Economia
Crise na Oi se acirra às vésperas da assembleia
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Detentores da dívida afirmam que suas preocupações são ignoradas por novo plano de recuperação, que beneficia os atuais acionistas
Da Redação
Os principais credores da Oi fizeram ontem pesadas críticas ao novo plano de reestruturação apresentado pela operadora na noite de quarta-feira. Em recuperação judicial desde junho de 2016, o maior processo da história do País, com dívidas de quase R$ 65 bilhões, os detentores de títulos de dívidas da companhia argumentam que a nova versão de recuperação da tele apresentada pela Oi beneficia os principais acionistas.
Às vésperas da assembleia, que será realizada dia 23 de outubro, e definirá o futuro da operadora, a crise entre sócios e principais credores da quarta maior operadora do País ainda está longe de chegar ao fim. A Oi foi uma aposta da gestão petista de criar uma campeã nacional das telecomunicações, ao promover a fusão do grupo nacional com a portuguesa Portugal Telecom (PT).
Em comunicado ao mercado ontem, os principais detentores de títulos de dívidas internacionais (conhecidos no mercado como “bondholders”), representados por G5/Evercore e Moelis & Company, atacaram a proposta da tele: “O plano de reestruturação revisado do grupo Oi ignora as preocupações dos credores, ameaça a viabilidade da empresa a longo prazo e enriquece, abusivamente, os atuais acionistas”. Esses dois grupos detêm, juntos, cerca de R$ 22 bilhões em dívidas.
A direção da Oi pretende iniciar reuniões com os detentores de títulos internacionais para tentar atenuar as contestações.
Discordância. A discordância sobre os termos da nova versão do plano começou ainda no conselho de administração. Os ajustes no plano foram aprovados por maioria, não unanimidade.
As vozes dissonantes, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, foram dos conselheiros independentes indicados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Duarte e Ricardo Reisen. Eles entendem que, a despeito de avanços, a proposta costurada pelo acionista Tanure ainda traz um ônus financeiro excessivo para a tele.
Entre os pontos questionados estariam o pagamento de comissão aos credores que se comprometeram a participar do aumento de capital e até de uma taxa de encerramento no caso deste ser abortado. Além de muito pesados, esses incentivos podem acabar não tendo contrapartida para a empresa.
Embora os dois nomes sejam independentes, uma fonte confirma que o BNDES não vê a proposta liderada por Tanure como ideal. Detentor de R$ 3,3 bilhões a receber na recuperação judicial, o banco também é um credor de peso (tem 5% da dívida ), além de politicamente influente.
A instituição também participa do grupo coordenado pela Advocacia Geral da União (AGU) para discutir soluções para evitar a falência da tele, o que pode limitar sua atuação solo no caso. Procurado, o BNDES também não comenta.
O governo busca uma solução para tele, que esteve prestes a ser interditada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem quase R$ 15 bilhões para receber.
Segundo relatório do BTG Pactual, o plano implica em uma redução de 73% no valor a receber pelos credores. O Credit Suisse adotou um tom moderado, apesar da euforia do mercado – ontem as ações preferenciais da Oi avançaram 23,76%, a R$ 5, enquanto as ordinárias subiram 14,98%, a R$ 5,91. Para o banco, a eventual aprovação da proposta implicará em um ganho para as ações, mas os termos do plano estão longe do desejado pelos credores.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Divulgação
Economia
Acordo entre Mercosul e Singapura garante tarifa zero para exportações
Entra em vigor a partir do próximo sábado (1º) o Acordo Mercosul-Singapura, que deverá reduzir ou eliminar gradualmente as tarifas entre o país asiático e o bloco sul americano. 

A parceria garante tarifa zero para 100% das exportações brasileiras destinadas ao país asiático. O texto também trará a definição de critérios comuns para as operações comerciais.
Além da redução de tarifas, o acordo amplia o acesso ao mercado de serviços, incentiva investimentos e inclui um capítulo específico sobre comércio eletrônico, o primeiro negociado pelo Mercosul com um parceiro extrarregional.
O acordo com Singapura já está valendo no Uruguai desde março e no Paraguai desde fevereiro.
Em 2025, a corrente de comércio entre Brasil e Singapura atingiu US$ 10,7 bilhões. As exportações brasileiras somaram US$ 7,4 bilhões, com superávit comercial de US$ 4,1 bilhões. Entre os principais produtos vendidos estão óleos combustíveis, máquinas e carnes bovina, suína e de aves.
O governo brasileiro disponibilizou manuais para serviços de orientação para exportadores, importadores e operadores de comércio exterior. As informações estão disponíveis no Portal Siscomex.
As informações disponibilizadas trazem informações sobre as regras para aplicação das preferências tarifárias, os critérios de origem das mercadorias e os procedimentos necessários para realizar operações de comércio exterior no âmbito do acordo.
O acordo foi assinado em 2022 e a expectativa do governo brasileiro à época era de incrementar o Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e dos serviços produzidos) em R$ 28,1 bilhões até 2041.
Negociado desde 2018, o acordo com Singapura deverá aumentar em US$ 500 milhões por ano as exportações do Mercosul para o país asiático.
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