Agricultura
Agro rejeita aumento de imposto sobre defensivos, mas indústria quer 35%
Agricultura
A tentativa de elevar o imposto de importação de defensivos agrícolas sofreu um revés nesta sexta-feira (6), após a maioria das entidades que integram a Câmara Temática de Insumos Agropecuários do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) rejeitar a proposta. A decisão representa um primeiro resultado favorável aos produtores rurais, que temem o encarecimento dos insumos utilizados nas lavouras. A disputa, entretanto, continua: o governo federal deverá analisar o pedido na próxima terça-feira (10).
A proposta apresentada pela Associação Brasileira das Indústrias de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina) prevê elevar de zero para 8% ou 10%, durante 12 meses, a tarifa de importação de quatro defensivos: fipronil, glufosinato de amônio, tebutiurom e triclopir. Os produtos são utilizados no controle de pragas e plantas daninhas em diferentes atividades agrícolas.
A rejeição ocorreu em reunião extraordinária realizada na sexta-feira, depois de discussões que envolveram 44 entidades. Entre as organizações contrárias ao aumento estão a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja), a Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), a Associação Nacional das Empresas de Produtos Fitossanitários (Aenda) e representantes da distribuição de insumos. A Abifina e o Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg) defenderam a elevação das tarifas.
A votação, porém, não altera os impostos atualmente cobrados. A Câmara Temática tem caráter consultivo e sua manifestação servirá para orientar o posicionamento do Ministério da Agricultura na análise do pedido pelo Comitê de Alterações Tarifárias (CAT), da Câmara de Comércio Exterior (Camex), marcada para terça-feira. Caso não haja unanimidade, a discussão seguirá para o Comitê-Executivo de Gestão (Gecex).
O conflito envolve interesses econômicos importantes. A indústria instalada no Brasil argumenta que enfrenta custos elevados de produção e concorrência crescente dos defensivos importados, principalmente da China. Para os fabricantes, a elevação das tarifas ajudaria a preservar a capacidade industrial, os empregos e os investimentos no país.
As entidades rurais sustentam que a medida acabaria transferindo parte desses custos para o agricultor. A preocupação é maior nas culturas que exigem investimentos expressivos em proteção das lavouras, como soja, milho e algodão. Em um período de endividamento elevado e margens reduzidas, o aumento das despesas com defensivos poderia comprometer a rentabilidade da produção.
O impacto sobre os preços dependeria da concorrência entre fornecedores e da disponibilidade de produtos nacionais equivalentes. Uma tarifa de 10%, por exemplo, não significa necessariamente aumento de 10% no preço final pago pelo produtor. Entretanto, quando há poucas alternativas de fornecimento, parte da tributação adicional tende a ser repassada ao comprador.
A disputa é ainda mais ampla. Em outubro, o Sindiveg apresentou à Camex pedidos para elevar a até 35% as tarifas de importação de determinados defensivos genéricos formulados. Essa proposta é distinta daquela rejeitada na sexta-feira e ainda não tem data definida para deliberação.
O avanço dos produtos chineses ajuda a explicar a reação da indústria. Entre janeiro e setembro deste ano, as importações brasileiras de defensivos alcançaram aproximadamente US$ 2,79 bilhões, dos quais US$ 1,36 bilhão tiveram origem na China, segundo dados de comércio exterior divulgados pelo setor. O país asiático respondeu, portanto, por quase metade das compras externas no período.
Por outro lado, parte da própria indústria brasileira depende da importação de ingredientes ativos utilizados na formulação dos defensivos comercializados no mercado interno. Isso torna a discussão mais complexa, porque a proteção tarifária sobre produtos acabados não elimina os custos de produção nem garante, isoladamente, a expansão da fabricação nacional.
A Aenda argumenta que aumentos anteriores das tarifas de produtos como glifosato, acefato e 2,4-D não resultaram necessariamente em crescimento da produção brasileira. A entidade defende medidas estruturais para fortalecer a indústria, incluindo melhores condições de financiamento e redução dos custos de fabricação.
Em sentido contrário às propostas de aumento, a associação também solicitou à Camex a redução de 7,2% para zero do imposto de importação de determinados inseticidas formulados em embalagens de até 7,5 quilos. A intenção é equiparar o tratamento tributário ao das embalagens maiores, que já contam com isenção. Esse pedido também está previsto para análise na terça-feira.
O debate coloca o governo diante de dois objetivos que precisam ser conciliados: fortalecer a indústria nacional de defensivos e preservar a competitividade da agricultura brasileira. Para os produtores, a preocupação imediata é evitar que a proteção à fabricação interna se transforme em aumento das despesas necessárias para manter a produtividade das lavouras.
A decisão da próxima terça-feira será mais uma etapa desse processo. Até o momento, nenhuma das propostas de elevação examinadas na reunião de sexta-feira resultou em mudança efetiva das tarifas. O resultado da votação da Câmara Temática sinaliza resistência do setor produtivo, mas a definição continuará nas mãos dos órgãos responsáveis pela política de comércio exterior.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Quebra de 9,3% de países concorrentes abre oportunidades para o Brasil
A previsão de queda na produção de café da América Central e do México abre uma oportunidade comercial para os produtores brasileiros, especialmente no mercado de arábica. Enquanto países concorrentes enfrentam problemas climáticos e perdas de produtividade, o Brasil caminha para encerrar 2026 com uma safra recorde de 67,6 milhões de sacas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). A combinação entre maior disponibilidade nacional e menor oferta em outros países pode favorecer a presença brasileira no comércio internacional e ajudar a sustentar os preços.
O novo cenário foi apresentado pela comercializadora internacional Sucafina, que estima uma redução de 9,3% na produção conjunta da América Central e do México na safra 2026/27, iniciada em outubro. O volume deverá ficar abaixo de 18 milhões de sacas de 60 quilos, depois de alcançar 19,68 milhões na temporada anterior. A diferença representa uma redução estimada superior a 1,8 milhão de sacas.
Honduras e México devem registrar as maiores quedas, seguidos pela Guatemala. Esses países disputam espaço com o Brasil em importantes mercados consumidores, especialmente no fornecimento de café arábica. Uma oferta menor pode levar compradores internacionais a buscar volumes adicionais em outras origens, criando oportunidades para exportadores brasileiros.
A situação se torna ainda mais favorável ao Brasil quando se observa o desempenho da produção nacional. A Conab estima crescimento de 19,6% na safra brasileira de 2026, que deverá alcançar o maior volume de sua série histórica. O destaque é justamente o arábica, com previsão de 48,2 milhões de sacas, aumento de 34,8% em relação ao ano passado.
Minas Gerais, principal produtor nacional, responde por aproximadamente 35 milhões de sacas de arábica. São Paulo também apresenta recuperação expressiva, com produção estimada em 6,19 milhões de sacas da variedade. O avanço foi favorecido pela bienalidade positiva dos cafezais, pelas condições climáticas durante o desenvolvimento das lavouras e pelos investimentos em tecnologia.
Além da redução do volume, os concorrentes enfrentam dificuldades relacionadas à qualidade dos grãos. Segundo a Sucafina, a falta de chuvas e as temperaturas elevadas prejudicaram o desenvolvimento dos frutos em diferentes regiões produtoras. Também foram identificados problemas de enchimento dos grãos e aumento dos danos provocados pela broca-do-café.
Essas dificuldades podem favorecer cafés brasileiros que atendam aos padrões exigidos pelos compradores internacionais. No mercado de arábica, a regularidade do fornecimento, a classificação dos grãos e a qualidade da bebida são fatores importantes na escolha da origem. A eventual redução da disponibilidade de determinados padrões de café na América Central pode ampliar o interesse por produtos brasileiros equivalentes.
O movimento ocorre em um mercado mundial que continua crescendo. De acordo com estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o consumo global deverá alcançar 179,7 milhões de sacas em 2026/27, avanço de 3,6% em relação ao ciclo anterior. A demanda crescente oferece espaço para fornecedores capazes de manter volumes regulares e atender às exigências de qualidade.
A oportunidade, entretanto, não significa aumento automático das cotações. O USDA também projeta produção mundial recorde de 189,7 milhões de sacas, com recuperação da oferta em importantes países produtores. Esse cenário pode limitar a valorização internacional, mesmo diante das perdas previstas na América Central.
Para o cafeicultor brasileiro, a combinação entre maior produção nacional e dificuldades de concorrentes reforça a importância do planejamento comercial. A disponibilidade de café permite atender novos pedidos, mas a rentabilidade dependerá dos preços negociados, do câmbio, da qualidade dos lotes e dos custos de produção.
A perspectiva é particularmente relevante para produtores de arábica de Minas Gerais, São Paulo e outras regiões tradicionais. Com a colheita brasileira praticamente concluída, o país dispõe de uma oferta expressiva justamente quando a safra de concorrentes começa a apresentar sinais de redução.
A confirmação das perdas dependerá do andamento da colheita na América Central e no México, que deverá atingir seu período de maior intensidade entre dezembro e fevereiro. Até lá, a estimativa da Sucafina representa um sinal favorável à competitividade brasileira, mas ainda não uma garantia de novos contratos ou preços mais elevados.
Para o Brasil, o principal ganho potencial está na possibilidade de ampliar sua participação nos mercados internacionais, aproveitando a combinação entre uma safra volumosa, capacidade exportadora e dificuldades enfrentadas por fornecedores concorrentes. Em um setor no qual a confiança dos compradores depende de qualidade e regularidade, a disponibilidade de café brasileiro pode se transformar em uma vantagem comercial importante.
Fonte: Pensar Agro
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