Política
Tabaporã: Visita a uma aldeia faz alunos mudarem o conceito que tinham dos indígenas
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Da Redação
Ao menos 35 alunos do ensino fundamental e médio da Escola Estadual Francisco Saldanha Neto, localizada no município de Tabaporã (643 quilômetros a médio-norte de Cuiabá) participaram de uma aula prática visitando a Aldeia Salto da Mulher, da etnia Paresi, em Campo Novo do Parecis, distante 570 quilômetros de Tabaporã.
As professoras de geografia Ana Paula Dourado e Edvânia Olímpio Leandro, que coordenaram a aula de campo, levaram também duas mães de alunos para conhecer a realidade indígena.
Segundo as professoras, todos foram muito bem recebidos na aldeia sendo recepcionados pelo cacique e demais indígenas. A cordialidade fez com que os alunos se encantassem e mudassem a ideia de como é a estrutura e vida numa aldeia indígena.
Para a aluna Helen, o passeio foi interessante, sendo que para ela, a novidade é a forma como as crianças são alfabetizadas, sendo até o 5ºano do ensino fundamental com a língua indígena e o português na própria aldeia, seguindo depois para uma escola regular.
A forma de ensino também chamou a atenção do aluno Giovani Fávaro. “É muito maneiro. É uma forma de preservar a cultura deles que passa de geração a geração”, ressalta.
Regiane Cristina do Nascimento, mãe de uma das alunas, ficou impressionada com a agilidade a agilidade de um guia e caçador da aldeia que levou todos para uma trilha de 600 metros até a cachoeira.
“É um local de beleza extraordinária, onde os alunos puderam estar mais próximos da natureza, interagindo com as crianças indígenas com um banho nas águas límpidas”, descreve a mãe.
Durante a visita, o cacique explicou a história do surgimento do nome da aldeia. Segundo o cacique, reza a lenda que uma índia e seus dois filhos desceram na Cachoeira para lavar louça e roupa, segundo a tradição indígena dessa aldeia, a mulher quando se encontra no seu período menstrual, ela não poderia tomar banho na cachoeira.
Contrariando a tradição, a índia tomou banho. Horas depois, quando seus dois filhos foram procurá-la não a encontraram, os índios acreditam que a sereia ou mãe d’água levou ela para si, desaparecendo o corpo, ficando o nome da aldeia em memória da índia.
A colega dela, Ana Carolina achou interessante a religião dos Paresi, que sempre deixam a primeira colheita para os seus deuses, como forma de evitar coisas ruins para a família.
Para a aluna Kettler Maria, as pinturas têm significados marcantes. “Aprendi que os homens desenham cobras cascavéis que são símbolos da guerra”, frisa. Outra aluna, Gabriele, gostou dos esportes praticados pelos índios como a peteca, cabeçobol e arco e flecha. “A cultura deles é maravilhosa. É uma experiência que vamos guarda para a vida toda”, comemora.
Professora Ana Paula frisa que a iniciativa de levar os alunos a uma aldeia indígena nasceu conforme a lei 11. 645/2008 que exige o estudo da história e cultura afro brasileira e indígena.
Professora Edvania classifica a organização da aldeia como impecável, pois as ocas deixaram todos encantados. “É um local sagrado, um ambiente de muitas histórias, um local de respeito, onde seus entes queridos são enterrados”, assinala.
Política
Debate aponta problemas enfrentados por pacientes com insuficiência adrenal
Dificuldade no diagnóstico precoce, limitações ao acesso a exames, escassez de hidrocortisona e de kits de urgência nas redes de atendimento são alguns dos problemas enfrentados por quem sofre de insuficiência adrenal no Brasil. O tema foi debatido em audiência pública conjunta das comissões de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) e de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, nesta quinta-feira (13).
Médicos, pacientes e associações representativas discutiram as políticas públicas do país para essa condição rara, em que as glândulas adrenais — localizadas acima dos rins — não produzem em quantidade suficiente hormônios como o cortisol, que regula o metabolismo, a resposta ao estresse e a pressão arterial. Também foi abordado o câncer adrenocortical, tumor maligno raro que se origina no córtex, camada externa dessas glândulas.
A insuficiência adrenal é potencialmente fatal quando não diagnosticada e tratada de forma adequada. Ela causa, entre outros problemas, fraqueza, cansaço extremo, pressão baixa e perda de peso.
Damares Alves (Republicanos-DF), autora do requerimento para realização da audiência, destacou que, apesar da gravidade dessa condição, os pacientes enfrentam importantes barreiras no Sistema Único de Saúde (SUS). Na abertura dos trabalhos, a senadora e presidente da CDH ressaltou a importância da reunião conjunta para enfrentar os desafios.
— Em doenças raras, os números podem ser pequenos quando observamos cada diagnóstico isoladamente, mas nenhum número é pequeno quando representa uma pessoa aguardando o tratamento — observou.
“Medicamentos órfãos”
O coordenador-geral de Doenças Raras do Ministério da Saúde, Natan Monsores de Sá, apontou os entraves enfrentados pela gestão pública em relação aos “medicamentos órfãos”, drogas essenciais para doenças raras que deixaram de ser produzidas pela indústria farmacêutica.
— Daí a importância de, junto com o Senado, a gente fortalecer, mediante orçamento e iniciativas legislativas, o nosso complexo industrial, para que esses produtos possam ser fabricados aqui no Brasil — afirmou.
Câncer
A médica endocrinologista Maria Cândida Barisson Villares Fragoso, especialista do Instituto do Câncer do Hospital das Clínicas de São Paulo, alertou para a incidência da síndrome de Li-Fraumeni, que gera predisposição a tumores do córtex adrenal.
— No Brasil, há uma situação específica de uma alta incidência de tumor adrenal pediátrico, em que se tem uma mutação ou uma variante patogênica específica desse gene, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país — alertou.
Renata Santarém de Oliveira, endocrinologista pediatra representando a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (Sbem), falou sobre a desigualdade no acompanhamento dos pacientes infantis. Segundo ela, aqueles com condições financeiras conseguem obter hidrocortisona, principal medicamento para a condição, enquanto os sem recursos acabam usando medicamentos de segunda linha, com efeitos negativos no crescimento, na puberdade e no metabolismo.
— É inaceitável. É uma medicação barata. Se a gente for resolutivo e falar com quem deve falar, consegue resolver. É preciso vontade política, é preciso falar com os gestores certos, porque é muito fácil conseguir essa medicação. Os pacientes não podem esperar mais — advertiu.
A palavra dos pacientes
Em seguida, falaram representantes dos pacientes. Adriana Lúcia Wendt Fadel, presidente da Associação Brasileira Addisoniana (ABA) – o nome vem da Doença de Addison, forma de insuficiência adrenal descrita pelo médico britânico Thomas Addison no século 19 – , compartilhou sua experiência. Cobrou agilidade no diagnóstico e o fornecimento regular das formas oral e injetável da hidrocortisona.
— Ter acesso à hidrocortisona adequada não é luxo, não é privilégio: é uma questão de vida ou morte — concluiu.
Segundo Adriana Santiago, vice-presidente da ABA, a hidrocortisona não desperta interesse da indústria farmacêutica.
— Tem no mundo inteiro, menos no Brasil. Até a Venezuela, com todo o caos que atravessa, tem a hidrocortisona. E por que o Brasil não tem? Porque é um remédio extremamente barato. Custa R$ 0,36 o comprimido. Qual é o preço de uma vida? — denunciou.
A advogada e sobrevivente de câncer adrenal Cheryl Berno apresentou uma pauta de reivindicações: a compra e distribuição centralizada do medicamento mitotano pela União; a reformulação do Estatuto da Pessoa com Câncer para prever punições a gestores omissos; a ampliação do acesso a testes genéticos e exames no SUS; a criação de uma rede de intercâmbio técnico entre médicos especialistas; e a obrigatoriedade de notificação dos casos para a construção de um banco de dados nacional.
— Eu entendi, na pele, na prática e na minha vida, que a burocracia mata. Porque essas pessoas não estão morrendo só porque tiveram câncer: estão morrendo porque não tiveram a oportunidade do diagnóstico precoce, porque não tiveram informação — lamentou.
Hemoglobinúria
Na mesma audiência pública, também foi discutido o tratamento da hemoglobinúria paroxística noturna (HPN), doença rara do sangue que pode causar anemia, tromboses e fadiga intensa.
Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)
Fonte: Agência Senado
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