Economia
‘Meus detratores estão na cadeia ou desmoralizados’, afirma Temer em Davos
Economia
Presidente evitou comentar sobre julgamento de Lula e diz que o assunto ‘cabe à Justiça’, mas comemorou alta da Bolsa, impulsionada por formação de maioria contrária ao petista no TRF-4
Da Redação
O presidente Michel Temer afirmou nesta quarta-feira, 24, que não aceita mais que seja alvo de dúvidas sobre suspeitas de corrupção em seu governo e manda um alerta. “Já houve a tentativa de desmoralização. Os meus detratores estão na cadeia e quem não está na cadeira, esta desmoralizado pois foram desmascarados pelos fatos”, disse.
Temer está em Davos para o Fórum Econômico Mundial. Apesar de não tocar no tema da corrupção em seu discurso, o presidente foi alvo de um questionamento por parte do fundador do evento, Klaus Schwab, sobre como a questão da corrupção poderia ter um impacto nas eleições.
A jornalistas brasileiros, ele reagiu de forma dura. “Eu tive a oportunidade de dizer, assim como eu fiz no Brasil, que agora eu não vou mais tolerar essas coisas”, disse, referindo-se a acusações de corrupção contra ele.
Temer evitou comentar o julgamento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. “Vamos aguardar a decisão final. Não sei se tem recurso, se não tem recurso. Essa é uma decisão que cabe à Justiça e, em particular, ao Tribunal Regional Federal (da 4ª Região, TRF-4)”, afirmou.
Ele, porém, comemorou os resultados da B3, a bolsa brasileira, com forte alta durante o dia.
“Agora acabei de receber uma boa noticia. Como eu disse pela manhã de que iria tudo seguir na maior absoluta normalidade, a Bolsa bateu 83 mil pontos. De modo que o discurso (no Fórum) intercedeu com a repercussão, pelo que estou vendo. E foi muito exitosa nossa vinda para cá (Davos)”, disse.
Na manhã desta quarta-feira, Temer disse que não acreditava em uma turbulências nas bolsas. “É vida normal”, disse.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: Beto Barata/Presidência República
Economia
Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.
O fundo teve papel importante de prevenção a crises durante o Plano Collor, Plano Real e a crise mundial de 2008.
Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.
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