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Setor florestal reforça protagonismo do Brasil no mercado global

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O Brasil ampliou sua base florestal plantada e consolidou a posição como potência global em celulose, em um movimento puxado principalmente por Minas Gerais, que lidera a produção de eucalipto e concentra a maior área cultivada do país.

Dados da Indústria Brasileira de Árvores (Ibá) mostram que o país atingiu cerca de 10,5 milhões de hectares de árvores plantadas, voltadas à produção industrial e restauração. Além disso, o setor mantém mais de 7 milhões de hectares de áreas nativas conservadas, o que reforça o modelo baseado em produção e preservação.

Nesse cenário, Minas Gerais se destaca como principal polo florestal do país. O estado reúne aproximadamente 2,2 milhões de hectares de eucalipto, o equivalente a cerca de 27% da área nacional. A base produtiva está ligada tanto à indústria de celulose quanto à produção de carvão vegetal, essencial para o setor siderúrgico.

A dimensão do setor ajuda a explicar esse protagonismo. Em 2025, o Brasil produziu cerca de 25,5 milhões de toneladas de celulose, mantendo-se como maior exportador global e segundo maior produtor. As exportações de produtos florestais somaram aproximadamente R$ 81,6 bilhões, incluindo celulose, papéis e painéis de madeira.

Minas ocupa posição estratégica nesse fluxo. Além da liderança em área plantada, o estado concentra parte relevante da produção de carvão vegetal, insumo-chave para a siderurgia a base de ferro-gusa. O Brasil, por sua vez, lidera a produção mundial desse produto, com cerca de 6,6 milhões de toneladas anuais.

O avanço da base florestal brasileira é sustentado por ganhos de produtividade e tecnologia. As florestas plantadas no país estão entre as mais eficientes do mundo, com ciclos mais curtos e maior rendimento por hectare, fator que reduz custo e amplia competitividade internacional.

Para o produtor e para a cadeia do agro, o setor florestal assume papel crescente como alternativa de diversificação de renda e integração produtiva. O cultivo de eucalipto, por exemplo, tem avançado em sistemas integrados e como opção de uso de áreas marginais, ampliando o portfólio de produção no campo.

Ao mesmo tempo, a expansão do setor acompanha uma tendência global de maior demanda por produtos renováveis e de base florestal. Nesse contexto, Minas Gerais se consolida como eixo central dessa cadeia no Brasil, tanto pela escala quanto pela capacidade de integração com diferentes segmentos industriais.

Na prática, o avanço da silvicultura reforça um movimento mais amplo no agro brasileiro: a busca por atividades que combinem produtividade, sustentabilidade e inserção internacional — três fatores que têm guiado a expansão do setor nos últimos anos.

Fonte: Pensar Agro



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MT é o primeiro contemplado com nova linha de crédito para pecuária sustentável

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A pecuária do Mato Grosso se tornou o primeiro case do Brasil a conseguir financiamento da linha Eco Invest 2, especifica para estruturar um projeto que mantenha o rebanho e não deixe a área migrar para outras atividades como lavoura ou florestas. A Novapec obteve acesso aos recursos do programa do Governo Federal, voltado à recuperação de áreas degradadas e ao incentivo à produção sustentável, e nesta primeira etapa do projeto, a previsão é de recuperar mais de 3 mil hectares de pastagens e intensificar a produção com a Terminação Intensiva a Pasto (TIP) e a Recria Intensiva a Pasto (RIP).

A operação é complexa e levou cerca de um ano para ser estruturada e aprovada. Mas, segundo Arlindo Vilela, diretor da Novapec, o financiamento representa uma oportunidade de transformar investimentos em sustentabilidade com resultados econômicos para o produtor rural.

“É uma linha com foco na sustentabilidade, com recursos e taxas atrativos, por isto mesmo com alto nível de exigência para captar, necessitando de um elevado nível de gestão, organização e compliance”, explica o pecuarista.

O Eco Invest Brasil é um programa que busca atrair investimentos públicos e privados para projetos sustentáveis. Sua segunda linha, conhecida como Eco Invest 2, foi lançada em abril de 2025, com foco na recuperação produtiva de terras degradadas, permitindo que essas áreas voltem a ser utilizadas na agricultura, pecuária e em sistemas integrados de produção.

O programa utiliza um modelo de financiamento combinado, no qual recursos públicos são empregados para estimular a participação de instituições financeiras e investidores privados. A proposta é ampliar a oferta de crédito para projetos ambientais, com condições que favoreçam investimentos de longo prazo.

No segundo leilão do programa, realizado em 2025, foram contemplados R$ 16,5 bilhões em recursos públicos, com previsão de mobilizar R$ 30,2 bilhões em investimentos e recuperar aproximadamente 1,4 milhão de hectares em diferentes regiões do país.

Para o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, iniciativas como o Eco Invest 2 são importantes para ampliar o acesso dos pecuaristas a recursos destinados à modernização das propriedades e à adoção de práticas sustentáveis.

“O financiamento é uma ferramenta importante para que o produtor consiga investir em tecnologia, recuperar áreas degradadas e aumentar a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas. Também é uma forma de reconhecer e beneficiar os pecuaristas que já adotam boas práticas ambientais, demonstrando que a sustentabilidade pode trazer resultados econômicos concretos para a atividade”, destaca o diretor de Projetos do Imac.

Para conseguir a aprovação do financiamento, a Novapec contou com o apoio técnico do Imac na resolução de questões ambientais relacionadas à propriedade. Um dos principais entraves envolvia a existência de uma Área de Proteção Ambiental (APA) em uma das fazendas, situação que que precisou ser esclarecida durante a análise do projeto.

“O Imac foi fundamental pois ajudou com sua estrutura ambiental interna a solucionar os entraves que consultorias de fora do Mato Grosso tinham um entendimento totalmente equivocado. Se não lutarmos e buscarmos os caminhos, mesmo estando certos, seremos desaprovados em vários sentidos por pessoas que não conhecem a realidade do assunto”, relata Vilela.

Com a aprovação deste Ecoinvest, o pecuarista pretende avançar na intensificação com sustentabilidade. Para ele, o acesso a este crédito, representa uma mudança na forma como os investimentos ambientais começam a ser tratados pelo setor financeiro.

“O caminho que temos defendido é que a intensificação é uma das maiores ferramentas da sustentabilidade e essa é a primeira vez que temos um retorno realmente efetivo por defendermos estas técnicas sustentáveis. Isso é um projeto disruptivo com um potencial fantástico para a pecuária do Mato Grosso”, enfatiza.



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