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Taques diz ter apoio de Temer e VLT pode ser retomado até junho

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Governador se reuniu em Brasília com presidente da República; valor da ajuda não foi revelado.

O governador Pedro Taques (PSDB) revelou ter recebido “sinal positivo” do presidente Michel Temer (PMDB) para a retomada das obras do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) ainda neste primeiro semestre do ano.

Eles se encontraram no Palácio do Planalto, na manhã desta terça-feira (21), em Brasília.

Segundo o tucano, Temer irá ajudar Mato Grosso com recursos do Orçamento Geral da União.

A obra está paralisada desde 2014 e uma ação corre na Justiça Federal. O consórcio VLT Cuiabá-Várzea Grande é formado pelas empresas Santa Bárbara, CR Almeida, CAF Brasil Indústria e Comércio, Magna Engenharia Ltda. e Astep Engenharia Ltda.

Precisamos de dinheiro da União Federal. Estamos buscando juntos construir uma operação de crédito. Recebemos do presidente o sinal positivo no sentido de que a União estará conosco para terminar esta obra”, disse em conversa com a imprensa logo após o encontro.

“Nós já podemos retomar essa obra neste semestre. Isso já é possível. Estamos nas tratativas finais com o Consórcio. Isso está sendo conduzido por uma equipe do Governo e da Secretaria de Cidades”, afirmou.

De acordo com Taques, também existe uma carta-consulta na Caixa Econômica a respeito de um montante para ajudar na conclusão da obra. Ele, porém, preferiu não revelar nenhum valor.

“O VLT é uma obra que o Estado gastou R$ 1,6 bilhão. Deste valor, já pagamos R$ 540 milhões e não tem um metro do VLT andando nos trilhos. Desde o início da nossa administração, afirmamos que vamos concluir as obras do VLT, mas não vamos jogar o lixo para debaixo do tapete”, disse.

“Então, o contrato seria via Caixa Econômica e parte desses recursos do Orçamento Geral da União. Nós temos espaço orçamentário para adquirir mais essa operação de crédito”, completou.

 

O VLT

Orçada em R$ 1,477 bilhão, a obra do VLT foi iniciada em agosto de 2012 e deveria ter sido entregue em junho de 2014, antes mesmo do início dos jogos da Copa do Mundo em Cuiabá.

Entretanto, os sucessivos atrasos levaram a gestão anterior do Governo do Estado a fazer um aditivo prevendo o término para 31 de dezembro daquele ano.

Porém, as obras foram paralisadas antes deste prazo, já que o Estado não realizou os pagamentos solicitados pelo consórcio. Desde então, a gestão Pedro Taques vem travando uma batalha judicial por conta de erros encontrados nas obras e até mesmo no contrato.

No final de 2016, o juiz Ciro Arapiraca, da 1ª Vara Federal em Mato Grosso, chegou a estabelecer um prazo de 30 dias para que haja um entendimento entre as partes. Caso contrário, o contrato seria rescindido. O prazo, em seguida, foi estendido.

O secretário de Cidades Wilson Santos tem se encontrado constantemente com as empresas para chegar a um valor final da obra. Nenhum acordo foi divulgado até o momento.

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Ativistas e gestores públicos apontam desafios para a implementação do ECA Digital

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Em audiência na Comissão de Comunicação da Câmara dos Deputados na quinta-feira (25), representantes da sociedade civil e gestores públicos apontaram desafios para a implementação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente.

O chamado ECA Digital, que amplia a proteção de crianças e adolescentes na internet, entrou em vigor em março e está em fase de regulamentação por parte do governo federal.

A integrante do Instituto TecKids Karina Queiroz defendeu uma “mobilização coletiva” entre pais, professores, plataformas digitais e poder público para colocar a legislação em prática.

“Fico preocupada de, daqui a um ano, estarmos discutindo as mesmas coisas, com os crimes ainda acontecendo. Ou a gente trabalha junto, ou não vai conseguir chegar a lugar nenhum”, disse.

A delegada da Polícia Federal (PF) Karoline Diniz apresentou dados para mostrar o tamanho do desafio que será enfrentado pelo Centro Nacional de Proteção da Criança e do Adolescente. Esse órgão está em estruturação, na PF, para receber e investigar informações vindas dos provedores sobre crimes cometidos no ambiente digital.

Atualmente, a Polícia Federal deflagra, em média, quatro operações por dia somente com base nos cerca de 2.600 relatórios diários enviados pela ONG norte-americana Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC). Os documentos são produzidos a partir de notificações encaminhadas por provedores que atuam nos Estados Unidos.

Com base nesses dados, a delegada fez um alerta aos pais sobre os riscos da exposição dos filhos em redes sociais.

“Os crimes contra crianças e adolescentes têm aumentado exponencialmente, especialmente com a circulação de imagens na internet e na dark web. Os criminosos usam recursos de anonimização e criam vários perfis”, informou. “Como eles conseguem saber, por exemplo, o nome da escola da criança ou onde a mãe trabalha? Muitas vezes, as próprias crianças ou seus familiares publicam essas informações em redes sociais abertas.”

Subnotificação
Karoline Diniz afirmou que o novo centro da Polícia Federal poderá ajudar a reduzir a subnotificação desses crimes. Ela lembrou que, em 2025, o Disque 100 recebeu 37 mil denúncias de abuso sexual infantojuvenil, enquanto os relatórios enviados pela organização norte-americana registraram quase 1 milhão de notificações.

Renata Greco, do Instituto Liberta, disse que 92% das crianças e adolescentes do Brasil acessam a internet, o que representa 24,5 milhões de pessoas. Desse grupo, 28% tiveram o primeiro acesso antes dos seis anos de idade e, muitas vezes, acessam conteúdos com os quais até os adultos não sabem como lidar.

Bruno Spada/Câmara dos Deputados

Bia Kicis defende responsabilidade compartilhada entre pais, plataformas e governos

“O relatório ‘Enfrentando a Violência Sexual Contra Crianças Facilitada pela Tecnologia‘ revela que, em apenas um ano, uma em cada cinco crianças e adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos foi vítima de exploração e/ou abuso sexual facilitado pela tecnologia”, declarou. “Isso inclui aliciamento on-line, extorsão sexual, divulgação não consentida de imagens e exploração em plataformas digitais”, declarou Renata Greco.

Responsabilidade compartilhada
A deputada Bia Kicis (PL-DF), uma das organizadoras do debate, destacou a responsabilidade compartilhada na implementação do ECA Digital.

“O Brasil não excluiu crianças e adolescentes das redes digitais. Há países que optaram por isso. Isso é muito ruim. Temos que garantir o acesso, mas também responsabilizar pais, plataformas e o Estado para proteger as crianças.”

Sugestões
Outros participantes da audiência defenderam maior divulgação dos canais de denúncia, o uso de inteligência artificial para emitir alertas a pais e professores, a capacitação de órgãos estaduais e municipais e a inclusão da educação digital em um currículo estruturado nas escolas, em vez de palestras eventuais.

Maria Mello, do Instituto Alana, definiu o ECA Digital como um “marco histórico” e uma “conquista de vanguarda” para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Marcelo Oliveira



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