DEU NA GAZETA DO POVO
PIB de Mato Grosso cresceu o triplo da média nacional desde 2002, aponta jornal
Reportagem atribui desempenho ao crescimento do agronegócio e dos setores da indústria e serviços
Economia
Mato Grosso foi o estado brasileiro com maior crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) desde o início do século, destacou o jornal Gazeta do Povo, em matéria publicada neste domingo (14.05).
O jornal aponta que, em 2022, o crescimento da economia mato-grossense seja ainda maior: 10,3%, segundo projeção do Banco do Brasil, o que, mais uma vez, é o triplo do PIB nacional, calculado em 2,9%.
A publicação também ressalta que Mato Grosso é um dos estados com menor taxa de desemprego, segundo levantamento do IBGE. Dado mais recente aponta que a desocupação em Mato Grosso é de 3,5%, na média do último trimestre de 2022 – percentual menor do que a taxa de países do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido), calculada em 3,9% em dezembro.
“Campeão do século”, Mato Grosso cresce o triplo da média nacional com impulso do agro
No mesmo período, o segundo e o terceiro estado que mais cresceram foram o Pará (4,65% ao ano) e Tocantins (4,6%).
Mato Grosso, que era a 15.ª maior economia do país no início do século, ocupa agora a 12.ª posição, conforme a estatística de 2020 do IBGE. E há motivos para acreditar que a ascensão não deve parar por aí.
A consultoria Tendências estima que, em 2021, o PIB mato-grossense avançou 2,4%, pouco menos da metade do crescimento nacional de 5%. Em 2022, porém, o estado voltou a crescer muito acima da média: 10,3%, conforme estimativa do Banco do Brasil, mais que o triplo do PIB nacional (2,9%). E, para 2023, o BB prevê expansão de 3,4% em Mato Grosso – para o país todo, a expectativa mediana do mercado financeiro é de alta de apenas 1%.
Boa parte da explicação para esse desempenho está no agronegócio, carro-chefe da economia local. O setor representa 56,6% do PIB do estado, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).
Mas não é só no avanço do PIB que a economia do estado se destaca. Outro levantamento do IBGE mostra que Mato Grosso tem a quarta menor taxa de desemprego entre as unidades da federação. Segundo o dado mais recente, a desocupação era de 3,5% na média do último trimestre de 2022 – menos que a taxa média dos países do G7 (Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido), que era de 3,9% em dezembro.
O principal responsável pelo avanço da economia mato-grossense no cenário nacional, segundo Luiz Antônio do Nascimento de Sá, técnico de contas regionais do IBGE, foi a agropecuária. A participação do estado nessa área mais que dobrou entre 2002 e 2020, passando de 5% do total nacional para 10,6%.
A safra de grãos de Mato Grosso foi multiplicada por seis desde a colheita de 2002, passando de 15,9 milhões de toneladas naquela temporada para 94,1 milhões de toneladas neste ano, segundo projeção da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
A produtividade das lavouras em 2023 deve chegar a 4.551 quilos por hectare, a terceira maior do país, atrás apenas de Santa Catarina e Distrito Federal. Em 2002, o rendimento era de 2.909 kg/ha.
O Imea estima que a soja alcançará produtividade recorde neste ano, de 61,59 sacas (quase 3,7 mil quilos) por hectare, com destaque para as regiões médio norte e sudeste do estado. Grande parte da produção agropecuária é exportada. A previsão do Imea é que 61,2% da soja seja destinada a outros países.
“Aqui temos boas condições: uma topografia bem plana, que favorece o uso de maquinário de grande porte, chuvas regulares e ampla luminosidade, que facilita a fotossíntese das plantas”, diz o presidente do Sindicato Rural de Sinop e vice-presidente da Federação da Agropecuária do Mato Grosso (Famato), Ilson José Redivo.
Segundo o Imea, a produção de milho deve crescer quase 4% sobre a temporada anterior, atingindo 46,4 milhões de toneladas, num cenário de aumento da demanda e menor oferta do milho no mercado internacional, em decorrência da quebra de safra na Argentina e nos Estados Unidos, além da guerra na Ucrânia, que diminuiu a produção daquele país. O equivalente a 62,5% do milho colhido em Mato Grosso deve ser exportado.
Segundo números da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), no ano passado a receita total das exportações foi de US$ 32,5 bilhões, o que faz de Mato Grosso o quarto estado exportador do país, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Vinte anos antes, em 2002, era o 10.° exportador.
Crescimento em Mato Grosso ocorre também do lado de fora da porteira
Mas o crescimento do estado não se deu só da porteira para dentro. “Ainda que a agropecuária tenha exercido a maior influência no desempenho de Mato Grosso, podemos observar que o desempenho da indústria e dos serviços também contribuíram para o avanço relativo, na comparação com o Brasil e demais unidades da federação”, diz Nascimento de Sá, do IBGE.
Segundo ele, entre 2002 e 2020 Mato Grosso teve desempenho superior à média nacional em todas as atividades. Entre os destaques estão:
• eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação;
• atividades financeiras, de seguros e serviços relacionados; e,
• atividades profissionais, científicas e técnicas, administrativas e serviços complementares.
Na energia, um dos destaques nos últimos 20 anos é a instalação de novas usinas. Entre elas, está a Teles Pires, no rio do mesmo nome, inaugurada em 2015 e que recebeu investimentos de R$ 3,9 bilhões. O empreendimento tem capacidade de 1,8 mil MW, suficiente para atender 13,5 milhões de habitantes – 3,5 vezes a população de Mato Grosso.
A produção industrial, enquanto isso, cresceu 19,4% em 2022, na comparação com o ano anterior, puxada pelos segmentos alimentício e de biocombustíveis. Segundo Camila Saito, sócia da Tendências Consultoria, algumas unidades de produção de alimentos retomaram produção e uma usina de biodiesel entrou em atividade no período.
A BR-163, que liga Cuiabá (MT) a Santarém (PA), está se tornando um eixo produtor de etanol a partir de milho. “O cereal passou a ter valor agregado aqui no Mato Grosso”, diz Redivo, do Sindicato Rural de Sinop. Os resíduos são aproveitados na cadeia pecuária, que também é relevante no estado.
A ampliação das usinas de etanol deve contribuir para um aumento de quase 8% no consumo estadual de milho neste ano, segundo o Imea. O consumo local de soja também está aumentando. A previsão nesta safra é de um crescimento de 14,1%, graças a novas esmagadoras e à ampliação da capacidade de armazenamento.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado do Mato Grosso (Fiemt), Sílvio Rangel, avaliou em publicação divulgada no início de março, que o cenário é bastante promissor para a atividade fabril e há potencial para expandir a produção.
O campo tem tudo para continuar impulsionando a indústria. A expectativa do Imea é de que até 2032 haja um crescimento de 71,3% na produção de grãos. O incremento nas áreas agrícolas deverá ocorrer principalmente sobre as áreas de produção pecuária.
Comércio de Mato Grosso ganha mais impulso
Outro setor que está sendo beneficiado com a expansão da agropecuária é o comércio. De 2004, quando o IBGE iniciou a pesquisa de vendas em Mato Grosso, a 2022 o volume de vendas no varejo ampliado (que também reúne construção, veículos e peças) mais que dobrou, registrando crescimento acumulado de 134%. No país todo, a expansão foi de 87% no mesmo intervalo.
O desempenho do comércio mato-grossense segue mostrando resiliência mesmo com os juros em patamares elevados. Nos 12 meses encerrados em janeiro, o volume de vendas no varejo ampliado cresceu 6,2%, ante retração de 0,5% no Brasil.
Um sinal de alerta é a inadimplência, que supera a média nacional. Segundo a Serasa Experian, 49,9% da população adulta do estado está “negativada”. No Brasil todo, o índice é de 43,3%.
Setor de serviços atrai empresas de outros estados
Um setor promissor é o de serviços, segundo dados do IBGE. Um dos segmentos que mais cresceram desde o início do século foi o de transportes e logística, embalado pelas necessidades do agronegócio.
Este cenário está levando mais empresas a buscarem oportunidades na região. “O agronegócio é bem pujante. É um mercado bem promissor”, diz Diego Pettinazzi Rodrigues, diretor de novos negócios do Ascensus Group, grupo catarinense que trabalha com soluções customizadas para comércio exterior, logística, finanças e tributos e que está buscando oportunidades no estado.
É um caminho que já foi trilhado por um dos maiores escritórios de advocacia do país, o Nelson Wilians Advogados, de São Paulo, que abriu uma unidade no estado há 15 anos. Segundo Marcel Daltro, sócio-diretor e responsável pelo escritório no Mato Grosso, o agronegócio está cada vez mais se profissionalizando e demandando mais serviços.
“Uma nova geração está assumindo as rédeas dos negócios e procurando, cada vez mais, ser melhor assessorada”, diz. Demandas que estão em alta, segundo ele, são ligadas a questões societárias, de ESG (ambientais, sociais e de governança), de compliance (controles de integridade e transparência) e de acesso a crédito.
2023 é mais um ano de boas expectativas para Mato Grosso
Segundo o Bradesco, em 2023 bom desempenho do agronegócio deve novamente impulsionar Mato Grosso e os demais estados do Centro-Oeste. “Além do incremento na produção, a região é beneficiada também pela elevada participação do setor na economia local: somente a agropecuária responde por quase 15% das atividades”, diz relatório do banco. No Mato Grosso, essa fatia é ainda maior, de 29%, segundo dados de 2020 do IBGE.
“O setor de transporte e as indústrias de alimentos e insumos tendem a ser os mais beneficiados pelo cenário agrícola positivo”, afirma o Bradesco. Segundo o Banco Central, a safra de grãos recorde deve amortecer os impactos da desaceleração de outros setores.
“Mato Grosso continuará sendo destaque entre as unidades da federação no desempenho do PIB deste ano”, diz Saito, da Tendências. A projeção da consultoria é de uma expansão de 2,9% no PIB de Mato Grosso em 2023, com boas perspectivas para a agropecuária e a continuidade dos bons desempenhos das indústrias de alimentos e biocombustíveis.
Logística é grande desafio em Mato Grosso
Em meio a uma série de indicadores positivos, Mato Grosso enfrenta um importante desafio para seguir crescendo: logística para escoar a produção agrícola.
Ferrovias só chegam até Rondonópolis, no sul do estado. Importantes áreas produtoras de soja estão distantes. É o caso de Sinop, 700 quilômetros ao norte. Um dos principais portos de escoamento da safra da região é o de Paranaguá (PR), a 2,3 mil quilômetros.
Camila Saito, da Tendências, ressalta as melhoras dos últimos anos, com o desenvolvimento de portos na Arco Norte, como é o caso de Miritituba (PA), e a pavimentação da BR-163. “Isso representou ganho de eficiência no transporte de grãos, possibilitando o barateamento do frete”, diz. Os terminais do Arco Norte já escoam mais grãos da safra mato-grossense que o porto de Santos.
Mas ainda há muito o que avançar para melhorar o escoamento da safra. Uma alternativa para a região seria a construção da Ferrogrão, ligando Sinop ao porto fluvial de Miritituba, no rio Tapajós. O projeto da ferrovia, de 933 quilômetros e avaliado em R$ 8,3 bilhões, segundo a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), visa consolidar um novo corredor para exportação.
A tramitação do projeto, porém, está suspensa desde março de 2021, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes atendeu a uma liminar do PSOL. O partido argumenta que o traçado da ferrovia cortaria o Parque Nacional do Jamanxim, no Pará, provocando danos ao meio ambiente.

Economia
Projeto mapeia caminhos para economia verde no Nordeste
Um projeto começou a percorrer os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades econômicas, setores produtivos, capacidades e competências capazes de contribuir para a transição da região para uma economia de baixo carbono. A iniciativa, chamada Futuros Verdes no Nordeste, reúne o Instituto Clima e Sociedade (iCS) e o Centro de Estudos e Sistemas Avançados de Recife (CESAR).

A proposta é ouvir especialistas e representantes do setor produtivo para transformar o conhecimento sobre sustentabilidade em orientações estratégicas que considerem a diversidade dos territórios nordestinos. O mapeamento também pretende identificar as necessidades de formação e capacitação de profissionais diante das novas exigências impostas pelas mudanças climáticas e pela transformação dos modelos produtivos.
Para Diogo Araújo, biólogo, analista do CESAR e um dos coordenadores do projeto, a transição para uma economia de baixo carbono não acontece de forma automática.
“As oportunidades não se distribuem automaticamente e também não vai ter uma transformação de forma tão natural e tão automática […]. Então é por isso que o Futuros Verdes no Nordeste nasce. Para compreender essa complexidade.”
A região reúne, ao mesmo tempo, alguns dos principais desafios provocados pelas mudanças climáticas e um conjunto de potencialidades para o desenvolvimento de alternativas produtivas mais sustentáveis.
Segundo o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), a caatinga é um dos biomas mais ameaçados pela desertificação em todo o mundo. Em 2025, segundo o Mapbiomas, três dos cinco estados que mais desmataram estavam no Nordeste: Maranhão, Piauí e Bahia. Quatro das sete cidades brasileiras mais ameaçadas pela elevação do nível do mar também estão na região, segundo a Climate Central: Recife, São Luís, Fortaleza e Salvador.
Por outro lado, 92% de toda a energia eólica produzida no país vem do Nordeste. A região também abriga cinco das 10 maiores usinas solares e tem no turismo uma importante fonte de geração de recursos.
Para o gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Mário Cardoso, as oportunidades podem ser ainda mais amplas.
“Você tem potencialidade na bioeconomia, na biodiversidade da caatinga, na questão de biomassa e energia renovável, tanto com etanol quanto energia solar, as energias renováveis, solar e eólica, tudo isso você tem potencialidade”, lista Mario Cardoso, Gerente de Recursos Naturais da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Mas ele emenda uma questão: “Agora, como transformar essa potencialidade em desenvolvimento?
Para o especialista, a resposta é complexa e envolve, entre outros fatores, cadeia de produção, demanda do setor produtivo, potencial de mercado, viabilidade técnica e capacidade de implementação.
“Tem locais que têm vocação para a produção de energia eólica? Tem. Mas ele também depende da linha de transmissão. Potencial, por si só, não gera desenvolvimento. Tem toda uma estratégia por trás, uma condição, uma infraestrutura, uma regulação, tudo o que suporte esse potencial. Não tem resposta simples, não tem solução de prateleira.”
A capacidade de implementação passa também pela formação de profissionais habilitados às novas demandas. Nicolis Amaral, do Instituto Clima e Sociedade (iCS), acredita que é preciso fazer ajustes na formação dos profissionais que vão encarar os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
“As profissões começam a se transformar por demanda” explica a ativista que se formou como engenheira química, mas que apresenta sua própria transição de carreira como um exemplo das mudanças que precisam ser feitas:
“A gente começa a olhar essa grade curricular mais engessada. Eu, por exemplo, sou engenheira química. A minha engenharia química foi focada no petróleo, não foi focada na economia verde. Então, ao longo do tempo, fui me especializando […] hoje eu me vejo como especialista em descarbonização por cursos adicionais, não pela minha graduação.”
Nicolis participa do projeto que percorre os nove estados do Nordeste para mapear oportunidades e pensar na capacitação de profissionais que possam responder às novas exigências.
“Tudo que é demandado é a transformação e o emprego verde vai exigir uma transformação contínua. Tem demanda, tem mercado, tem projeto, tem investimento, junto vem empregabilidade.” defende a engenheira de descarbonização.
Para Cardoso, transformar as potencialidades da região em desenvolvimento exige planejamento e rapidez. Ele lembra que empresas que não adotam processos mais sustentáveis podem perder espaço no mercado e cita as exigências ambientais que vêm sendo estabelecidas por países e blocos econômicos, como a União Europeia.
O desafio, segundo ele, é impedir que a degradação ambiental elimine oportunidades antes mesmo que elas possam se transformar em cadeias produtivas.
“Quando a gente trata da bioeconomia, muitas vezes o desmatamento vem antes e acaba com tudo. A gente tem que correr. Tem que começar a pensar de uma maneira mais pragmática, porque o mundo está andando muito depressa. Hoje, [se] a gente não consegue fazer, o outro lá fora faz e daqui a gente compra dele. Se a gente não transforma nossa bioeconomia, nosso açaí por exemplo, num produto realmente de peso no Brasil, daqui a pouco a gente vai estar comprando ele de outra pessoa, de outro país.
-
Cidades4 dias atrásPivetta cobra providências de prefeita após vídeo de diretor do DAE recebendo dinheiro
-
Política5 dias atrásCRE aprova marco da OIT sobre saúde e segurança no trabalho
-
Política3 dias atrásEleições: propaganda eleitoral começa neste domingo
-
Cidades3 dias atrás“Não venham dizer que é eleitoreira”, dispara Wellington sobre operação contra Mauro
-
Cidades4 dias atrásSinfra avança na compra de equipamentos para Aliança pela Água em VG, afirma Pivetta
-
Política5 dias atrásSenado celebrará criação da Frente Parlamentar pela Paz Mundial
-
Política4 dias atrásCMO aprova crédito extra para atender vítimas de desastres climáticos
-
Política4 dias atrásApós acordo, redução de tributos sobre combustíveis vai à sanção

