Esporte
Pacaembu volta a ser a ‘casa’ dos grandes de São Paulo
Esporte
São Paulo, Palmeiras e Santos farão diversas partidas no estádio municipal nos próximos dois meses
Da Redação
Líder na média de público e dono das quatro maiores bilheterias no Campeonato Brasileiro, o São Paulo tem o desafio de manter os bons números em sua “casa temporária”: o Pacaembu. O gramado municipal vai receber cinco jogos do time tricolor nos próximos dois meses. O Palmeiras também terá de se readaptar ao local, pois fará lá os dois próximos jogos por causa de shows musicais no Allianz Parque.
A projeção é de baixa na bilheteria do time tricolor, que há seis jogos leva mais de 40 mil torcedores aos jogos no Morumbi. No Pacaembu, a capacidade é de 40.199 pessoas, de acordo com a Prefeitura de São Paulo. Nos últimos jogos do time como mandante no estádio municipal, o comparecimento foi bem menor: levou pouco menos de 30 mil torcedores para o clássico com o Santos pelo Brasileiro do ano passado, quando perdeu de 1 a 0 e, na última rodada do torneio, viu 16,5 mil pessoas acompanharem a goleada de 5 a 0 sobre o Santa Cruz.
Os jogos do São Paulo no estádio serão contra Atlético-PR (14 de outubro), Flamengo (22), Santos (29), Chapecoense (8 de novembro) e Botafogo (19 de novembro).
Dentro de campo, o time tentará fazer valer seu bom retrospecto como “inquilino”. O desempenho do São Paulo no estádio é, proporcionalmente, superior ao apresentado no Morumbi. Em 675 jogos como mandante no gramado municipal, o Tricolor venceu 434 e empatou 136, obtendo 71% de aproveitamento. Em seu próprio estádio, tem 68% de aproveitamento nos 1.540 jogos.
Alguns momentos históricos também animam o São Paulo. Foi no Pacaembu que o time fez sua maior goleada sobre o Santos: 9 a 1, em junho de 1944, pelo Campeonato Paulista. Foi também no estádio municipal que o aplicou a maior goleada de sua história, quando atropelou o Jabaquara por 12 a 1, em 1945.
Além do São Paulo, o estádio também receberá duas partidas do Palmeiras e do Santos. O Pacaembu é um estádio favorável ao Palmeiras para o desempenho, mas um obstáculo para faturar. Embora tenha conseguido três vitórias nos três jogos feitos no local no ano, o clube fatura com bilheteria em média cerca de três vezes menos do que se jogasse no Allianz Parque. As entradas para o jogo com o Bahia, que será na quinta-feira dia 12, às 21 horas, são um exemplo. A partir de hoje, o ingresso para o tobogã custará R$ 40 (R$ 60 a menos do que o ingresso mais barato no Allianz Parque).
A partida será realizada no Pacaembu em razão da realização de dois eventos musicais em outubro no Allianz Parque. O duelo contra a Ponte Preta, no dia 19, também vai ocorrer no estádio municipal.
Palmeiras e a construtora WTorre, a responsável pelo Allianz, tentam se entender nos bastidores sobre o ressarcimento de partidas em que o time não pode jogar na arena. Por contrato, o clube receberia uma multa equivalente a 50% da renda bruta do jogo feito em outro estádio. Porém, os repasses estão suspensos porque o tema está em discussão na corte arbitral. A empresa e o clube divergem sobre o custo de manutenção da arena.
Em busca de maiores rendas, o Santos vai mandar no Pacaembu a partida com o Vitória, dia 16 de outubro, às 20 horas. Contra o Atlético-PR, no último sábado, o público na Vila foi de 4.257 torcedores, com prejuízo de quase 30 mil na bilheteria. A média de público do Santos na Vila em 2017 é de 8,5 mil pagantes. No Pacaembu é de 23 mil.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Divulgação
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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