Mato Grosso
Encurralado, presidente do TCE parte para o ´ataque´ contra juíza
Mato Grosso
Da Redação: Pedro Ribeiro e Laerte Lannes
Reportagem Especial
Era 8:05 da manhã de uma terça feira do dia 20 de Junho, do mês passado. Agentes do Grupo de Apoio e Combate ao Crime Organizado(Gaeco) saíram para cumprir mais uma ordem judicial determinada pela juíza Selma Arruda, titular da Sétima Vara Criminal de Cuiabá, que tinha tomado anteriormente uma decisão que inflamaria o estado: prender os próceres do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e ainda servidores da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, além de recolher documentos e computadores dos dois órgãos.
A operação – que estava sob sigilo – se tornaria símbolo da moralidade e da legalidade, e viria a afetar e incomodar diretamente alguns ´tubarões´ do poder, principalmente do TCE. A juíza, heroicamente que já se tornou símbolo de combate a corrupção entre os mato-grossenses, revelou a ´sujeira´ que ecoava pelos porões da corrupção e que ´sangrou´ milhões da corte de contas do estado.
Selma escolheu suspender o sigilo das investigações e que se tornariam públicas, entre milhares de documentos e gravações que registraram conversas entre os envolvidos com um objetivo comum: pilhar os cofres públicos.
Indignado e irado com a performance do Gaeco – por determinação da juíza Selma – o presidente do TCE, conselheiro Antônio Joaquim de Moraes Rodrigues Neto, partiu para o ´ataque´ contra a juíza.
Em poucos dias, conforme a imprensa noticiava o conteúdo das revelações e gravações na Operação Convescote – algumas extremamente graves, outras galhofeiras(como fazer ´gato´ em energia elétrica), o conselheiro indignado encontrava nas revelações, o combustível para sua ira contra a juíza. Ele acusou a juíza Selma e o Gaeco de ultrapassarem os limites legais de suas atribuições.
Mas, atevendo isso, a juíza Selma justificou, e disse que as divulgações das investigações pela imprensa propiciaria aos investigados o exercício da ampla defesa, um escrutínio público da própria Justiça criminal.
A democracia em uma sociedade livre exige que os governados saibam o que fazem os chefes dos poderes constituídos – como o TCE -, mesmo quando estes buscam agir protegidos pelas “sombras”.
A juíza Selma atua na primeira instância. Sobre uma possível acusação de o conselheiro estar ou não envolvido no ‘trama’ do desvio da dinheirama, a investigação subiria, em tese, ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Mas, por quê esses ´ataques´ gratuitos do conselheiro contra a juíza? Qual é o medo dele com o desdobramento das investigações Convescote? Se ele – hipoteticamente – não teria culpa no cartório, qual a sua preocupação? Ao revelar a operação e as investigações, a juíza Selma julga que o princípio da publicidade é uns dos mais importantes. Não se pode sugerir que o procedimento seja incoerente com a postura de Selma.
A juíza sempre primou pela transparência.
Ao atacá-la, o conselheiro quer sim anular as investigações, desqualificá-la e arguir nulidades processuais sobre a operação. Mas, seus apontamentos são gritantes: perda de contato com a realidade, comportamento imprudente e sinais gritantes de incompetência por parte de sua assessoria jurídica. A Operação Convescote – depois de prender pessoas ilustres do TCE – passou a enfrentar uma resistência estridente, de gente desacostumada a ver sua autoridade desafiada; que não tem apenas acesso a advogados caros, mas a palanques, verbas públicas e instrumentos de manipulação dos subterrâneos do poder. A agenda de Selma e do Gaeco não é político. É de combate ao crime, dentro das leis.
Mato Grosso
Juiz Agamenon Alcântara é o entrevistado da 48ª edição do programa “Por dentro da Magistratura”
Na próxima sexta-feira (12), a Escola Superior da Magistratura de Mato Grosso (Esmagis-MT) exibirá a 48ª edição do programa “Por dentro da Magistratura”. Realizada em parceria com a Coordenadoria de Comunicação do Poder Judiciário estadual, a edição traz uma entrevista exclusiva com o secretário-geral do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), juiz Agamenon Alcântara Moreno Júnior, que abordará ações relacionadas à gestão institucional e o panorama da carreira jurídica.
Natural de Cuiabá, onde morou no bairro do Porto, o entrevistado possui uma sólida trajetória na área jurídica. Graduado pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) em 1992, atuou como advogado, técnico judiciário e assessor jurídico antes de ingressar na magistratura em Roraima, onde exerceu a função de 1996 a 1999. Em fevereiro de 1999, após aprovação em concurso público, tomou posse como juiz substituto em Mato Grosso, dando início a uma longa carreira em seu estado natal.
Ao longo de mais de duas décadas de atuação em Mato Grosso, o magistrado acumulou expressiva experiência na área administrativa do Tribunal de Justiça e na Justiça Eleitoral. Titular da Primeira Vara Especializada da Fazenda Pública de Várzea Grande, ele alia a prática diária à dedicação acadêmica: é doutorando pela Fadisp, mestre pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, além de especialista em Direito Público, Administrativo, Penal e Processo Penal.
Durante a entrevista, o secretário-geral analisa a transição do papel do juiz na era digital e defende uma atuação proativa, focada no diálogo com a comunidade e na conciliação para evitar a judicialização excessiva. “O juiz precisa interagir e até antecipar à judicialização, […] conseguindo, na sua atuação, fazer acordos ou resolver questões pré-processuais. Eu adoro a questão pré-processual”.
Assista neste link à chamada do programa.
https://www.youtube.com/watch?v=3S98epEohpY
Outras informações podem ser obtidas pelo e-mail [email protected] ou pelos telefones (65) 3617-3844 / 99943-1576.
Autor: Lígia Saito
Fotografo:
Departamento: Assessoria de Comunicação da Esmagis – MT
Email: [email protected]
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