Esporte
Com show de Cristiane, o Brasil derrota a Jamaica por 3 a 0
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Da Redação
Cristiane foi o grande nome da seleção brasileira na partida de estreia contra a Jamaica, na Copa do Mundo, realizada no Estádio dos Alpes, em Grenoble, na França. A camisa 11 marcou três gols, além de jogadas de velocidade que confundiram as defensoras jamaicanas.
O treinador Vadão, durante entrevista no gramado após o jogo, disse que ficou satisfeito com o desempenho da equipe, reconheceu alguns erros e lamentou alguns gols perdidos. Ele não confirmou a presença de Marta para a próxima partida da seleção contra a Austrália, na quinta-feira (13), às 13h, em Montpellier.
O jogo
O jogo começou com a seleção brasileira pressionando a defesa da Jamaica, em ações de Tamires, Debinha e Cristiane. Aos seis minutos, em uma jogada pela esquerda, Cristiane cruzou para o gol e surpreendendo a goleira Schneider, com a passando perigosamente pela frente do gol. Logo depois, as jamaicanas vão para o ataque, após um lançamento longo para a atacante Matthews. A goleira Bárbara se antecipa e afasta o perigo.
Aos sete minutos, Debinha recebe um lançamento nas costas da zaga, avança livre e tenta driblar a goleira Schneider, que desvia a bola com a mão.
Com o time recuado, esperando que o Brasil oferecesse o contra-ataque, as jamaicanas, posicionadas na defesa, lutavam por uma bola, mas a pressão das brasileiras impedia os lançamentos para Matthews.
Foi na pressão que Andressa, aos 15 minutos, cruza pela esquerda do ataque brasileiro e encontra Cristiane livre na área, que só teve o trabalho de cabecear no canto esquerdo de Schneider, que nada pôde fazer: Brasil 1 a 0.
Após o gol, o time brasileiro passou a jogar com mais tranquilidade, mas sempre mantendo a marcação alta, em cima da zaga da Jamaica que, a todo momento, se confundia, errando os passes e devolvendo a bola de graça para as brasileiras.
A grande jogada da Jamaica só aconteceu aos 27 minutos do primeiro tempo. Um lançamento para o lado esquerda defensivo do Brasil encontrou Bond-Flasza, que colocou a bola na frente, venceu na corrida a lateral Tamires e, da entrada da área, bateu forte no canto esquerdo alto da goleira Bárbara, que fez uma grande defesa.
Aos 36 minutos, em uma jogada pela direita, Andressa recebe na entrada da área, espera a passagem de Letícia e passa a bola. A lateral recebe, tenta o cruzamento, a bola toca no braço de Swaby. O pênalti é marcado, mas Andressa desperdiça chutando fraco no lado direito de Schneider, que defendeu sem dificuldade.
O pênalti perdido diminuiu um pouco o ânimo das brasileiras, que recuaram um pouco e passaram a tocar a bola mais no meio de campo à espera de uma brecha na defesa da Jamaica, a fim de enfiar uma bola para Cristiane ou Debinha. O jogo permaneceu assim até que a árbitra apitasse o fim do jogo na primeira fase.
Segundo tempo
O Brasil voltou para o segundo tempo sem nenhuma alteração na equipe. O treinador Vadão manteve o mesmo esquema tático do primeiro tempo, com as jogadoras pressionando a defesa jamaicana. E foi em uma jogada de pressão, aos quatro minutos, que a defensora da Jamaica deu um chute para a frente, a bola sobrou para Formiga. A volante brasileira escorou para Debinha, que cedeu para Andressa. Ela cruza para a pequena, onde Cristiane escora para o gol. A jamaicana Plummer tenta salvar, mas a bola cruza a linha de gol: 2 a 0 para o Brasil.
O segundo gol brasileiro, o segundo de Cristiane no jogo, deu mais tranquilidade para as brasileiras, que passaram a buscar jogadas de contra-ataque pelos lados do campo, com lançamentos longos em profundidade. Em uma dessas jogadas, Cristiane recebeu na entrada da área e, quando tentou o passar pela zagueira da Jamaica, foi derrubada. Na cobrança da falta, aos 17 minutos, a camisa 11 do Brasil fez o seu terceiro gol no jogo.
Logo após o gol, o treinador Vadão substituiu Cristiane, colocando em campo Ludmila. Em seguida, ele tirou também a atacante Bia Zaneratto e colocou Geise. Na Jamaica, o treinador Hue Menzie trocou Mathews por Brown. Pouco tempo depois, ele subsitui Carter por Cameron.
Aos 30 minutos, Vadão fez outra mudança no time brasileiro. Ele trocou Kathellen por Daiane. As substituições mudaram o ritmo do jogo, com as brasileiras tocando a bola no meio de campo, esperando por uma falha na defesa da Jamaica. Aos 33 minutos, após uma cobrança de escanteio, a bola sobra para Thaísa, a camisa 5 chuta forte por cima do gol de Schneider.
O Brasil tem mais uma chance de fazer o quarto gol aos 34 minutos: a zaga da Jamaica falha, Geyse rouba a bola de Plummer, cruza na área, Ludmila chega, mas bate para fora.
Depois deste lance, as brasileiras passaram a segurar a bola, fazendo o tempo passar até a árbitra apitar fim da partida aos 49 minutos.
Liderança do grupo
A vitória do Brasil garante a liderança do grupo C. A seleção soma três pontos e três gols de saldo, ficando à frente da Itália, que venceu a Austrália por 2 a 1, fazendo também três pontos, mas saldo de apenas um gol. Austrália e Jamaica ainda não marcaram pontos.
Ficha técnica do jogo
Árbitro: Riem Hussein (Alemanha).
Assistentes: Kylie Cockburn (Escócia), Mihaela Tepusa (Romênia) e Kateryna Monzul (Ucrânia).
Cartões amarelos: Plummer (Jamaica), Formiga e Daiane (Brasil).
Time do Brasil:: Bárbara, Leticia Santos, Kathellen (Daiane), Mônica e Tamires; Thaisa, Formiga e Andressa Alves; Debinha, Bia Zaneratto (Geyse) e Cristiane (Ludmila).
Treinador: Vadão.
Time da Jamaica: Sydney Schneider, Bond-Flasza, Plummer, Allyson Swaby e Blackwood; Matthews (Brown), Solaun e Chantelle Swaby; Sweatman, Carter (Cameron) e Shaw.
Treinador: Hue Menzies.
Fonte: Agência Brasil / Link: http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-06/com-show-de-cristiane-brasil-vence-jamaica-por-3-0 / Foto: Reuters/Emmanuel Foudrot
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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