Mato Grosso
A amizade, o poder e um objetivo: grilagem de terras
Mato Grosso
Da Redação: Pedro Ribeiro e Laerte Lannes
Reportagem Especial
Porto dos Gáuchos é um município encravado no norte de Mato Grosso com um dos mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do estado e distante cerca de 604 quilômetros até Cuiabá.
Deputados, governadores, senadores e conselheiros mato-grossenses poderiam desenvolver boas políticas públicas durante a sua história para elevar o desenvolvimento local, tais como incentivar as pequenas propriedades rurais familiares.
No entanto o município foi palco nos últimos anos de uma triste história de grilagem de terras patrimonialista patrocinado por elevadas autoridades públicas estaduais, entre eles o ex-presidente da assembleia legislativa José Geraldo Riva, sua esposa Jante Riva e pelo conselheiro e atual presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso, Antônio Joaquim Rodrigues Neto.
Terras rurais em Porto dos Gaúchos que foram registradas por agricultores no cartório de imóveis, no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e no Instituto de Terras de Mato Grosso (Intermat) acabaram sendo fraudadas ilegalmente pelo ex-deputado José Riva, sua esposa Jante Riva e pelo conselheiro do Tribunal de Contas, Antônio Joaquim.
Os documentos considerados ´frios´ criados pelo trio acabaram confundindo a justiça que concedeu – inclusive – uma liminar antecipatória – para garantir a posse dos chamados ‘iluminados’ do poder.
O fim desta história aparece com a devolução das terras aos seus legítimos proprietários e a anulação de documentos ilegais, patrocinados pelos grileiros. Até aí estaria tudo bem.
Estaria. O problema é quando voltamos ao dia 03 de Junho de 2003, quando foi feito um contrato fraudulento de compra e venda – ao qual a reportagem teve acesso – e que foi assinado pelos supostos vendedores José Geraldo Riva, sua esposa Janete Gomes Riva, pelo sócio Gileno Vargas e pelo comprador, o conselheiro Antônio Joaquim Rodrigues Neto.
No documento, os Rivas simulam uma venda de uma área total de 9.071,4 hectares(nove mil, setenta e um ponto e quatro hectare), oriundo de suposta área originária dominical de 19.671. A área, segundo a família Riva, teria sido comprado de Darci Locatelli e Neusa Aparecida Ravegnani Locatelli, cuja a matrícula é a de número 2.877, registrado no cartório imobiliário de Porto dos Gaúchos. Na transação da venda das terras para o conselheiro ficou acordado que ele pagaria 28.800 arrobas de boi, ao preço do dia, durante três anos.
E haja boi nisso. Logo após conseguirem a liminar e terem manipulados dados do georeferenciamento, das coordenadas dos pontos da área e alterados as divisas, o trio invadiram as áreas das famílias Sady Casanoto e de outras.
E cujos legítimos proprietários nunca tinham saído de lá. A reportagem teve acesso a documentação do processo código 5806, da Comarca de Tabaporã, e constatou nas folhas 15 a 26, 27 e 28, que Riva, sua esposa Janete, o genro Carlos Antônio Azóia, forjaram documentos montando de forma irreal, ou seja falsificados, imputando naqueles documentos pontos, marcos e coordenadas que não existem, para assim plotar em cima da áreas de famílias inocentes que sofreram o esbulho judicial por parte de Antônio Joaquim.
O quarteto confeccionaram os mapas de forma fraudulenta para esconder parte do imóvel de terceiros, deslocando documentos cujos pontos surreais seriam maior que o município de Tabaporã inteiro. E mesmo diante da grilagem, o quarteto conseguiu liminar para entrar na área e esbulhar as famílias inocentes.
Assim que foram denunciados, o conselheiro – combinado com José Riva – fez outro documento – ‘frio’ de compra e venda para Carlos Azóia. Mas já era tarde. Os proprietários, agrícola Sperafico Ltda, Elio Sperafico, Levino José Sperafico, Dilceu João Sperafico, Itacir Antônio Sperafico, Dílson Sperafico, Darci Locatelli e Neusa Aparecida Ravegnani Locatelli conseguiram provar que eram os únicos proprietários e no mérito a juíza Ariel Rocha Soares, da comarca de Tabaporã, julgou improcedente a pretensão de Riva, sua esposa, Joaquim e Azóia e decidiu em favor dos únicos proprietários.
Com a decisão, a juíza conseguiu ‘estancar’ a fraude na matrícula de milhares de hectares de terras, número este que poderá ser bem maior e ser público com o trabalho de revisão da justiça e dos títulos no Intermat e no Incra. O fim do intento de Riva, Janete e Antônio Joaquim pôs fim à apropriação de terras privadas e públicas, típica do coronelismo patrimonialista praticado nos rincões de um estado arcaico.
Veja documentos abaixo:
Joquim.pdf 2 Compra da fazenda riva X A.
Joquim.pdf 3 Compra da fazenda riva X A.
Joquim.pdf 4 Compra da fazenda riva X A.
Joquim.pdf 5 Compra da fazenda riva X A.
Mato Grosso
Servidores da Corregedoria concluem curso de mediação e conciliação
Dez servidores do Departamento de Apoio aos Juizados Especiais (Daje) e assessores de gabinetes da Corregedoria-Geral da Justiça de Mato Grosso (CGJ-MT) concluíram o Curso Básico de Mediação e Conciliação Judiciais. A capacitação desenvolveu conhecimentos teóricos e práticos sobre mediação e conciliação judiciais, para a atuação autocompositiva no âmbito judicial.
Segundo o gestor de capacitação e avaliação do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec), Carlos Campelo, a formação contribui para ampliar a cultura do diálogo e da solução consensual de conflitos.
“As técnicas aprendidas durante a capacitação não se restringem ao ambiente de trabalho e podem ser aplicadas em diversas situações do cotidiano. Quando mais profissionais estiverem atuando nessa área, sejam servidores ou sociedade em si, mais pessoas irão conseguir resolver seus conflitos com diálogo, pois o primeiro passo para que isso ocorra é saber se comunicar”, afirmou.
A diretora do Daje, Shusiene Tassinari Machado, destacou que a capacitação contribuiu para ampliar o conhecimento da equipe sobre os mecanismos consensuais de resolução de conflitos e irá fortalecer o apoio às atividades desenvolvidas pelos Juizados Especiais.
“Esse curso será um divisor de águas na nossa atuação, na gestão dos conciliadores credenciados que atuam nos processos judicias dos Juizados Especiais. Pois agora compreendemos não apenas a parte administrativa, mas também a teoria e a prática da mediação judicial”, explicou.
Curso – A capacitação foi dividida em duas etapas. A parte teórica, realizada presencialmente entre 24 e 28 de setembro de 2025, com carga horária de 40 horas e que incluiu simulações práticas de audiências de mediação. E a segunda etapa, o estágio supervisionado realizado entre fevereiro a junho deste ano, pela plataforma Microsoft Teams, com 60 horas práticas com casos reais.
A instrutora de mediação e justiça restaurativa, Ana Tereza Pereira Meira, responsável pelo acompanhamento da etapa prática, destacou que a formação proporciona mudanças que refletem diretamente no atendimento prestado à população. “A pessoa que faz um curso de mediação, se torna diferente. Os alunos aprendem uma comunicação melhor, uma comunicação mais harmônica e isso ajuda no atendimento do público e do Poder Judiciário”, disse.
Para o participante da capacitação, o gestor administrativo do Daje, Gláucio Corrêa, a formação proporcionou uma compreensão melhor da realidade dos conciliadores e juízes leigos que atuam nos Juizados Especiais. “Antes a gente trabalhava mais sob a perspectiva administrativa, agora nós sabemos exatamente como funciona, quais os desafios e isso contribuirá para o nosso trabalho de apoio e gestão”, pontuou.
O treinamento é uma iniciativa da CGJ-MT, com apoio da Escola dos Servidores e do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais de Solução de Conflitos (Nupemec) do Tribunal de Justiça de Mato Grosso.
Autor: Larissa Klein
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da CGJ-TJMT
Email: [email protected]
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