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Comitê Rio-2016 acumula R$ 100 milhões em dívidas com fornecedores

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São nove credores, a maior parte de empresas contratadas para entregar material usado em estruturas temporárias dos Jogos

Da Redação

 

Passado um ano e dois meses da Olimpíada, o comitê organizador ainda acumula cerca de R$ 100 milhões em dívidas com fornecedores. São nove credores, a maior parte empresas contratadas para entregar material usado em estruturas temporárias dos Jogos do Rio. Restam também valores a serem reembolsados por ingressos não utilizados: R$ 1,2 milhão.

Um dos credores é a GL Events, que forneceu instalações e está processando o comitê para receber R$ 52 milhões. O processo está em fase de execução da dívida, que, com as custas judiciais, pode chegar a R$ 58 milhões. A empresa tentou negociar o pagamento, mas acabou recorrendo à Justiça diante da falta de perspectiva. 

“Assim como outros fornecedores, firmamos contratos acreditando estarmos seguros, visto que o Comitê Olímpico Internacional (COI) possui uma garantia assinada pelos governos municipal e estadual para cobrir eventuais problemas e dívidas. Desta forma, entende-se que o COI deveria quitar as dívidas com os credores e depois executar a garantia”, informou a GL Events, por nota.

A reportagem entrou em contato com o governo do Estado e a prefeitura para que se manifestassem sobre a possibilidade de honrar as dívidas da Olimpíada. O Estado respondeu que “o balanço financeiro do Comitê Rio 2016 ainda não foi  fechado, portanto, o governo não tem como comentar”. A prefeitura afirmou por nota que ” a dívida deve ser cobrada do Comitê Rio-2016 até serem exauridas todas as medidas de cobrança.” O Comitê Rio 2016 preferiu não se pronunciar.

Afora as dívidas com credores, ainda há 2.400 pessoas que aguardam o reembolso por ingressos. São os casos de quem comprou e revendeu para o próprio comitê, de modo a receber o dinheiro do volta, ou que chegou ao jogo e descobriu que seu lugar havia sido extinto.

O Procon-RJ recebeu cerca de 400 reclamações de pessoas que venderam os seus ingressos para os Jogos Olímpicos e Paralímpicos e não tiveram reembolso do comitê. Em dezembro do ano passado, o comitê foi multado em R$ 588.216,15 pela demora no pagamento por esses bilhetes devolvidos. A multa não foi paga, segundo o Procon, e a cobrança foi enviada para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para ser inscrita na Dívida Ativa. 

Uma alegação para o não-reembolso é a falta de dados dos compradores para que o pagamento fosse efetuado. Para serem ressarcidas, as pessoas têm de enviar nome, CPF, e-mail usado na compra e dados bancários para o e-mail reembolso@rio2016.com. O período para a efetuação dos depósitos deve terminar ao fim desse mês.

Já o Comitê Olímpico do Brasil (COB) enfrenta na Justiça moradores de 1.490 apartamentos de três condomínios da Vila Pan-Americana. Construídos para abrigar os atletas dos Jogos Pan-Americanos, realizados no Rio em 2007, os 17 prédios foram comercializados para moradia. 

Desde 2014, os moradores pedem indenização por danos materiais e morais causados pelos problemas estruturais que enfrentam. As ruas internas e garagens sofreram afundamentos, devido à instabilidade do terreno. Também são réus da ação a prefeitura e a construtora Agenco.

“Eles não têm credibilidade, agora, menos ainda. Muitos moradores compraram porque era a vila dos atletas do Pan. Foi uma grande frustração”, diz o advogado dos  moradores, Paulo Roberto de Melo Junior.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Foto: Nacho Doce/Reuters

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Quando perder músculo também ameaça o cérebro

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Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.

Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.

Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.

Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.

O que a ciência mostra :

 

Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.

Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.

Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.

Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.

Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?

 

Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.

Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.

O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.

Por que o músculo influencia a saúde cerebral?

A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.

A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.

Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.

Como enfrentar cientificamente esse problema ?

 

O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.

O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.

A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.

Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.

Envelhecer bem ,exige preservar força

A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.

Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.

Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.

 

Saúde não é sorte. É rotina.

Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308
Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.

Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.



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