Economia
Dólar passa dos R$ 4 com guerra comercial e eleição argentina
Economia
Da Redação
O dólar sobe fortemente ante o real nesta segunda-feira, 12, superando o nível de R$ 4, em meio à preocupação com o prolongamento da disputa comercial entre Estados Unidos e China e às perspectivas de que o presidente argentino, Mauricio Macri, não conseguirá se reeleger nas eleições de outubro.
Às 10h32, o dólar avançava 1,71%, a R$ 4,0079, depois de chegar na máxima de R$ 4,0119. Na sexta-feira, o dólar encerrou o dia em alta de 0,33%, cotado a R$ 3,9405. Foi a quarta semana consecutiva de alta. No mesmo horário, o Ibovespa tinha queda de 1,95%, chegando aos 101.963,34 pontos.
“A falta de novidade em relação à tratativa comercial está deixando investidores muito apreensivos. Não sabemos quanto tempo isso vai durar, há preocupação de que essa guerra comercial possa se prolongar e isso está assustando um pouco os investidores”, afirmou a economista da CM Capital Markets, Camila Abdelmalack, acrescentando que isso poderá implicar em revisões às projeções de crescimento das principais economias do mundo.
Nesta segunda-feira, um novo fator contribui para o sentimento de aversão ao risco, mais especificamente sobre os emergentes, após eleições primárias na Argentina no fim de semana apontarem para uma derrota da chapa de Macri.
Os eleitores rejeitaram com ênfase as políticas econômicas austeras de Macri. A coalizão que apoia o candidato de oposição Alberto Fernández – cuja companheira de chapa é a ex-presidente Cristina Kirchner – liderava com 47,3% dos votos, uma vantagem de 15 pontos porcentuais, com 88% das urnas apuradas.
Investidores veem Fernández como uma perspectiva mais arriscada do que o pró-mercado Macri devido às políticas intervencionistas prévias da oposição.
Noticiário global mexe com a Bolsa
O Ibovespa abriu a sessão de negócios em queda forte e logo perdeu mais de 2 mil pontos, também sob efeito no noticiário global. Por volta das 10h30, o fundo de índice (ETF, na sigla em inglês) argentino Global X MSCI Argentina ETF tinha baixa de mais de 20% nos negócios do pré-mercado em Nova York em razão da derrota de Macri nas primárias.
Nesta segunda, o Banco do Povo da China (PBoC, na sigla em inglês) fixou o câmbio a 7,0211 yuans por dólar, a terceira alta seguida acima do patamar de 7,00, o que ficou abaixo do esperado por analistas. Há uma semana, a instituição depreciou a moeda chinesa ante a americana para além daquela marca de 7,00 yuans por dólar desde 2008, o que recebeu como resposta do Departamento do Tesouro dos EUA a declaração de que a China manipula sua divisa para obter vantagens comerciais.
Não bastassem os ataques por parte dos EUA, protestos em Hong Kong contra a China avançam e chegam à décima semana. As manifestações levaram cerca de 5 mil manifestantes ao aeroporto internacional de Hong Kong e provocaram a suspensão das decolagens de aeronaves por toda a segunda-feira.
Fonte: https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-passa-dos-r-4-com-guerra-comercial-e-eleicao-argentina,70002964380 / Simone Cavalcanti e Reuters
Foto: Epitácio Pessoa/AE
Economia
Durigan defende que Brasil deve ampliar comércio exterior
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, defendeu nesta segunda-feira (17) a estratégia de abertura do comércio de produtos brasileiros para outros países. 

Segundo ele, outros governos e investidores olham para o Brasil com confiança. “Em um mundo de incertezas, temos de construir o Brasil como um porto seguro, temos de projetar segurança e previsibilidade”, disse ao participar de evento na capital paulista.
Para Durigan, essa abertura deve ser baseada em negociações e não de dependência de um parceiro exclusivo, na Ásia ou na América do Norte, por exemplo.
“[O Brasil] vai fazer o debate sabendo de suas fraquezas e fortalezas”, apontou.
A fala do ministro ocorre no momento de tensão entre Brasil e Estados Unidos. Na semana passada, o governo federal anunciou a abertura formal do processo para avaliar se a imposição unilateral de tarifas por parte dos Estados Unidos (EUA) contra exportações brasileiras será respondida com base na Lei da Reciprocidade Econômica.
Aprovada no ano passado, justamente em reação ao primeiro tarifaço do governo de Donald Trump, a Lei nº 15.122 estabelece critérios para suspensão de concessões comerciais em resposta a ações, políticas ou práticas unilaterais de outro país que impacte negativamente a competitividade econômica do Brasil.
Medidas fiscais
Durigan também argumentou sobre a adoção de medidas, como bloqueio de orçamento e limite de gastos obrigatórios, para que o país mantenha a estabilidade fiscal.
“Precisamos manter uma trajetória fiscal, sem desestabilizar”, disse.
Sobre a reforma tributária, o ministro reconhece que pode amedrontar, por impor muitas mudanças. Porém, Durigan acredita que 2027 será um importante ano para a transição, e que, ao final, resultará em um sistema melhor, a médio e longo prazo, para o país.
A questão dos juros também foi abordada. Durigan afirmou que não há condições de discutir crédito no país sem “juros civilizados”, por, conforme o ministro, serem a “milha final” dos ajustes de médio prazo necessários para o desenvolvimento do país.
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