Mato Grosso
Aprovado PEC que autoriza repasse de emendas para municípios negativados
Mato Grosso
O projeto ainda deve passar por segunda votação em plenário, antes de ser promulgado pela Mesa Diretora.
Da Redação
As prefeituras que não estiverem com a prestação de contas em dia poderão receber os repasses provenientes de emendas parlamentares, situação inviabilizada atualmente devido ao artigo 164 da Constituição do Estado de Mato Grosso. A reversão dessa situação será possível por meio do Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 07/2017 que prevê a regulamentação do recebimento de emendas mesmo em situação de inadimplência.
A PEC 07/2017 é de autoria do deputado Zeca Viana (PDT), e, por meio do inciso 13 ao artigo 164, estabelece que a transferência obrigatória do Estado, quando for destinada aos municípios, ‘independerá da adimplência do destinatário e não integrará a base de cálculo da receita corrente’, cita o projeto.
De acordo como autor, a medida pretende garantir o recebimento de recursos mesmo quando a prefeitura estiver com atrasos, muitas vezes decorrentes de gestões anteriores. “Ao assumir o mandato, muitos gestores se deparam com problemas de outros prefeitos e por isso o município fica impedido de receber recursos essenciais para realização de serviços”.
Os deputados Dilmar Dal Bosco (DEM) e Allan Kardec (PT) apoiaram e reconheceram a importância da matéria para os municípios. Assim, com 20 votos, a PEC 07/2017, com substitutivo integral, foi aprovada por unanimidade durante a sessão ordinária desta terça-feira (06). Com relação aos outros quatro deputados, três estavam ausentes e um afastado e por isso não tiveram votos contabilizados.
Outro PEC apreciado durante a sessão foi o 08/2015, de autoria do deputado Wagner Ramos (PSD) e que prevê o repasse de informações com relação a gastos com cartões de créditos para a prefeitura da cidade onde a compra foi realizada. “Com isso, os tributos referentes à compra serão repassados para a cidade onde a compra ocorreu, não na cidade de origem da operadora de cartão”, defendeu Wagner Ramos.
Com dúvidas com relação ao texto, o deputado Dilmar Dal Bosco destacou que os dados com relação aos gastos das pessoas no cartão de crédito são sigilosos e que, com a redação presente no PEC, poderia haver questionamentos sobre a constitucionalidade da proposta. Após pedido de inversão de pauta, o PEC foi novamente colocado em votação e aprovado nos moldes do substitutivo integral 1. O texto deve ser submetido a uma segunda apreciação dos parlamentares.
Também teve pedido de inversão de pauta, mas sem retorno durante a sessão ordinária, o Projeto de Lei 167/2014, do deputado Zé Domingos Fraga (PSD) que disciplina a doação de móveis inservíveis do Poder Legislativo para fins e uso de interesse social. O deputado questionou o parecer contrário da Comissão de Constituição, Justiça e Redação (CCJR) e retirou o projeto da ordem do dia.
O último veto pendente para apreciação, o veto 19/17, foi mantido após votação e ficou suspensa a instituição do “Programa de Exame de Mamografia Móvel em Mato Grosso”, decorrente do PL 679/2015, de autoria da deputada Janaina Riva. A justificativa é de que não há previsão de recursos para execução do programa. O deputado Guilherme Maluf (PSDB) sugeriu à autora do projeto que proponha a destinação de emendas parlamentares para aquisição do aparelho para o próximo ano.
Demais votos – A Ordem do Dia da sessão ordinária de 06 de junho aprovou em segunda votação o parecer favorável de sete projetos de lei e acatou o parecer contrário a outros cinco. Em primeira votação, foram apreciadas 12 matérias, das quais somente duas tiveram o parecer contrário acatado. As demais foram aprovadas e serão analisadas pela CCJR.
Mato Grosso
MPMT capacita servidores sobre planejamento de contratações e uso de IA
O Centro de Estudos e Aperfeiçoamento Funcional (Ceaf) – Escola Institucional Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MPMT) promoveu, nos dias 24 e 25 de setembro, uma capacitação voltada aos servidores da área-meio sobre planejamento de contratações públicas e o uso de novas tecnologias no desenvolvimento dos documentos exigidos pela legislação. Com o tema “O planejamento da contratação com base na Lei 14.133/2021 – construindo ETPs e TR com uso do ChatGPT e outras tecnologias para servidores do MPMT”, o curso foi ministrado pelo professor Sandro Bernardes, auditor do Tribunal de Contas da União (TCU).Ao longo dos dois dias, os participantes tiveram contato com aspectos relacionados ao planejamento das contratações, especialmente à elaboração de documentos como o Estudo Técnico Preliminar (ETP) e o Termo de Referência (TR), além de conhecerem possibilidades de aplicação da inteligência artificial e de outras ferramentas tecnológicas na rotina de trabalho.Para o assessor especial da Subprocuradoria-Geral de Justiça Administrativa, José Fabrício Silva, a capacitação ocorre em um momento importante de adaptação às exigências trazidas pela nova legislação de contratações públicas.“Esse tipo de capacitação é fundamental por dois aspectos essenciais. O primeiro é que as equipes que constroem essas demandas de contratação ainda precisam de formação sobre a estrutura dos documentos e tudo o que precisa ser preparado para que uma contratação seja realizada”, explicou.José Fabrício também destacou a utilização da inteligência artificial como uma ferramenta capaz de auxiliar os servidores diante do volume e da complexidade dos documentos produzidos no processo de contratação. “São documentos, às vezes, de muitas páginas, de uma estrutura que a lei exige que seja feita. A capacitação realmente veio para ajudar no dia a dia”, afirmou.Na avaliação do servidor, a incorporação de novas tecnologias à administração pública tende a fazer parte cada vez mais da rotina. “Quanto mais capacitadas as pessoas para darem conta de acompanhar esse avanço, que não é só no setor público, mas também no setor privado, melhores serão os resultados para a administração e, consequentemente, para a população”, ressaltou.A servidora Débora Luz, que atua na Coordenadoria de Engenharia e acompanha atividades relacionadas ao departamento, também destacou a importância da formação continuada. Entre suas atribuições estão o assessoramento na elaboração de documentos relacionados às contratações de engenharia, com atenção à legislação e às normas aplicáveis.Para ela, cursos dessa natureza são fundamentais para o aprimoramento dos processos de contratação do Ministério Público. “Não só importante, como essencial, fundamental. Uma condição sem a qual não é possível nós evoluirmos nossas contratações e licitações aqui no Ministério Público”, afirmou.Débora defendeu ainda que a capacitação seja realizada de forma permanente, permitindo o aprofundamento dos conhecimentos e a aplicação prática dos conteúdos. “A cada etapa, a cada curso, você permite se aprofundar mais na matéria e aplicar na sua prática. Então, sem uma reincidência, um retorno disso, eventualmente até com alguns mesmos professores ou mesmas temáticas, a gente não consegue andar evoluindo os resultados”, explicou.Para a servidora, a participação de especialistas com experiência na administração pública federal também contribui para aproximar o conteúdo apresentado da realidade enfrentada pelas equipes do MPMT.O professor Sandro Bernardes ressaltou que a atualização dos servidores é essencial diante das transformações pelas quais passa a administração pública. Segundo ele, o curso integra um processo de desenvolvimento de capacidades e habilidades necessárias aos profissionais que atuam em todas as etapas da contratação pública, desde o planejamento até a entrega do objeto à sociedade. “Não existe retrocesso” no uso da inteligência artificial, afirmou o professor, ao destacar que essas ferramentas tendem a ser incorporadas cada vez mais ao cotidiano profissional.O instrutor também chamou atenção para o papel da tecnologia como instrumento de apoio ao trabalho dos servidores, e não como substituta da atuação humana. Para ele, ferramentas de inteligência artificial podem potencializar o trabalho, proporcionando maior celeridade e novas possibilidades de pesquisa e análise, mas a supervisão humana permanece indispensável. “O que as plataformas, os chats e as IAs que temos à disposição vão fazer por nós é potencializar o nosso trabalho”, explicou.Sandro Bernardes destacou ainda que a responsabilidade pelas decisões continua sendo humana, especialmente no serviço público, que tem como finalidade atender às necessidades da sociedade. “A supervisão humana ainda é necessária, primeiro pela responsabilidade que a gente tem diante da comunidade civil. A plataforma nunca vai se comportar como ser humano; ela vai emular, vai usar algoritmos, números para tentar traduzir aquilo que considera como interesse público”, afirmou.Segundo o professor, a tecnologia pode ampliar as possibilidades de atuação dos servidores, mas não substitui aspectos próprios da experiência humana, como a capacidade de compreender contextos, interpretar situações e manter proximidade com a sociedade.
Fonte: Ministério Público MT – MT
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