Esporte
Palmeiras se agarra à Libertadores para evitar crise e saídas no elenco
Esporte
Torneio continental vira a salvação tanto para frustrações na temporada, como para não ter baixas no plantel
Da Redação
O Palmeiras não vê a hora de o dia 9 de agosto chegar logo. O clube aguarda com ansiedade a data da partida de volta das oitavas de final da Copa Libertadores, contra o Barcelona, do Equador, para superar o momento de decepção e se proteger de uma crise que pode mexer radicalmente com a temporada do time.
A eliminação na Copa do Brasil diante do Cruzeiro deixou o Palmeiras apenas com a Libertadores como a oportunidade mais real de título no ano. Com chances remotas no Brasileiro, por estar 14 pontos atrás do líder, Corinthians, o clube que investiu cerca de R$ 100 milhões em contratações para 2017 teme amargar o fracasso de, em caso de nova queda, ver a temporada acabar sem título.
Se não conseguir reverter a desvantagem de 1 a 0 para o Barcelona, o Palmeiras terá em agosto uma mudança brusca de planejamento para a temporada. Como a janela de transferências estará aberta, é provável que o elenco perca jogadores que têm sondagens de times europeus. Jogadores como o meia Tchê Tchê e os atacantes Róger Guedes e Dudu despertam o interesse de clubes.
O ambiente ruim causado pela eliminação coloca pressão também sobre a diretoria. O planejamento para o ano, capitaneado pelo diretor de futebol, Alexandre Mattos, tem recebido críticas internamente. “Investimento todos os clubes fizeram. E nós também. Temos condições de fazer e fizemos. Mas nós não vamos ganhar sempre, não vamos ganhar todas. Acreditamos que o elenco é bastante competitivo, temos convicção no trabalho, e nós vamos dar continuidade”, disse o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, em entrevista ao canal SporTV.
O Palmeiras buscou minimizar o impacto da eliminação, por entender que a Libertadores será a salvação. A queda na Copa do Brasil tirou do clube a premiação de cerca de R$ 11 milhões pelo título e frustrou o bônus que receberia da patrocinadora, Crefisa, se fosse campeão. A promessa da empresa em fevereiro, na renovação do contrato com a diretoria, era de dar R$ 40 milhões se o time ganhasse tudo na temporada. A meta já diminuiu com a eliminação na semifinal do Paulista, para a Ponte Preta.
O elenco demonstrou decepção com a nova queda e espera reagir já no sábado, na partida contra o Avaí, no Allianz Parque, pelo campeonato Brasileiro. “Ter sido eliminado não quer dizer que tudo está ruim. Nós não estamos mal. É questão de se fechar mesmo. Não deixar as coisas negativas entrarem”, disse o volante Bruno Henrique.
Fonte: O Estado de S. Paulo
Esporte
Quando perder músculo também ameaça o cérebro
Durante muito tempo, falar em obesidade significava olhar apenas para o peso e para o IMC. Hoje sabemos que isso é insuficiente.
Duas pessoas com o mesmo peso podem ter condições completamente diferentes. Uma pode apresentar boa massa muscular e força preservada. A outra pode acumular gordura, especialmente abdominal, enquanto perde músculo e capacidade funcional.
Essa combinação é chamada de obesidade sarcopênica.
Ela reúne dois problemas importantes: excesso de gordura corporal e redução da massa ou da força muscular. Além de aumentar o risco de fragilidade, quedas, diabetes e doenças cardiovasculares, novas evidências mostram que essa condição também pode estar associada a maior risco de demência.
O que a ciência mostra :
Um grande estudo publicado na revista Clinical Nutrition avaliou dados de centenas de milhares de pessoas e analisou a relação entre composição corporal, força muscular e desenvolvimento de demência.
Os resultados mostraram que tanto a sarcopenia isolada quanto a obesidade sarcopênica estavam associadas a um risco maior de declínio cognitivo. Um dos achados mais relevantes foi a importância da força de preensão manual, medida por dinamometria.
Quanto menor a força e quanto maior sua redução ao longo dos anos ,maior foi o risco observado.
Isso reforça uma mudança importante na forma de avaliar a saúde: Não basta saber quanto peso uma pessoa perdeu. Precisamos saber quanto músculo e quanta força ela conseguiu preservar.
Emagrecer , nem sempre significa melhorar a saúde ?
Uma perda de peso mal conduzida pode incluir perda significativa de massa muscular, principalmente em pessoas mais velhas, sedentárias, submetidas a dietas muito restritivas ou a tratamentos sem acompanhamento adequado.
Mesmo com o avanço dos medicamentos para obesidade, o objetivo não deve ser apenas reduzir o número na balança. O tratamento precisa preservar músculo, reduzir gordura visceral, melhorar o metabolismo e manter a autonomia.
O paciente não deve apenas ficar mais leve. Deve ficar mais saudável, mais forte e funcionalmente mais capaz.
Por que o músculo influencia a saúde cerebral?
A relação entre músculo e cérebro é complexa, mas alguns mecanismos ajudam a explicá-la.
A perda muscular pode piorar a resistência à insulina, reduzir o gasto energético, aumentar o sedentarismo e favorecer inflamação crônica. Ao mesmo tempo, fatores como hipertensão, diabetes, apneia do sono e colesterol elevado afetam os vasos sanguíneos que irrigam tanto o coração quanto o cérebro.
Por isso, preservar músculo é muito mais do que uma questão estética. É uma estratégia de proteção metabólica, cardiovascular, funcional e possivelmente cognitiva.
Como enfrentar cientificamente esse problema ?
O primeiro passo é avaliar mais do que o peso. Circunferência abdominal, composição corporal, força de preensão, velocidade da marcha, capacidade funcional e exames cardiometabólicos ajudam a identificar riscos que o IMC isolado não mostra.
O treinamento de força deve ocupar posição central. Caminhar é importante, mas pode não ser suficiente para preservar ou recuperar massa muscular. Exercícios resistidos, progressivos e individualizados são fundamentais.
A alimentação também precisa garantir quantidade adequada de proteínas e energia, distribuídas ao longo do dia e ajustadas à idade, função renal, rotina e condição clínica.
Além disso, é essencial tratar fatores que aceleram a perda muscular e o envelhecimento vascular, como sedentarismo, diabetes, hipertensão, alterações do sono, tabagismo e obesidade visceral.
Envelhecer bem ,exige preservar força
A obesidade sarcopênica mostra por que o cuidado não pode ser fragmentado. Peso, metabolismo, coração, músculo e cérebro fazem parte do mesmo sistema.
Entendemos que o acompanhamento precisa ir além da balança. Avaliamos composição corporal, força, risco cardiovascular, alimentação, sono, rotina e capacidade funcional para construir estratégias verdadeiramente individualizadas.
Porque o objetivo não é apenas perder peso. É preservar autonomia, proteger o cérebro, fortalecer o corpo e construir saúde antes que a doença se manifeste.
Saúde não é sorte. É rotina.
Dr. Max Wagner de LimaCardiologista — CRM 6194 | RQE 2308 Prevenção cardiovascular, cardiometabolismo e medicina de antecipação.
Maristela Luft — CRN -16431Nutricionista e Mestre em nutrição clínica, composição corporal e cuidado cardiometabólico.
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