Economia
União Europeia multa Google em € 2,4 bilhões por monopólio em compras online
Economia
União Europeia impôs multa recorde ao buscador por abusar de sua posição dominante ao favorecer sua ferramenta de compras online, o Google Shopping
Da redação
O órgão de defesa da concorrência da União Europeia impôs uma multa recorde de € 2,42 bilhões ao Google em decisão divulgada na manhã desta terça-feira, 27. Conforme a UE, o grupo multinacional sofre a sanção por abusar de sua posição dominante em buscas na internet para favorecer seu próprio comparador de preços para compras online, o Google Shopping.
“O que o Google tem feito é ilegal sob as normas antimonopólio da União Europeia. Ele nega a outras empresas a oportunidade de competir com seus méritos e inovação”, disse a comissária europeia da Competência, Margrethe Vestager, em coletiva de imprensa na sede da UE, em Bruxelas.
Até então, a maior multa aplicada pelo bloco econômico por ‘abuso de posição dominante’ era de € 1,06 bilhão, imposta em 2009 à fabricante de computadores Intel.
A agência de notícias Reuters havia antecipado nessa segunda-feira, 26, a expectativa de que a sentença de uma multa recorde ao Google fosse divulgada hoje pela UE. A receita anual do grupo é estimada em € 67,5 bilhões (U$ 76 bilhões) e a multa poderia chegar até 10% desse valor. A investigação sobre favorecimento durou sete anos e foi desencadeada por uma série de queixas de concorrentes.
Em uma postagem em seu blog oficial nesta terça-feira, o Google afirmou que não concorda com a decisão e que está avaliando se entrará com um recurso. “Acreditamos que a decisão da União Europeia sobre nossa ferramenta de compras online subestima o valor dessas conexões fáceis e rápidas”, disse Kent Walker, vice-presidente sênior e conselheiro do Google, no blog oficial. “Enquanto alguns sites de comparação de preços naturalmente querem que o Google os mostre de forma mais proeminente, nossos dados mostram que as pessoas prefere links que levem elas diretamente aos produtos que elas querem, não para sites onde elas terão de repetir a busca.”
Além de pagar a multa, o Google recebeu um prazo de 90 dias para mudar suas práticas na região, o que deve impôr à empresa uma mudança em seu algoritmo de busca. Caso a empresa não modifique suas práticas no prazo, novas multas podem ser anunciadas pela União Europeia.
Novos capítulos. A contrário do que era previsto, a multa anunciada por Margrethe Vestager, chefe do órgão de defesa da concorrência da União Europeia, não compreende dois outros processos por monopólio que o Google enfrenta na Europa.
Além do processo sobre compras online, que teve a decisão anunciada hoje, o Google enfrenta desde 2010 uma investigação sobre como o sistema operacional Android pode ter dificultado a concorrência no ambiente digital, já que vem com diversos aplicativos da mesma marca pré-instalados. Isso levou ao inicio de um processo contra a companhia no ano passado.
A terceira investigação sobre o Google, relacionada a como as ferramentas de publicidade da empresa podem ter restringido a escolha dos consumidores, resultou em outro processo em julho de 2016.
Esses dois outros processos também podem levar o Google a enfrentar multas na região no futuro, caso a empresa não mude suas práticas.
Fonte: AFP e Reuters
Economia
Banco Central estuda interligar Pix com sistemas de outros países
O Banco Central (BC) do Brasil estuda interligar o Pix com sistemas de pagamentos de outros países e com mecanismos multilaterais globais de pagamentos instantâneos. A autoridade monetária argumenta que a medida tem o potencial de diminuir tarifas e ampliar o acesso a transações internacionais.

“Estão em discussão tanto interligações bilaterais como a participação em hubs multilaterais. Essas interligações permitiriam a realização de remessas internacionais e de transações de compra com disponibilização dos recursos em moeda local em poucos segundos”, diz o BC.
A agenda de novos produtos e funcionalidades do Pix foi divulgada, nesta segunda-feira (10), no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025. O BC informou ainda que monitora os modelos de transações internacionais, com o uso do Pix, que vêm sendo implementadas por empresas nacionais e estrangeiras.
Outras inovações previstas pelo Banco Central para o Pix são a possibilidade de realizar transações por aproximação offline, sem internet, e o uso do Pix automático em substituição ao débito em conta.
Pix crédito
Também vem sendo estudada pelo BC a integração do Pix ao mercado de crédito com objetivo de permitir a utilização dos “fluxos futuros de Pix” como garantias para financiamentos.
“Como resultado esperado, a solução pode contribuir para a melhoria da qualidade das garantias e para a redução do custo do crédito, especialmente para empresas com forte uso do Pix”, diz o documento.
Mensagens de texto via Pix
O Banco Central tem identificado o uso abusivo de mensagens nas transações de Pix para ofensas, ameaças ou intimidações “frequentemente associadas a transferências de valor irrisório”.
Originalmente, as mensagens foram pensadas para registrar informações sobre as transações. Com o uso distorcido por parte dos usuários, o BC criou um grupo de trabalho para discutir alternativas para o campo das mensagens do Pix.
“Com base nas conclusões desse trabalho, o BC avaliará e instituirá, se julgar necessário, as medidas regulamentares adequadas para coibir o uso inadequado do campo de mensagens”, destaca o documento.
Sistema antifraude
Além disso, a instituição monetária prevê oito medidas para aprimorar a segurança das transações via Pix. A chamada agenda de segurança conta, entre outras mudanças, com a previsão de criação de “critérios objetivos mínimos” para definição de transações suspeitas de fraude.
“Atualmente, esses critérios ficam a cargo das políticas de cada instituição. Isso gera comportamentos heterogêneos e permite que diversas transações que deveriam ter tratamento diferenciado, como transações de elevado valor durante horário não comercial, sejam autorizadas sem uma avaliação mais cuidadosa”, argumentou o BC.
A agenda de segurança prevê ainda o desenvolvimento de um indicador de “probabilidade de fraude no Pix” a ser calculado pelo BC em tempo real para todas as transações.
“Será construído com base em modelo de machine learning [de Inteligência Artificial] e deverá ser disponibilizado às instituições participantes para alimentarem os seus sistemas antifraude”, diz o informe.
Outras mudanças consistem na padronização obrigatória dos “alertas de fraudes” já previstos por algumas instituições financeiras, assim como o aprimoramento do fluxo de informações para bloqueios cautelares de transações suspeitas.
“A criação de um fluxo direto e automatizado entre as instituições permitirá a troca fluida e tempestiva de informações, o que irá facilitar a avaliação sobre a transação, de forma a aumentar a assertividade na detecção de fraudes”, informa o BC.
Também está prevista a “ampliação do rol de medidas cautelares”, como a restrição de cadastro de novas chaves Pix, para instituições que coloquem em risco o funcionamento do sistema de pagamentos.
Alvo dos EUA
O Pix entrou na mira do governo dos Estados Unidos (EUA), sendo uma das justificativas para o recente tarifaço de 25% contra parte dos produtos do país. A Casa Branca alega que o mecanismo é uma “prática desleal” do Brasil no mercado financeiro, argumento que é refutado pelo governo brasileiro.
Especialista consultados pela Agência Brasil ponderam que ação do governo Donald Trump contra o Pix ocorre pelo fato de o modelo nacional desafiar o controle financeiro de Washington sobre a infraestrutura de pagamentos eletrônicos do Brasil.
Ao criar estruturas financeiras de pagamentos sem o controle dos EUA, o Brasil reduz a capacidade de a Casa Branca usar sanções financeiras, por exemplo, para pressionar o país a favor de políticas ou posições que sejam de interesse exclusivo dos norte-americanos.
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