Economia
Novo estatuto da Caixa prevê rito de empresa privada para escolher VP
Economia
Entre as mudanças, a nomeação dos vice-presidentes deixará de ser uma responsabilidade do presidente da República
Da Redação
Alvo de um grande escândalo, a gestão da Caixa Econômica Federal terá diretrizes de gestão muito parecidas às adotadas pelo Banco do Brasil e outras companhias privadas. Entre as mudanças, a nomeação dos vice-presidentes deixará de ser uma responsabilidade do presidente da República. A mudança estará no novo estatuto do banco que deve ser aprovado na Assembleia Geral da Caixa, a ser realizada amanhã, sexta-feira, 19.
O novo estatuto da Caixa prevê uma reviravolta na governança da instituição financeira, conforme apurou o Estadão/Broadcast. A mudança considerada “fundamental” para melhorar a gestão é a regra que prevê que a nomeação dos vices passará a ser uma responsabilidade do Conselho de Administração em um processo semelhante ao já adotado em empresas de capital aberto.
A proposta de mudança veio conjuntamente do Ministério da Fazenda e do Banco Central e, nas negociações, a atual direção da Caixa vinha resistindo a mudança do estatuto. A ampliação da crise envolvendo os executivos do banco, porém, resultaram na inclusão dessa alteração no texto.
Haverá um comitê de indicação que vai liderar o processo de escolha dos nomes em um rito semelhante ao visto nas companhias privadas. Candidatos terão de cumprir alguns pré-requisitos técnicos e o comitê poderá ter auxílio de serviços externos – como consultorias e empresas de recolocação de executivos – para selecionar funcionários da própria Caixa ou indicações de fora do banco. “Não é qualquer um que poderá sentar naquelas cadeiras”, disse um dos envolvidos na aprovação do novo estatuto.
As mudanças serão chanceladas em uma reunião extraordinária do Conselho de Administração na sexta, 19. O grupo é formado por sete conselheiros, sendo quatro indicados pelo Ministro da Fazenda, um do Ministério do Planejamento, um representante dos empregados e o próprio presidente da Caixa. Os conselheiros têm mandato de três anos, com direito à recondução por igual período.
Esse conselho de aministração da Caixa, que aprovou o estatuto no fim de 2017, é presidido pela secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi. O grupo conta ainda com a secretária-adjunta de políticas microeconômicas do Ministério da Fazenda, Priscila Grecov, conselheira fiscal da própria Caixa, Anelize Lenzi Ruas, conselheiro da Fundação de Previdência Complementar do Servidor Público Federal e do Conselho de Administração da Caixa Participações, André Nunes, procurador-geral adjunto de consultoria e contencioso tributário da Procuradoria-Geral da Fazenda, Cláudio Seefelder Filho, a representante dos empregados, Maria Rita Serrano, além do próprio presidente da Caixa, Gilberto Occhi.
O órgão é responsável por decidir as principais diretrizes do banco, com orientação aos negócios, definição das metas para a direção da instituição financeira e também pelo monitoramento e avaliação dos resultados.
Fonte: Estadão/Broadcast
Foto: Daniel Teixeira/Estadão
Economia
Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.
O fundo teve papel importante de prevenção a crises durante o Plano Collor, Plano Real e a crise mundial de 2008.
Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.
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