Esporte
Líder das Eliminatórias, Brasil encara a Colômbia e a euforia
Esporte
Seleção joga novamente sob clima de otimismo, consequência da boa campanha
Da Redação
Uma seleção que não sabe o que é perder ponto nas Eliminatórias desde que Tite assumiu e que se classificou com grande antecedência para a Copa do Mundo criou em torno dela um clima de otimismo que há muito não se via. É assim que o Brasil enfrenta a Colômbia hoje, às 17h30 (de Brasília), em Barranquilla.
A euforia é grande – de brasileiros e colombianos. Apesar de chegar ao hotel onde está concentrada já nos primeiros minutos da madrugada de ontem, a delegação foi recepcionada por pelo menos 300 colombianos, que fizeram muita festa. O número de torcedores era 20 vezes maior do que o visto quando o Brasil começou a se apresentar em Porto Alegre, na semana passada.
Tanta empolgação deixa o treinador em alerta. Tite não quer saber de zona de conforto e já avisou isso aos jogadores. O que ele quer é a consolidação do time.
Hoje, Tite faz cinco mudanças. Mexeu em quase meio time, mas, ainda assim manda a campo um time “titular”. Além de Thiago Silva e Filipe Luís, que entram nas vagas do lesionado Miranda e do suspenso Marcelo, o Brasil terá outras duas novidades. Fernandinho ganhou o lugar de Casemiro no meio campo, e Firmino será o atacante no lugar de Gabriel Jesus. Assim como acontecera em Porto Alegre, Willian iniciará a partida e Philippe Coutinho irá esperar uma chance no banco.
“Queremos formar uma equipe forte. Todos são atletas de altíssimo nível”, afirmou o treinador, logo após o treino de ontem. “Willian permanece, foi bem. O Coutinho está liberado fisicamente para jogar 90 minutos, mas o que eu entendo é que tecnicamente ele não vai render 90 minutos.”
Tite ressaltou que as mudanças visam fortalecer o time. Em sua avaliação, as saídas de Casemiro e Gabriel Jesus mudam muito pouco o estilo de jogo da seleção. “São pequenas diferenças de características”, pontuou. “Essa mudanças são ajustes, nuances, sem quebrar a estrutura. Vai entrar o Fernandinho pra fazer o que fez nos outros jogos e faz no seu clube.”
Capitão neste jogo, Paulinho descartou a possibilidade de a seleção estar numa zona de conforto e disse não estar preocupado com a situação da Colômbia, que precisa pontuar para não correr o risco de despencar na tabela. “A gente não se preocupa com outras coisas a não ser o nosso trabalho”, disse. “Precisamos aproveitar o momento de confiança na seleção, porque fomos nós mesmos que o construímos.”
FICHA TÉCNICA
COLÔMBIA x BRASIL
COLÔMBIA – Ospina; Arias, Murillo, Zapata e Fabra; Sanchéz, Aguilar, Quadrado e James Rodríguez; Chara e Falcao García. Técnico: José Pekerman.
BRASIL – Alisson; Daniel Alves, Thiago Silva, Marquinhos e Filipe Luís; Fernandinho, Paulinho, Renato Augusto e Willian; Roberto Firmino e Neymar. Técnico: Tite.
ÁRBITRO – Jesus Valenzuela (Fifa/Venezuela).
HORÁRIO – 17h30 (de Brasília).
LOCAL – Estádio Roberto Meléndez, em Barranquilla (Colômbia).
Fonte: O Estado de S.Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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