Esporte
Roma bate Chapecoense por 4 a 1 no último amistoso dos brasileiros no exterior
Esporte
Partida marca fim da série de apresentações da Chape na Europa e na Ásia
Da Redação
A Roma goleou a Chapecoense por 4 a 1 em amistoso realizado nesta sexta-feira no estádio Olímpico, em Roma, como parte de uma série homenagens ao clube brasileiro no exterior devido à queda do voo da LaMia, em novembro de 2016, nas proximidades de Medellín, na Colômbia, que matou 71 pessoas, entre elas grande parte do elenco, comissão técnica e diretoria do time catarinense, além de jornalistas e parte da tripulação.
O jogo também marcou o fim da série de apresentações da Chapecoense na Europa e na Ásia desde agosto passado. A equipe alviverde havia enfrentado o Barcelona, no estádio Camp Nou (derrota por 5 a 0), Lyon (2 a 1 para os franceses) e também o Urawa Red Diamons (queda por 1 a 0), este último compromisso válido pela Copa Suruga, no Japão.
Em Roma, a noite foi marcada por homenagens ao clube brasileiro. Os jogadores entraram intercalados em campo e posaram para foto. Uma placa com a hashtag “todos juntos” foi colocada à frente dos atletas. Depois, o ex-goleiro Jackson Follmann e o lateral-esquerdo Alan Ruschel – sobreviventes do desastre aéreo – foram aplaudidos pelo público presente.
Dirigentes de Chapecoense e da Roma trocaram placas com homenagens mútuas. Plínio De Nes Filho, mandatário do time brasileiro, entregou a Francesco Totti – ex-jogador, ídolo e agora dirigente romanista – e Aldair, brasileiro que marcou história na Roma nos anos 1990, camisas do clube catarinense com os números que marcaram as suas carreiras (10 e 6, respectivamente) e seus nomes às costas.
Após o toque inicial da partida – antes, Jackson Follmann havia dado a saída simbólica -, os italianos demonstraram a sua superioridade em campo. A Roma dominou as ações e foi pouco incomodada pela Chapecoense. Os brasileiros tiveram uma chance de gol aos 15 minutos da etapa inicial em um bom chute de Júlio Cesar de fora da área. Mas o goleiro Lobont fez boa defesa.
Os donos da casa continuaram tocando a bola e, aos 28 minutos, abriram o placar. O lateral-direito Florenzi, capitão da equipe romana, fez boa jogada pela direita do ataque, cortou para dentro e bateu para o gol. O zagueiro Douglas Grolli tentou interceptar com um carrinho, mas tocou com a mão na bola: pênalti. Na cobrança, o próprio Florenzi inaugurou o marcador: 1 a 0.
A Roma ainda ampliaria a vantagem antes do fim do primeiro tempo. Aos 38 minutos, o meia brasileiro Gerson deu grande passe para o atacante Perotti – impedido -, que tocou para as redes: 2 a 0. Três minutos mais tarde, foi a vez do meio-campista Dodô colocar a mão na bola dentro da área da Chapecoense. O atacante Antonucci bateu a penalidade e fez 3 a 0.
Na segunda etapa, o panorama da partida permaneceu o mesmo. O time da casa seguiu trocando passes e chegou ao quarto gol logo aos 5 minutos, mais uma vez com Antonucci. O atacante recebeu passe de Perotti – que se infiltrou com muita rapidez pelo lado esquerdo do ataque italiano – e tocou para Antonucci, que teve somente o trabalho de empurrar a bola para as redes: 4 a 0.
Mas a Chapecoense conseguiu chegar ao gol de honra na partida aos 10 minutos em mais um pênalti assinalado pela arbitragem. Dodô foi puxado dentro da área ao dominar um belo lançamento de Lucas Mineiro. Alan Ruschel, que ostentava a faixa de capitão da equipe brasileira, foi para a batida e descontou: 4 a 1.
Após o apito final, ainda no gramado, em entrevista ao canal SporTV, Alan Ruschel revelou a emoção no momento em que correu para cobrar a penalidade. O jogador também festejou o retorno aos gramados após os graves ferimentos que sofreu em decorrência do acidente aéreo.
“Ah! Deu um friozinho gostoso. Mas, feliz que a bola entrou. Treinei assim ontem (quinta-feira), a bola acabou entrando e fiquei feliz. Acho que mostrei para todo mundo, principalmente nos treinamentos, que estou apto a competir de novo, que posso sim voltar a jogar. Então, sou eternamente grato a Deus por estar me capacitando”, enfatizou o jogador.
No retorno ao Brasil, a Chapecoense terá pela frente a missão de se recuperar no campeonato nacional. Com os resultados da última rodada, a equipe caiu para a zona de rebaixamento da competição. Com 25 pontos, o time alviverde agora ocupa a 17.ª posição, mesma pontuação do Vitória, que já aparece fora da zona da degola, mas em desvantagem nos critérios de desempate.
A Chapecoense voltará a campo no próximo dia 10 (domingo), às 19 horas, para jogar contra o Cruzeiro, na Arena Condá, em Chapecó (SC), pela 23.ª rodada do Nacional. O clube alviverde também segue na disputa da Copa Sul-Americana. No próximo dia 13, os catarinenses enfrentarão em casa o Flamengo, na primeira partida entre os brasileiros válida pela fase de oitavas de final do torneio continental.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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