Economia
BB e Santander confirmam taxa zero para investimento em Tesouro Direto
Economia
Banco do Brasil ainda zerou taxas em produtos de renda fixa e previdência privada
Da Redação
O Santander anunciou nesta quinta-feira, 20, que estenderá a todos os seus clientes a isenção da taxa de corretagem para investimentos no Tesouro Direto. Mais cedo, O Banco do Brasil também confirmou, em nota à imprensa, que vai zerar as taxas cobradas em operações de investimento no Tesouro Direto, renda fixa e previdência privada.
Os clientes cadastrados na Santander Corretora desde o dia 12 de setembro já contavam com a isenção. Já aqueles que se cadastraram antes dessa data terão a taxa zerada a partir desta sexta-feira, 21. Já para o Banco do Brasil, as novas condições, antecipadas pela Coluna do Broadcast, na última terça-feira, dia 18, entram em vigor nesta sexta-feira, 21, e valem para todos os clientes que possuem estes produtos, alcançando o estoque de aplicações e também os novos negócios.
“O investimento em títulos públicos está em nossas carteiras recomendadas e é a porta de entrada para os clientes conhecerem todas as alternativas de diversificação que a Santander Corretora oferece, que vão desde fundos imobiliários até investimentos no exterior por meio de BDRs”, afirmou, em nota, o diretor de Investimentos do Santander, Gilberto Abreu.
No início do mês o Santander já havia anunciado o fim da cobrança da taxa de carregamento dos clientes nos produtos de previdência. “Com a isenção, queremos aproximar o produto do público em geral e consolidá-lo como uma excelente solução de investimento de longo prazo”, destacou o executivo.
Para os produtos de renda fixa do Banco do Brasil, serão zeradas as taxas de custódia para quem aplica em papéis como Certificados Recebíveis Imobiliários (CRI), Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) e debêntures. Além disso, a taxa de carregamento para os clientes que investem em planos de previdência PGBL e VGBL também será zerada, tanto para aplicações quanto para resgates.
Antes, conforme informações do próprio site do Tesouro Direto, o BB cobrava 0,50%, acima, inclusive, das taxas de concorrentes diretos como Santander Brasil e Caixa Econômica Federal, nos quais o custo é de 0,40%. Além do banco público, o Bradesco, em julho, e mais recentemente o Itaú Unibanco fizeram movimentos na direção de zerar taxas de custódia para quem investe em Tesouro Direto. Pesa para os grandes bancos de varejo não só a concorrência com as corretoras independentes bem como o cenário de juros baixos, que obriga essas instituições a serem mais competitivas para atrair clientes ou ao menos não perdê-los.
Na previdência, além do BB, Bradesco, em dezembro do ano passado, e na sequência Itaú e Santander também já retiraram a taxa de carregamento dos clientes. O movimento, aqui, visa a melhorar o volume de captação de recursos que tem sido impactado pela redução da taxa básica, a Selic, uma vez que boa parte dos recursos está alocada na renda fixa e, portanto, rendendo menos.
O BB destaca, em nota, que a iniciativa integra uma estratégia do banco que contempla outras ações recentes para tornar o mundo dos investimentos mais acessível e descomplicado para os investidores brasileiros. Na semana passada, o BB anunciou um fundo de investimento inédito que investe em ações de empresas com práticas de equidade de gênero, o BB Ações Equidade.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Reuters
Economia
Sindicatos realizam ato pelo direito ao descanso e fim da escala 6×1
Trabalhadores, aposentados, estudantes e ativistas foram às ruas em diversas cidades brasileiras nesta sexta-feira, 1º de maio, feriado que celebra o Dia Internacional do Trabalhador. 

Na pauta de reivindicações, as principais bandeiras eram o fim da escala de seis dias de trabalho e um de descanso (escala 6×1), sem redução salarial. Em Brasília, a manifestação foi no Eixão do Lazer, na Asa Sul.
A empregada doméstica Cleide Gomes, de 59 anos, foi ao ato com o neto, de 5 anos, a nora e a mãe, de 80, para cobrarem direitos trabalhistas.
Cleide, que atualmente trabalha com carteira assinada, recorda da época em que foi feirante autônoma e auxiliar de serviços gerais, sem carteira de trabalho. Ela chama a atenção para as ilegalidades cometidas contra suas colegas de profissão.
“Conheço pessoas que, agora, estão no trabalho, pois o patrão fala que hoje não é feriado, mas ponto facultativo. As coitadas não vão receber hora extra porque não sabem de seus direitos.”
O ato unificado 1º de Maio da Classe Trabalhadora foi organizado por setes centrais sindicais do Distrito Federal, com atrações culturais e discursos.
O movimento argumenta que a redução da jornada, ao contrário do que dizem empresas, não prejudica a economia e aumenta a produtividade, sendo uma questão de justiça social e um direito dos trabalhadores.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no Distrito Federal (CUT-DF), Rodrigo Rodrigues, cita exemplos de sucesso na redução da jornada e critica o que classificou como “terrorismo” feito por algumas empresas.
“O descanso é uma necessidade humana e apenas um dia de descanso coloca os trabalhadores em uma situação de desprezo e de desgaste muito grandes. Portanto, reduzir a jornada é uma [questão de] justiça social, é um direito do trabalhador ao seu tempo e é também uma medida inteligente das empresas que fazem porque elas aumentam a produtividade, ao contrário do que diz o terrorismo que está sendo pregado.”
Lutas
A trabalhadora informal Idelfonsa Dantas participou da manifestação em busca de melhores condições para a população e, especificamente, pela redução da escala de trabalho. A vendedora considera que a luta deve ser diária.
“A gente sempre busca o melhor para a população trabalhadora.”
As bibliotecárias Kelly Lemos e Ellen Rocha passaram no concurso público da Secretaria de Educação do Distrito Federal em 2022 e estão desempregadas.
Enquanto, aguardam a nomeação para as vagas, elas lutam pela valorização das carreiras dos profissionais de educação e por melhores oportunidades.
“As crianças precisam de professores mais valorizados nas escolas”, defendeu Elen Rocha.
Tempo livre
Os cartazes com frases pelo fim da escala de trabalho 6×1 contribuíram para que três mulheres se unissem durante o protesto para defender mais tempo livre e, assim, garantir autocuidado, lazer e convivência em família.
A estagiária de psicopedagogia Ana Beatriz Oliveira, de 21 anos, trabalha com desenvolvimento de crianças neuro divergentes e tem duas folgas semanais.
Ela conta que por um ano trabalhou em grandes centros logísticos, com jornadas exaustivas que invadiam a madrugada e incluíam turnos dobrados. Como consequência, percebeu prejuízos em sua formação educacional e na saúde.
Ao mudar para escala de cinco dias de trabalho e dois de descanso (5×2), Ana Beatriz percebeu melhorias na qualidade do sono, da alimentação, além de mais disposição no dia a dia.
“Sou extremamente contra a escala 6×1. Essa tem que acabar para ontem. Vejo que a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 40, é muito possível. Se fizer tudo direito, com o planejamento das escalas, a gente vai trabalhar mais descansado, com mais qualidade e produzir mais.”
A aposentada Ana Campania chama a escala 6×1 de “escala da escravidão” e foi ao ato exigir o fim da precarização da mão de obra.
“Hoje é o nosso dia de luta por melhores condições. Principalmente, nesse momento que querem acabar com conquistas de muitas décadas. Por exemplo, a estabilidade dos servidores, garantias da CLT [Consolidação das Leis do Trabalho].”
Jornada feminina
Sindicalista com atuação de longa data na defesa dos direitos de operadores de telemarketing, Geraldo Estevão Coan veio ao ato desta sexta-feira e aproveitou para protestar por outra pauta: o fim da jornada dupla e até mesmo tripla que as mulheres trabalhadoras enfrentam no país. Para ele, os homens precisam compartilhar as tarefas de cuidado da casa e filhos
“O fim da escala 6×1 tem que beneficiar muito mais as mulheres. Nós, os maridos, também temos que nos conscientizar de que não é só a mulher que precisa cuidar da casa.”
Confronto
O ato em Brasília registrou um confronto entre manifestantes e apoiadores de Jair Bolsonaro. Tudo aconteceu depois que os simpatizantes levaram um boneco do ex-presidente em tamanha real vestido com uma capa da bandeira da Brasil.
O gesto durante o ato público foi encarado como provocação pelos manifestantes no Eixão Sul. Houver troca de insultos e socos, mas o princípio de tumulto foi contido pela Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF).
“Pessoas com posicionamentos ideológicos divergentes iniciaram provocações e embates verbais entre si. As equipes policiais atuaram de forma rápida restabelecendo a ordem pública sem registro de ocorrências graves”, diz a publicação da PMDF.
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