Mato Grosso
Botelho defende regularização fundiária e quer pelo menos 10 mil títulos por ano
Mato Grosso
Parlamentar tem sido aliado pontual para que as pessoas tenham o título definitivo de propriedade dos lotes ocupados
Da Redação
A Assembleia Legislativa de Mato Grosso vai ajudar a alavancar o processo de regularização fundiária em Mato Grosso, numa parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). O encaminhamento foi feito durante a sabatina do superintendente regional da autarquia, coronel Marcos Vieira da Cunha, nesta terça-feira (22), na Comissão de Agropecuária, Desenvolvimento Florestal e Agrário e Regularização Fundiária, presidida pelo primeiro-secretário da Casa de Leis, deputado Eduardo Botelho (DEM).
Cunha informou aos membros da comissão todo o processo e entraves que impendem celeridade à regularização dos assentamentos no estado. Ele, que assumiu a superintendência do Incra há sete meses, declarou que tem como meta entregar 3,1 mil títulos definitivos neste ano, por meio de cooperação técnica. Até o momento, 517 títulos foram emitidos.
“Vai ser realizado o trabalho em conjunto com todas as autoridades aqui, buscando a titulação junto com outras instituições como o Intermat. Mesmo com todas as dificuldades conseguimos avançar. Somos o primeiro do país em titulação. Buscamos parcerias junto ao governo do estado, Assembleia Legislativa e bancada federal. Esse é um dos objetivos dessa reunião aqui hoje”, disse Cunha, ao acrescentar que são 170 servidores e oito unidades avançadas distribuídas no estado, para atender o déficit de 80 mil processos.
Botelho assegurou a cooperação técnica com o Incra nos mesmos moldes que a do Intermat, para dar celeridade à regularização fundiária, principalmente, nas terras sob jurisdição federal e que competem ao órgão. “O Incra tem quase 50 anos de existência e foram apenas 10 mil títulos emitidos em Mato Grosso. Se for nesse ritmo, vamos levar 50 anos para fazer tudo. Então, temos que acelerar esse processo. Vamos cooperar para dar celeridade. Temos que fazer em torno de 10 mil títulos por ano. Essa será a nossa meta!”, afirmou Botelho, ao garantir que para contornar a falta de efetivo há possibilidade de disponibilizar servidores, inclusive, à assessoria jurídica.
Cunha informou que o último concurso foi realizado em 2010 e a falta de efetivo dificulta o trabalho. “Precisamos desse apoio técnico e jurídico porque não temos mais gordura para queimar. Queremos trazer mais resultados positivos, além disso, perco muito tempo respondendo as demandas judiciais, demandas técnicas”.
Também participaram os deputados Nininho (PSD), Gilberto Cattani (PSL), João Batista (PROS), Valdir Barranco (PT) e Xuxu Dal Molin (PSC), que limparam a pauta de votação dos projetos em tramitação nessa comissão.
Mato Grosso
TJ anula votação secreta e manda AL reanalisar veto a reajuste de 6,8%
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT) anulou a votação secreta realizada pela Assembleia Legislativa (ALMT) que manteve o veto do Governo do Estado ao projeto que prevê reajuste salarial de 6,8% para os servidores do Poder Judiciário. Com a decisão, os deputados terão de analisar novamente o veto, desta vez em uma votação aberta e nominal.
A decisão foi tomada pela Turma de Câmaras Cíveis Reunidas de Direito Público e Coletivo do TJMT após recurso apresentado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário de Mato Grosso (Sinjusmat), que questionou a validade da votação realizada em dezembro de 2025.
O relator do processo, desembargador Márcio Vidal, destacou que o próprio Judiciário já havia reconhecido a inconstitucionalidade de dispositivos que permitiam o sigilo na apreciação de vetos. Para ele, não seria coerente manter uma votação baseada justamente em uma regra considerada inconstitucional.
“Não seria juridicamente coerente declarar inconstitucional a norma que autorizou o sigilo e, simultaneamente, preservar a votação realizada com fundamento direto nessa mesma disposição”, afirmou o magistrado.
A decisão, entretanto, não determina que o reajuste seja aprovado. O TJMT deixou claro que cabe à Assembleia decidir novamente se mantém ou derruba o veto do Executivo, apenas exigindo que o procedimento siga as regras constitucionais.
“Preserva-se a liberdade política da Assembleia Legislativa para deliberar acerca da manutenção ou da rejeição do veto governamental, sem que o Poder Judiciário interfira no conteúdo da decisão parlamentar”, destacou Vidal.
Na votação anulada, realizada em dezembro do ano passado, 12 deputados votaram pela manutenção do veto e 10 pela derrubada. Como a sessão ocorreu de forma secreta, não foi possível identificar como cada parlamentar se posicionou. Para derrubar o veto, eram necessários 13 votos.
O projeto havia sido aprovado anteriormente pela Assembleia e previa reajuste de 6,8% para os servidores do Judiciário. O então governador Mauro Mendes vetou integralmente a proposta, alegando que o aumento poderia provocar impacto nas contas públicas e gerar um efeito cascata sobre outras carreiras do funcionalismo.
Com a decisão do TJMT, a Assembleia deverá incluir novamente o veto na pauta e realizar uma votação pública, com registro nominal dos votos. O julgamento, portanto, não garante o reajuste aos servidores, mas reabre a discussão sobre a proposta e elimina o sigilo que marcou a primeira análise do veto.
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