte do país”. Conforme avaliação venal das equipes da secretaria municipal de Gestão Fazendária, o terreno, que abriga a área ambiental, esta avaliado entre R$ 3,5 e R$ 5 milhões, valor este que deverá ser quintuplicado com os investimentos realizados e as melhorias necessárias.
A ideia da Administração Municipal é de reforçar os investimentos no local para atender à demanda da população por áreas de lazer gratuitas, inclusive com a implantação de um posto da Guarda Municipal garantir segurança, seja ao patrimônio público como aos frequentadores do espaço.
A prefeita disse que uma equipe técnica está estudando qual o melhor modelo de gestão para o Parque Berneck para assegurar o uso gratuito do mesmo pela população, mas a exploração pela iniciativa privada de serviços que manteriam a estrutura dentro dos 26 hectares da área total do mesmo.
Mato Grosso
Encontro de almas: diligência abriu as portas da paternidade para agente da Infância e Juventude

Das histórias de tantas crianças e adolescentes que ajudou a reescrever, enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido Donizete da Silva, atualmente lotado na Comarca de Várzea Grande, encontrou em uma de suas diligências, em 1990, a primeira página de sua própria jornada enquanto pai.
Uma bebê foi abandonada pela mãe na casa da parteira, uma senhora muito pobre e sem condições de cuidar da criança, em Barra do Bugres. Nomeado guardião legal da criança, Aparecido levou a bebê com apenas quatro dias de nascida para casa. Ele e a então esposa cuidaram da recém-nascida até que ela restabelecesse a saúde, ao longo de três meses. O cuidado foi tamanho que o servidor, que também trabalhava como professor no período noturno, deixou este emprego para se dedicar ao cuidado com a menina.
Aparecido revela que não tinha interesse em adotar, mas, após três meses de acolhimento daquela bebezinha, decidiu que queria ficar com ela para sempre e pediu para entrar na fila da adoção. O processo levou tempo, pois investigações foram feitas e a mãe biológica foi identificada. Ela teve que registrar a criança, mas acabou perdendo o pátrio poder e, então a menina pôde participar do processo de adoção. “Ela veio como um presente de Deus”, afirma Aparecido.
Já estava escrito
“Eu acho que tudo já estava escrito pra ser dessa forma. Ele já era meu pai, só foi me buscar”, afirma Érica Taiane Buzato da Silva, 36 anos, filha mais velha de Aparecido, que sente o mesmo. “Pra mim, já existia uma paternidade de verdade, o vínculo, o cuidado e o amor vieram antes da ‘chegada’. Quando ela diz isso, eu sinto que a nossa história confirmou o que a gente viveu todos os dias”, diz o servidor.
Érica conta que seus “pais do coração” sempre foram transparentes em relação à sua origem e que, mesmo passando anos questionando o porquê do abandono, o amor que recebeu da família a levou a superar todas as dores.
“Eu sempre soube que eu era adotada. Fui a primeira filha deles. Depois, eu tive mais dois irmãos e a gente cresceu muito feliz. O meu pai é uma pessoa maravilhosa na minha vida! Não sei nem como agradecer porque, se não fosse ele, eu não sei o que poderia ter acontecido comigo. Sou muito grata ao meu pai e à minha mãe porque cuidaram de mim com todo amor, sem nenhuma diferença de mim e os meus irmãos”, diz.
A gratidão relatada por Érica é sentida também por parte do pai dela. “Me sinto profundamente grato e em paz. Olhando pra trás, vejo que o acolhimento que demos à Érica foi mais do que cuidados: foi amor que sustentou a ela e a mim”, afirma. Em relação à paternidade, que começou com a chegada de Érica em sua vida, Aparecido conta que sempre viu como algo muito simples a educação dada a ela e aos demais filhos, Evili e Lucas. “Nunca vi a Érica diferente, mas sim como filha, igual aos outros”, conta.
Legado construído com exemplo
Aparecido destaca que sempre priorizou transmitir aos filhos valores como honestidade, caráter e determinação para batalhar pelos objetivos. “Eu sempre busquei passar esses valores no comportamento e nas escolhas do dia a dia, sendo honesto, firme e batalhador, para que eles aprendessem com a nossa convivência, não só com palavras”, pontua.
Para Érica, ficaram desses ensinamentos a admiração e o desejo de seguir os mesmos passos do pai. “Meu pai é uma pessoa de muito caráter, muito esforçado, inteligente, batalhador. Eu sei que a vida dele também foi muito difícil. Eu não sou igual a ele, mas tento ser e me espelho nele porque é uma pessoa maravilhosa. Ele me ensinou a ser uma pessoa honesta e a lutar pelos meus objetivos, pela minha felicidade. Eu conto tudo pra ele, então, a gente tem realmente uma ligação muito forte”, afirma Érica.
Ela destaca que se considera parecida até fisicamente com Aparecido. “É estranho, mas eu acho que a convivência faz a gente ficar parecido. Dizem que pai é quem cria, mas, pra mim, é mais do que isso: meu pai é meu porto seguro, minha referência”.
Por sua vez, Aparecido diz ser muito gratificante e emocionante ver os frutos do seu amor de pai. “Saber que a minha presença ajudou a formar o caráter dela e que hoje existe essa conexão me dá orgulho, e também me faz querer continuar fazendo o certo todos os dias”.
Apoio incondicional
Encontrar nos pais um porto seguro fez com que Érica tivesse coragem para encarar de frente seu passado e, depois de adulta, buscar suas origens. “Eu não perguntava por que achava que era algo que machucava eles, de certa forma. Mas, quando eu perguntei, ele foi atrás, conseguiu o contato de outro pai que também tinha adotado a minha outra irmã. Meu pai me ajudou e eu conheci ela e outro irmão, filho dessa minha mãe biológica. E foi muito legal conhecê-los porque faz parte da minha história, de certa forma, porque têm o meu sangue”, relata Érica. Ao reencontrar os irmãos biológicos, sua genitora havia falecido um ano antes.
Da parte de Aparecido, ele conta que ajudar Érica nesse processo de resgatar o contato com a família biológica foi um misto de carinho e responsabilidade. “Eu entendia o desejo dela de conhecer as origens e apoiei esse caminho. Ao mesmo tempo, eu precisava respeitar o tempo dela e garantir que essa busca não virasse dor ou culpa. Ver que ela conseguiu se aproximar com segurança me deixa muito satisfeito”, avalia.

Há oito anos morando na Europa, Érica afirma ser difícil estar longe da família, especialmente em datas comemorativas, como o Dia dos Pais, mas que a única palavra que vem à sua mente nessas horas é gratidão. “Quero que ele saiba que é o melhor pai do mundo, que eu sou muito grata a ele por cada gesto, por cada abraço. Minha maior certeza na vida é que eu amo muito ele. Mesmo distantes fisicamente, graças a Deus somos muito próximos, pois, de certa forma ele me deu a vida”, assevera Érica.
Pai e apoiador, Aparecido confirma que a distância aperta o coração, mas que, ao mesmo tempo, sente orgulho ao ver que Érica está correndo atrás dos próprios objetivos com coragem. “A gente procura estar presente do jeito que dá, com diálogo, apoio e carinho. E isso ajuda a transformar a saudade em motivação”.
Adoção
Enquanto agente da Infância e Juventude, Aparecido ressalta que a Justiça tem um papel fundamental em garantir que toda criança tenha o direito de crescer em um ambiente seguro, com afeto, dignidade e oportunidades. “A adoção não é apenas um ato jurídico; é a construção de uma família baseada no amor e na responsabilidade”, avalia.
Ele lembra que, desde quando adotou Érica até os dias atuais, a legislação evoluiu muito. “Hoje, o processo de adoção é mais estruturado, transparente e voltado, acima de tudo, ao melhor interesse da criança e do adolescente. Há uma preparação maior das famílias, acompanhamento técnico e mecanismos que buscam reduzir o tempo de permanência de crianças em acolhimento institucional, sempre preservando seus direitos”, explica.
Aparecido aproveita este Dia dos Pais para deixar uma mensagem a todos os pais: “Aos pais biológicos, que valorizem o privilégio de acompanhar o crescimento dos seus filhos com amor, presença e responsabilidade. E aos pais de coração, que nunca duvidem da força do amor que escolheram oferecer. A verdadeira paternidade não é definida pelo sangue, mas pela presença, pelo cuidado, pelo exemplo e pelo compromisso de estar ao lado do filho em todos os momentos da vida. É esse amor que transforma histórias, fortalece famílias e constrói seres humanos melhores”, declara.
Érica, por sua vez, afirma: “Adoção não é sobre preencher um vazio, mas sobre transbordar o amor, porque é isso que eu sinto”.
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