Esporte
Pane, pouso forçado e turbulência: relembre sustos de equipes em viagens pelo continente
Esporte
Drama no ar vivido pelo Palmeiras entra para lista numerosa de viagens conturbadas dos times sul-americanos
Da Redação
Os momentos de apreensão vividos pelo Palmeiras no último domingo, enquanto tentava chegar de avião até a cidade de Mendoza, na Argentina, aumentaram a lista de sustos encarados por equipes sul-americanas durante viagens pelo continente. As condições geográficas da região, tempo instável, falhas mecânicas e necessidades logísticas já levaram times a encarar aventuras perigosas.
A delegação do Palmeiras relatou ter encarado um “filme de terror” ao tentar se aproximar de Mendoza, local da partida desta terça-feira, contra o Godoy Cruz, pela Copa Libertadores. O piloto tentou pousar duas vezes, não conseguiu e mudou o destino para Rosário e depois, deixou o elenco em Buenos Aires.
O Estado relembra outras histórias de sustos encarados por equipes sul-americanas durante viagens pelo continente.
Susto no meio das montanhas
A delegação do São Paulo sofreu com uma viagem até Oruro, onde enfrentou o San José, pela Libertadores de 1992. Para poder minimizar os efeitos da altitude de 3,7 mil metros acima do nível do mar, a equipe viajou à cidade perto da hora do jogo transportado por uma aeronave da Força Aérea Boliviana. Segundo relatos dos jogadores, o avião era velho, com bancos de madeira e com motores barulhentos.
Os jogadores ficaram preocupados na hora do pouso. Com a cidade cercada por montanhas, muita turbulência e sem visibilidade, houve muita preocupação. O susto não passou mesmo com a aterrissagem. A pista era um local improvisado, com cascalhos e terra. Quando o avião tocou o solo, muita poeira foi levantada e o time demorou a se tranquilizar.
Avião do Corinthians bate no Equador
Depois de bater o Espoli, do Equador, pela Libertadores de 1996, o Corinthians teve problemas para deixar a cidade de Quito. Quando tentava decolar, a aeronave teve um problema técnico. O piloto tentou frear, mas não conseguiu e o avião deslizou pela pista, passou pela pela área de escape e bateu em um muro de concreto vizinho ao aeroporto. A colisão fez o combustível vazar dos tanques e os passageiros tiveram medo de explosão.
Com um tumulto dentro do avião para tentar sair do local, alguns jogadores chegaram a saltar. O atacante Tupãzinho sofreu queimaduras leves pelo contato com a querosene e torceu o tornozelo ao tentar pular da asa para o chão. Logo depois os bombeiros chegaram e realizaram o resgate dos membros da delegação.
Voo cancelado a tempo
A Universidad de Chile se preparava para deixar Santiago e vir ao Brasil para enfrentar o Corinthians pela Libertadores de 2017. O time estava sentado dentro da aeronave, preparado para deixar o país quando um aviso do piloto deixou todos assustados. Ao notar problemas mecânicos, o comandante afirmou que seria necessário cancelar a viagem e que todos deveriam deixar a aeronave imediatamente.
Os chilenos ficaram nervosos e logo desceram do avião para esperar uma nova tentativa de viajar até São Paulo. Depois de duas horas de espera e de expectativa, a Universidad de Chile conseguiu entrar em um novo avião e completar o deslocamento sem problemas.
Lembrança da Chapecoense
Após a Chapecoense ter sofrido uma tragédia aérea na Colômbia, em novembro de 2016, um outro time levou um grande susto na mesma cidade, em Medellín. Em março de 2018, os equatorianos do Delfín tentavam voltar para casa depois de ter enfrentar o Atlético Nacional, pela Copa Libertadores. O avião da equipe havia deixado o aeroporto há alguns minutos quando um problema técnico deixou todos apreensivos.
Como houve uma falha de pressurização dentro da aeronave, foi necessário voltar rapidamente à pista para evitar qualquer risco aos jogadores. Os jogadores ficaram muito assustados e tiveram de passar a madrugada no local à espera da resolução do problema. Logo depois, o time conseguiu voltar.
Time equatoriano volta a sofrer
O Delfín teve um novo trauma aéreo em fevereiro deste ano. Depois de jogar fora de casa contra o Caracas, pela Copa Libertadores, a equipe equatoriana precisou voltar às pressas para a capital venezuelana. Depois de 1h30 de voo, o comandante notou uma falha técnica e procurar retornar rapidamente para o aeroporto de origem, para procurar uma outra aeronave com condições de fazer o transporte. Os jogadores voltaram a ficar bastante assustados.
Fonte: O Estado de S. Paulo / https://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,pane-pouso-forcado-e-turbulencia-relembre-sustos-de-equipes-em-viagens-pelo-continente,70002932405
Foto: Cesar Greco/Ag. Palmeiras
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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