Esporte
Técnico Cuca se diz ameaçado no cargo no Palmeiras por eliminação
Esporte
Treinador se vê sob pressão no clube, mas presidente garante que não fará trocas depois de adeus nas oitavas da Libertadores
Da Redação
A queda precoce nas oitavas de final da Copa Libertadores abateu bastante o técnico Cuca, do Palmeiras. Com semblante triste, ele disse na entrevista coletiva depois da eliminação no Allianz Parque para o Barcelona, do Equador, que por já ter tirado o máximo de rendimento possível da equipe e ainda assim perdido em duas competições, entenderia se fosse demitido pela diretoria nos próximos dias.
“Como um treinador vai ser eliminado de uma Copa do Brasil com o elenco que tem, eliminado de um Libertadores com o elenco que tem e não vai ficar ameaçado? Lógico que está. A diretoria tem todo o direito de achar que pode trocar”, disse Cuca. O time devolveu o placar de 1 a 0 obtido no jogo de ida, em Guayaquil, e perdeu por 5 a 4 nos pênaltis, na noite desta quarta-feira.
Cuca admitiu não ter como fazer o time evoluir. “Eu não estou contente com o resultado. É o meu máximo. Não posso dar mais do que isso”, afirmou o treinador, contratado em maio para reassumir o Palmeiras na vaga de Eduardo Baptista. “Quem tem que avaliar agora é o presidente, os diretores. Se teve evolução, cabe a eles olhar o que pode ser feito. Sou profissional e vou entender a decisão que for tomada”, disse.
Se em entrevistas anteriores o técnico ressaltou que apesar do investimento alto em contratações o Palmeiras não tinha a obrigação de ganhar tudo, desta vez Cuca reconheceu a decepção. “Foi feito um investimento muito alto para o Palmeiras ganhar títulos em 2017 e por enquanto não ganhou nada”, comentou. A diretoria aplicou mais de R$ 100 milhões para reforçar o elenco.
O abatimento de Cuca, porém, não deve resultar em mudanças no clube. O presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte, garantiu que não vai fazer alterações. “Não vamos falar em mudança porque não teremos mudanças. Vamos trabalhar, no ano passado fomos campeões, no retrasado também. O (diretor de futebol) Alexandre Mattos estava aí, é um homem da minha confiança e continua no Palmeiras normalmente”, disse o dirigente.
Galiotte afirmou que somente no fim do ano vai avaliar possíveis trocas. “Temos que avaliar com calma, mas isso vai ser feito no final do ano. Tem um turno inteiro de Brasileiro e vamos fazer o máximo de pontos possíveis”, comentou. No próximo domingo a equipe enfrenta o Vasco, fora de casa, pela abertura do segundo turno da competição.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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