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Crise na Oi se acirra às vésperas da assembleia

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Detentores da dívida afirmam que suas preocupações são ignoradas por novo plano de recuperação, que beneficia os atuais acionistas

Da Redação

 

Os principais credores da Oi fizeram ontem pesadas críticas ao novo plano de reestruturação apresentado pela operadora na noite de quarta-feira. Em recuperação judicial desde junho de 2016, o maior processo da história do País, com dívidas de quase R$ 65 bilhões, os detentores de títulos de dívidas da companhia argumentam que a nova versão de recuperação da tele apresentada pela Oi beneficia os principais acionistas.

Às vésperas da assembleia, que será realizada dia 23 de outubro, e definirá o futuro da operadora, a crise entre sócios e principais credores da quarta maior operadora do País ainda está longe de chegar ao fim. A Oi foi uma aposta da gestão petista de criar uma campeã nacional das telecomunicações, ao promover a fusão do grupo nacional com a portuguesa Portugal Telecom (PT). 

Em comunicado ao mercado ontem, os principais detentores de títulos de dívidas internacionais (conhecidos no mercado como “bondholders”), representados por G5/Evercore e Moelis & Company, atacaram a proposta da tele: “O plano de reestruturação revisado do grupo Oi ignora as preocupações dos credores, ameaça a viabilidade da empresa a longo prazo e enriquece, abusivamente, os atuais acionistas”. Esses dois grupos detêm, juntos, cerca de R$ 22 bilhões em dívidas.

A reação negativa já era esperada, uma vez que esses credores reivindicavam a entrega de 88% do capital da Oi em troca das dívidas. Por sua vez, a tele propôs a troca por uma nova debênture (título de dívida) de R$ 5,8 bilhões, mais a conversão de R$ 3 bilhões em 15% ou 25% do capital. Os maiores acionistas são a Pharol (ex-PT) e o empresário Nelson Tanure. Procurada, a Oi não comenta.

A direção da Oi pretende iniciar reuniões com os detentores de títulos internacionais para tentar atenuar as contestações.

Discordância. A discordância sobre os termos da nova versão do plano começou ainda no conselho de administração. Os ajustes no plano foram aprovados por maioria, não unanimidade.

As vozes dissonantes, segundo fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast, foram dos conselheiros independentes indicados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Marcos Duarte e Ricardo Reisen. Eles entendem que, a despeito de avanços, a proposta costurada pelo acionista Tanure ainda traz um ônus financeiro excessivo para a tele.

Entre os pontos questionados estariam o pagamento de comissão aos credores que se comprometeram a participar do aumento de capital e até de uma taxa de encerramento no caso deste ser abortado. Além de muito pesados, esses incentivos podem acabar não tendo contrapartida para a empresa.

Embora os dois nomes sejam independentes, uma fonte confirma que o BNDES não vê a proposta liderada por Tanure como ideal. Detentor de R$ 3,3 bilhões a receber na recuperação judicial, o banco também é um credor de peso (tem 5% da dívida ), além de politicamente influente. 

A instituição também participa do grupo coordenado pela Advocacia Geral da União (AGU) para discutir soluções para evitar a falência da tele, o que pode limitar sua atuação solo no caso. Procurado, o BNDES também não comenta.

O governo busca uma solução para tele, que esteve prestes a ser interditada. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) tem quase R$ 15 bilhões para receber.

Segundo relatório do BTG Pactual, o plano implica em uma redução de 73% no valor a receber pelos credores. O Credit Suisse adotou um tom moderado, apesar da euforia do mercado – ontem as ações preferenciais da Oi avançaram 23,76%, a R$ 5, enquanto as ordinárias subiram 14,98%, a R$ 5,91. Para o banco, a eventual aprovação da proposta implicará em um ganho para as ações, mas os termos do plano estão longe do desejado pelos credores.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo

Foto: Divulgação

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Consumidores podem renegociar dívidas bancárias até 31 de agosto

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Programa de renegociação de dívidas de consumidores, o Desenrola Brasil 2.0 será prorrogado até 31 de agosto, anunciou nesta terça-feira (28) o ministro da Fazenda, Dario Durigan.

Segundo o ministro, a decisão foi tomada em conjunto com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e dará mais um mês para que consumidores renegociem dívidas bancárias e regularizem a situação de crédito.

Durigan ressaltou que a extensão do programa será formalizada por ato do Ministério da Fazenda, que deve ser publicado até sexta-feira (31). As regras do Desenrola permanecem inalteradas e, conforme o ministro, a medida não exigirá novos aportes públicos.

“Nós vamos prorrogar o programa Desenrola até o fim da vigência da medida provisória, que acontece no dia 31 de agosto.”

Mais tempo

Segundo Durigan, o prazo adicional permitirá que pessoas que ainda estão em negociação com instituições financeiras consigam concluir o processo de regularização.

O ministro destacou que a prorrogação também beneficia quem pretende contratar financiamentos. De acordo com ele, a regularização das pendências bancárias facilita o acesso ao crédito.

Entre os beneficiados, destacou Durigan, estão os motoristas de aplicativo, taxistas, entregadores e caminhoneiros que pretendem trocar de veículo por meio do Programa Move Brasil.

“Esse prazo adicional vai ser importante, inclusive, para que as pessoas que hoje estão tentando acessar os programas de moto, de carro, possam resolver eventuais pendências nos bancos, usando o Desenrola, para depois se enquadrar nas condições para as operações de carro e moto”, explicou.

Sem custo

O ministro afirmou que a prorrogação não terá impacto nas contas públicas, uma vez que os recursos destinados ao programa já são suficientes para atender à demanda prevista.

“Isso não demandará novos aportes ao FGO [Fundo de Garantia de Operações], então não há custo adicional do ponto de vista fiscal”, declarou.

Segundo Durigan, as condições de funcionamento do programa também permanecem as mesmas.



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