Agricultura
Fim da colheita aponta para recorde de 57,39 milhões de toneladas de milho
Agricultura
Mato Grosso deve colher o recorde de 57,39 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26, crescimento de 3,53% em relação ao ciclo anterior. O volume equivale a cerca de 40% de toda a produção brasileira prevista para a temporada e confirma o estado como principal produtor nacional do cereal.
A nova estimativa foi divulgada pelo Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), depois da consolidação da área cultivada por meio de dados de georreferenciamento. O levantamento identificou 7,43 milhões de hectares plantados, extensão 2,41% superior à da safra passada e 7,53% maior que a média dos últimos cinco anos.
Essa foi a segunda maior área já destinada ao milho em Mato Grosso, atrás apenas da registrada em 2022/23. Naquele ciclo, os preços mais favoráveis estimularam uma expansão maior do cultivo.
A produção, entretanto, será a maior da série histórica do instituto. O resultado supera em aproximadamente 1,96 milhão de toneladas o obtido na temporada anterior e fica 23,85%, ou cerca de 11 milhões de toneladas, acima da média das últimas cinco safras.
A produtividade foi estimada em 128,67 sacas por hectare, equivalente a aproximadamente 7,72 toneladas por hectare. O rendimento ficou praticamente estável em relação ao levantamento anterior, com pequeno ajuste de 0,02%.
Segundo o Imea, o desempenho foi favorecido pelas condições observadas durante o desenvolvimento das lavouras, principalmente pela distribuição das chuvas na maior parte das regiões produtoras. Mesmo em áreas plantadas fora da janela considerada ideal, o clima permitiu a manutenção de rendimentos elevados.
A revisão da produtividade também considerou os novos pesos regionais definidos após a consolidação da área. Isso significa que o instituto recalculou a participação de cada região na média estadual, com base na extensão efetivamente cultivada.
O levantamento por georreferenciamento utiliza informações espaciais para identificar e medir as lavouras. O método permite aumentar a precisão da estimativa, especialmente em um estado com grandes áreas agrícolas e forte presença do sistema de produção que combina soja e milho na mesma temporada.
Até 31 de julho, a colheita havia alcançado 96,77% da área estimada, avanço de 6,11 pontos percentuais em uma semana. Os trabalhos estavam 0,39 ponto percentual à frente do ritmo observado no mesmo período da safra anterior.
As áreas ainda não colhidas estavam mais dispersas. Parte dos produtores aguardava uma redução adicional da umidade dos grãos, estratégia que facilita a armazenagem e pode diminuir as despesas com secagem.
A região Sudeste apresentava o menor avanço, com 85,61% da área colhida. Mesmo assim, registrou o maior crescimento semanal, de 18,02 pontos percentuais, depois que novas lavouras atingiram o ponto adequado para a retirada do cereal.
A dimensão da safra mato-grossense fica mais evidente quando comparada à produção nacional. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que o Brasil colherá 141,73 milhões de toneladas de milho em 2025/26. Embora os dois levantamentos adotem metodologias próprias, o volume calculado pelo Imea para Mato Grosso corresponde a aproximadamente 40,5% desse total.
O milho nacional ocupa uma área estimada em 22,62 milhões de hectares. Isso significa que Mato Grosso concentra perto de um terço da área brasileira, mas entrega uma parcela superior da produção graças à escala e à produtividade de suas lavouras.
O crescimento da oferta movimenta uma cadeia que vai além da propriedade. O cereal abastece as fábricas de ração, a produção de aves, suínos, bovinos e peixes, as usinas de etanol de milho e as empresas responsáveis pelo armazenamento, transporte e comercialização.
A expansão das usinas de etanol em Mato Grosso também criou uma alternativa de consumo próxima às regiões produtoras. Além do biocombustível, o processamento gera ingredientes utilizados na alimentação animal, aumentando a integração entre produção de grãos, pecuária e agroindústria.
Em junho, 51,41% da safra estadual já estava comercializada, segundo o Imea. O preço médio dos negócios realizados para o ciclo ficou em R$ 43,10 por saca, referência que varia conforme a região, o prazo de entrega, o custo do frete e as condições de armazenagem.
Com quase metade do volume ainda disponível naquele momento, a capacidade de guardar o milho e escolher o período de venda ganha importância. Produtores com acesso a armazéns próprios ou contratos de entrega conseguem reduzir a necessidade de comercializar uma parcela maior justamente durante o pico da colheita.
A safra recorde amplia a oferta para o mercado interno e para as vendas ao exterior, mas também exige mais silos, caminhões, ferrovias e capacidade industrial. O desafio agora é transformar as 57,39 milhões de toneladas em maior circulação de renda, agregação de valor e oportunidades para o produtor rural e para as demais atividades ligadas ao milho.
Fonte: Pensar Agro
Agricultura
Produção de banana movimenta R$ 16,4 bilhões e está sob ameaça
A produção brasileira de banana, responsável por movimentar R$ 16,4 bilhões por ano, enfrenta uma ameaça sanitária capaz de comprometer mais da metade da colheita em lavouras suscetíveis e, nos casos mais graves, provocar perdas totais.
Trata-se da sigatoka-negra, doença provocada por um fungo que destrói as folhas das bananeiras, reduz a produtividade e compromete a qualidade dos frutos. Para ajudar os produtores a enfrentar o problema, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) reuniu os resultados de pesquisas e as principais alternativas de controle em uma publicação técnica lançada neste ano.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país produziu 7,29 milhões de toneladas de banana em 2025, cultivadas em aproximadamente 471 mil hectares. A atividade está presente em todos os estados brasileiros e tem importância especial para a agricultura familiar, que responde por uma parcela expressiva das propriedades dedicadas à cultura.
São Paulo lidera a produção nacional, seguido por estados como Bahia e Minas Gerais. A bananicultura também tem peso econômico relevante em Santa Catarina, Pernambuco, Pará e Ceará. Diferentemente de outras culturas de grande escala, a maior parte da banana produzida no Brasil é destinada ao próprio mercado interno, abastecendo supermercados, feiras e centrais de distribuição.
O tamanho dessa produção ajuda a dimensionar os riscos associados às doenças que atingem os bananais. A sigatoka-negra é considerada uma das mais destrutivas porque compromete justamente as folhas responsáveis pela fotossíntese, processo pelo qual a planta produz a energia necessária ao desenvolvimento dos cachos.
Causada pelo fungo Mycosphaerella fijiensis, a doença foi identificada pela primeira vez no Brasil em 1998, na região amazônica. Desde então, sua disseminação ampliou os desafios para produtores de diferentes regiões, principalmente aqueles que cultivam variedades mais suscetíveis.
A infecção começa com pequenas alterações nas folhas, geralmente na face inferior, que evoluem para estrias marrons e manchas escuras. Com o avanço da doença, as lesões se unem e provocam a morte antecipada do tecido foliar.
A perda de folhas reduz a capacidade da bananeira de sustentar o crescimento dos frutos. Como consequência, os cachos podem apresentar bananas menores, amadurecimento precoce e desuniformidade, características que prejudicam a comercialização e diminuem a receita do produtor.
A Embrapa alerta que os prejuízos podem superar 50% da produção quando a doença não é controlada adequadamente. Em condições severas, variedades altamente suscetíveis podem sofrer perdas próximas de 100%. Esses percentuais representam situações de elevada pressão da doença, e não uma estimativa de redução da safra brasileira.
O problema afeta variedades de grande importância comercial, incluindo bananas dos grupos Nanica, Nanicão, Prata, Maçã e Terra. A intensidade dos danos depende das condições climáticas, da suscetibilidade da cultivar e das práticas adotadas na propriedade.
O clima tem influência direta sobre o avanço da doença. Ambientes quentes e úmidos favorecem o desenvolvimento e a disseminação do fungo, especialmente quando as folhas permanecem molhadas por períodos prolongados. Nessas condições, o acompanhamento dos bananais precisa ser mais frequente para identificar os primeiros sintomas e evitar a rápida evolução das lesões.
A pesquisa brasileira tem buscado reduzir essa vulnerabilidade principalmente por meio do desenvolvimento e da seleção de variedades resistentes. Entre os materiais apresentados pela Embrapa estão BRS Caprichosa, BRS Conquista, BRS Garantida, BRS Japira e BRS Thap Maeo, alternativas que podem contribuir para diminuir a dependência de aplicações frequentes de fungicidas.
A escolha da variedade, entretanto, não depende apenas da resistência à doença. O produtor precisa considerar as características dos frutos, a aceitação comercial, a produtividade e a adaptação às condições de solo e clima de sua região.
Em mercados que exigem determinados padrões de banana, a substituição de cultivares pode encontrar limitações. Por isso, o controle da sigatoka-negra também exige medidas de manejo capazes de preservar as variedades tradicionalmente comercializadas.
Entre as práticas recomendadas estão o acompanhamento das folhas mais novas, a nutrição equilibrada das plantas, o manejo adequado da água e a retirada criteriosa de partes comprometidas pela doença. O objetivo é reduzir a presença do fungo sem eliminar excessivamente a área foliar necessária à formação dos cachos.
O controle químico continua sendo uma ferramenta importante, sobretudo em variedades suscetíveis. A Embrapa, porém, chama atenção para o risco de desenvolvimento de resistência do fungo aos fungicidas, situação que pode reduzir a eficiência das aplicações e elevar os custos de produção.
Para evitar esse problema, o manejo deve combinar diferentes estratégias e considerar a alternância de mecanismos de ação dos produtos, sempre conforme as recomendações técnicas e os registros autorizados para a cultura.
O avanço da pesquisa também inclui alternativas biológicas. Estudos com microrganismos dos gêneros Bacillus e Trichoderma investigam formas de reduzir o desenvolvimento do patógeno e complementar os métodos tradicionais de controle. Os resultados são promissores, mas a eficiência depende das condições de uso e ainda exige avaliações para diferentes sistemas de produção.
Outra frente envolve o uso de ferramentas digitais para monitorar a evolução da doença. A publicação apresenta o Sistema Inteligente para Monitoramento da Severidade da Sigatoka-Negra (SIMSIGA), desenvolvido para auxiliar na avaliação das lesões por meio de imagens.
A tecnologia busca tornar o diagnóstico e o acompanhamento mais precisos, permitindo que as decisões de manejo sejam tomadas de acordo com a intensidade da doença em cada propriedade.
O maior desafio continua sendo levar essas soluções aos produtores, especialmente aos pequenos agricultores que dispõem de recursos limitados para investir em tecnologia e assistência técnica.
Na Amazônia, onde a sigatoka-negra foi inicialmente identificada no país, a banana também desempenha papel importante na alimentação e na renda de comunidades rurais. Em regiões com dificuldades de acesso a insumos e serviços técnicos, a adoção de variedades resistentes pode representar uma alternativa economicamente mais viável.
A publicação A sigatoka-negra da bananeira no Brasil, organizada pelos pesquisadores Luadir Gasparotto e Ana Francisca Tibúrcia Amorim Ferreira e Ferreira, reúne 17 capítulos elaborados por 22 autores de instituições de pesquisa e ensino. O material aborda desde a identificação dos sintomas até os resultados mais recentes de melhoramento genético, controle biológico e monitoramento da resistência aos fungicidas.
Fonte: Pensar Agro
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