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Debatedores relatam dificuldades para retirar passe livre interestadual de pessoas com deficiência

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Participantes de audiência pública na Câmara dos Deputados relataram dificuldades enfrentadas por pessoas com deficiência para emitir e usar o passe livre no transporte interestadual.

O principal problema, segundo o representante do Movimento Passe Livre Nacional, Valdair Rosa, é a baixa oferta de vagas pelas empresas de transporte.
O ativista explicou que a lei de 1994 garante a gratuidade em ônibus convencionais para pessoas com deficiência de baixa renda. Segundo ele, as empresas quase não oferecem mais esse tipo de ônibus, o que impede o uso do benefício.

O deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), que pediu o debate, disse que também recebe reclamações sobre as empresas de transporte. Ele se comprometeu a avaliar medidas para resolver o problema.

Rollemberg preside a Comissão de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência, responsável pela audiência.

“Hoje praticamente não existem mais ônibus convencionais. Predominam ônibus de luxo, como leito. Isso pode ser usado para descumprir a legislação. Vamos analisar o tema na comissão e avaliar medidas junto aos ministérios, ao Ministério Público Federal e a entidades do setor para garantir o cumprimento da lei”, prometeu o deputado.

Vinicius Loures / Câmara dos Deputados

Rossiele Formiga, da ANTT, esclareceu dúvidas e rebateu críticas

Emissão digital
Outro problema citado foi a emissão da credencial pela internet. Desde 2024, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) passou a emitir o documento de forma totalmente digital.

Representantes de pessoas com deficiência afirmam que apenas quem está inscrito no Cadastro Único (CadÚnico) consegue emitir a credencial. Segundo o representante da Rede Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, Roberto Leite, isso exclui parte do público.

“Nós temos pessoas com deficiência que se enquadram no critério de renda, mas não recebem o BPC e não estão no CadÚnico. Muitas trabalham e recebem um salário mínimo. Mesmo assim, ficam fora do sistema”, disse.

A coordenadora do Passe Livre da ANTT, Rossiele Formiga, afirmou que a inscrição no CadÚnico não é obrigatória. “O interessado informa o CPF, e o sistema consulta dados da Receita Federal, do CadÚnico e do INSS. Se a pessoa não estiver no CadÚnico, a renda é verificada pelo INSS. Se estiver dentro do limite de até um salário mínimo por pessoa, ela atende ao requisito”, afirmou.

Valdair Rosa também relatou que os acompanhantes de pessoas com deficiência não conseguem emitir a credencial pelo sistema.

Segundo a representante da ANTT, a própria pessoa com deficiência pode emitir a credencial do acompanhante, desde que comprove a necessidade. Antes, o acompanhante também precisava comprovar a deficiência.

Reportagem – Maria Neves
Edição – Geórgia Moraes



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Kassio confirma articulação de Abilio para garantir 14 votos na eleição da Mesa

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O vereador Kassio Coelho (Podemos) confirmou que o prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), participa das articulações para a eleição da próxima Mesa Diretora da Câmara Municipal. Segundo o parlamentar, o grupo que apoia a atual presidente da Casa, Paula Calil (PL), trabalha para ampliar de 13 para 14 o número de aliados antes da votação, marcada para 6 de outubro.

A estratégia ganhou força depois que o Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) manteve a exigência de dois terços dos vereadores para alterações no Regimento Interno da Câmara. A regra representa uma barreira para a proposta que poderia abrir caminho para a recondução de Paula à Presidência no próximo biênio. A ação havia sido apresentada pelo próprio Abilio.

Mesmo diante do cenário jurídico, Kassio afirmou que os aliados seguem trabalhando para conquistar o voto que falta. A Câmara possui 27 vereadores, e a marca de 14 parlamentares representa maioria absoluta. “Eu acredito que a gente semana que vem, quando mais próximo da eleição, vai chegar ao 14º nome”, declarou o vereador.

Kassio também atribuiu diretamente ao prefeito o papel de principal articulador do grupo. “O grande articulador é o prefeito Abilio. Ele é o nosso líder. Estou com o prefeito e, se for para ganhar ou para perder, vamos até o final”, afirmou. Segundo ele, Abilio defende uma composição da Mesa que dê maior tranquilidade ao Executivo para conduzir a administração municipal.

A declaração confirma uma atuação política do prefeito na disputa interna da Câmara, embora Abilio já tenha sustentado que sua interlocução com vereadores está relacionada à busca de apoio para projetos de interesse da Prefeitura. A movimentação ocorre enquanto o grupo governista tenta encontrar uma saída para manter Paula na disputa, caso as regras atuais continuem impedindo a candidatura.

Diante da possibilidade de Paula não conseguir concorrer, os aliados também já discutem alternativas. Kassio citou os vereadores Marcus Brito Jr. e Wilson Kero Kero como nomes preparados para assumir a candidatura. O próprio Kassio chegou a ser mencionado nos bastidores, mas afirmou que não tratou de uma eventual candidatura com Abilio ou com os demais integrantes do grupo.

A eleição da Mesa Diretora está prevista para 6 de outubro e deverá definir o comando da Câmara de Cuiabá para o biênio 2027-2028. Até lá, o grupo ligado a Abilio terá de conciliar as articulações políticas com a disputa judicial envolvendo a possibilidade de recondução de Paula Calil.



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