Esporte
Tite já tem seu time-base, mas ainda há vagas abertas no grupo
Esporte
Convocação final para o Mundial será em maio e, até lá, técnico pretende fazer últimas observações para definir grupo
Da Redação
A seleção brasileira encerrou nesta terça-feira, com a vitória por 3 a 0 sobre o Chile, a disputa das Eliminatórias, mas a corrida dos jogadores por um lugar na caravana que irá à Rússia continua. O técnico Tite já tem um time-base, mas tem reiterado que o grupo de 23 atletas não está fechado e, portanto, que “há vagas’’.
A convocação final para a Copa do Mundo será em maio do próximo ano e antes disso a equipe vai fazer quatro amistosos que servirão para preencher os lugares disponíveis.

Tite chamou 45 jogadores diferentes nos 12 jogos em que comandou a seleção nas Eliminatórias – estreou na sétima rodada, na vitória por 3 a 0 sobre o Equador, em 1.º de setembro de 2015. A rigor, desde aquele jogo ele tem os titulares definidos. Dos que começaram aquela partida, apenas Willian perdeu o lugar. Foi preterido por Philippe Coutinho, que entrou no segundo tempo em Quito. Mas ainda não chegou a todos os 23 e garante estar de olho em todos os convocáveis.
“São mais de oito meses até a Copa. Está aberto. Tem mais de 35 atletas sendo monitorados, tem em torno de 50’’, disse o treinador em sua mais recente intervenção sobre o assunto.
Embora não diretamente, Tite dá algumas pistas sobre vagas que ainda não têm dono. No gol, com Alisson definido, Ederson está na frente pela condição de primeiro reserva e vários goleiros, entre Cássio e o ainda não testado Vanderlei brigam hoje pelo terceiro posto. O treinador também não tem o reserva da lateral-direita e há um lugar não preenchido na zaga.
Um volante com características mais defensivas e dois meias também permanecem indefinidos. Também pode ter duas vagas no ataque, embora Roberto Firmino agrade bastante ao treinador e por isso tem amplas possibilidades de ir à Rússia. Ainda assim, atacantes de área ainda têm chance, bem como bons jogadores que atuem pelos lados no setor ofensivo.
Um jogador que deverá ter oportunidade com Tite, desde que recupere o bom futebol, é Douglas Costa. O treinador gosta muito do atacante que está na Juventus, mas contusões e má fase o fizeram perder espaço. Porém, ainda tem chance.
Tite não vai abrir mão de manter a base da equipe, para não descaracterizá-la. Mas dará novas “oportunidades’’, como prefere dizer, e isso já ocorrerá nos amistosos de novembro.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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