Esporte
Com Cristiano Ronaldo discreto, Portugal leva 3 a 0 da Holanda em amistoso
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Amplo placar da vitória holandesa foi construído no primeiro tempo. Depay, Babel e Van Dijk balançaram as redes
Da Redação
Em um dos seus últimos testes para a Copa do Mundo, a seleção de Portugal assustou a torcida nesta segunda-feira. Com Cristiano Ronaldo em campo durante quase toda a partida, os atuais campeões europeus levaram 3 a 0 da Holanda, que não conseguiu a vaga no Mundial da Rússia, no estádio de Genebra, na Suíça.
O amplo placar da vitória holandesa foi todo construído no primeiro tempo. Memphis Depay, Ryan Babel e Virgil van Dijk balançaram as redes antes do intervalo. Cristiano Ronaldo, maior foco das atenções no amistoso, decepcionou ao participar pouco das jogadas ofensivas de Portugal e ter raras iniciativas no ataque.
Após brilhar na vitória de Portugal sobre o Egito, por 2 a 1, na sexta-feira, o astro do Real Madrid teve desempenho apagado no primeiro tempo. Discreto pelo lado direito do campo, o astro do Real Madrid viu o seu time ser engolido pelos holandeses na etapa inicial, ao menos no placar.
Mesmo sem exibir amplo domínio em campo, a Holanda construiu a vitória com certa facilidade no primeiro tempo, graças principalmente aos erros da defesa portuguesa. Aos 11, Van de Beek pegou mal dentro da área, mas a bola sobrou para Depay, que não perdoou na pequena área: 1 a 0.
O segundo gol veio aos 32 minutos, quando Ryan Babel teve a coragem de colocar a cabeça na bola, após um forte cruzamento da direita. O goleiro Anthony Lopes nem viu a cor da bola. Antes do intervalo, a Holanda anotou o terceiro. Foi aos 46, quando o zagueiro Matthijs de Ligt deu bela assistência, de cabeça, para Virgil van Dijk, sem qualquer marcação na área, encher o pé e mandar para as redes.
No segundo tempo, Portugal se ajustou na defesa e Cristiano Ronaldo resolveu aparecer na partida. Logo aos 2, o atacante cabeceou sem marcação e deu trabalho para o goleiro Jasper Cillessen, que caiu no canto para fazer a boa defesa.
Foi um dos raros bons momentos do amistoso na segunda etapa, que foi mais movimentada pela expulsão de João Cancelo, após o segundo cartão amarelo, e também pela invasão de três torcedores. Um deles chegou a abraçar Cristiano Ronaldo. O trio saiu escoltado pelos seguranças, sem maiores consequências.
Na equipe holandesa, o destaque na etapa final foi a estreia de Justin Kluivert. O filho do atacante Patrick Kluivert, que defendeu a mesma seleção nos anos 90 e 2000, entrou em campo aos 22. Com apenas 18 anos, o jogador do Ajax teve atuação discreta no amistoso.
O duelo com a Holanda foi o último teste da seleção portuguesa antes de o técnico Fernando Santos definir a lista de convocados para a Copa do Mundo. Na Rússia, Portugal está no Grupo B, ao lado de Espanha, Marrocos e Irã. Os portugueses vão estrear no dia 15 de junho contra a Espanha, maior favorita da chave.
Fonte: Estadão Conteúdo
Foto: Salvatore Di Nolfi/EFE
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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