Economia
Em carta aberta, presidente do BC diz que preço dos alimentos puxou inflação para baixo
Economia
Documento escrito por Ilan Goldfajn traz as justificativas do Banco Central para o fato de a inflação oficial de 2017, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, ter ficado abaixo de 3,0%, em 2,95%
Da Redação
O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, apontou nesta quarta-feira, 10, em carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que a inflação medida pelo IPCA situou-se “ligeiramente” abaixo do limite inferior de tolerância da meta, “em razão da declaração dos preços dos alimentos no domicílio”.
Na carta, Goldfajn chamou a atenção para o fato de este subgrupo ter acumulado, em 12 meses, 16,79% em agosto de 2016, 9,36% no encerramento de 2016 e -4,85% no fim de 2017. “A queda de 14,21 p.p. entre o fim de 2016 e o de 2017 na inflação do subgrupo alimentação no domicílio contribuiu com 2,39 p.p. para a queda da inflação medida pelo IPCA, de 6,29% em 2016 para 2,95% em 2017”, escreveu.
Segundo ele, se for excluído do IPCA o subgrupo alimentação no domicílio, “fazendo posteriormente a reponderação do índice, a inflação passaria de 5,68% em 2016 para 4,54% em 2017, valor muito próximo à meta de inflação para esse ano”.
A carta aberta divulgada nesta quarta-feira traz as justificativas do Banco Central para o fato de a inflação oficial de 2017, divulgada nesta quarta-feira pelo IBGE, ter ficado abaixo de 3,0%, em 2,95%. O centro da meta de inflação perseguida pelo BC em 2017 era de 4,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto porcentual (inflação entre 3,0% e 6,0%).
Safra recorde. Goldfajn pontuou ainda que o comportamento dos preços dos alimentos refletiu, preponderantemente, as condições de oferta, “que permitiram níveis recorde de produção agrícola”. Ele lembrou que a produção agrícola de grãos foi recorde para a safra 2016/2017, “com crescimento em torno de 27% sobre a safra anterior de 2015/2016”.
“A excepcionalidade do comportamento dos preços de alimentação no domicílio fica evidente quando observamos que a variação acumulada em doze meses representou a maior deflação da série histórica, que começa em 1989, e a primeira desde 2006”, acrescentou. “No mesmo sentido, entre 2005 e 2016, período com meta para inflação de 4,5%, a inflação anual médio do IPCA situou-se em 5,63%, enquanto a do subgrupo alimentação no domicílio esteve em 7,24%.”
Para Goldfajn, considerando o comportamento excepcional dos alimentos, decorrente de choques fora do alcance da política monetária, o BC “seguiu os bons princípios no gerenciamento de política monetária e não reagiu ao impacto primário o choque”.
De acordo com o presidente do BC, “não cabe inflacionar os preços da economia sobre os quais a política monetária tem mais controle para compensar choques nos preços dos alimentos”. “A política monetária deve combater o impacto dos choques nos outros preços da economia (os chamados efeitos secundários) de modo a buscar a convergência da inflação para a meta”, acrescentou Goldfajn.
Pelas regras do regime de metas, sempre que a inflação fugir do intervalo estabelecido, o presidente do BC precisa enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda – que é, tecnicamente, o presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN), responsável pelo estabelecimento das metas.
No passado, o descumprimento havia ocorrido nos anos de 2001, 2002, 2003 e 2015. Em todos estes casos a inflação havia ficado acima do teto do intervalo da meta. Em 2017, porém, o problema foi uma inflação muito baixa, inferior ao piso.
Fonte: O Estado de S.Paulo
Foto: André Dusek/Estadão
Economia
Galípolo critica empresas que pressionam para usar FGC
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, criticou nesta quinta-feira (13) a pressão de instituições não bancárias para usar o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) na captação de varejo.

Galípolo explicou que muitas empresas, de pequeno ou médio porte, buscam autorização para atuarem semelhante aos bancos, usando as garantias do FGC, porém não apresentam ativos suficientes para tal operação.
“Esse é um tipo de comportamento que não é desejável, que deve ser coibido e inibido pelos reguladores e pela gente, por isso que a gente vem trabalhando muito com o FGC, numa sucessão de medidas”, completou.
O principal problema, conforme o presidente do BC, é que as empresas de intermediação, quando procuram desempenhar papel análogo ao dos bancos, competem entre si e com as grandes instituições, porém com regras mais brandas para captação, prazos maiores e menor necessidade de garantias.
“Banco está em um negócio que é tomar dinheiro emprestado mais barato do que empresta e ter de pagar o que tomou emprestado depois do que pretende receber. Mesmo que ele consiga fazer esse casamento bem-feito entre passivo e ativo, bancos são falíveis, porque o nível de inadimplência pode crescer para quem você emprestou dinheiro, o negócio pode não ir bem ou você pode ter que transformar os seus ativos em liquidez numa velocidade que não é possível. Nessas condições, para você tentar conter esse tipo de corrida, o fundo garantidor exerce um papel essencial”, disse Galípolo, ao destacar a importância do fundo como elemento de estabilização do sistema financeiro.
O presidente do BC participou da comemoração aos 30 anos do FGC, criado em 16 de novembro de 1995 para proteger pequenos investidores e dar estabilidade ao sistema financeiro com a chegada do Plano Real. O fundo é mantido com contribuições das instituições financeiras associadas.
O fundo teve papel importante de prevenção a crises durante o Plano Collor, Plano Real e a crise mundial de 2008.
Recentemente, o fundo tem reembolsado investidores e correntistas de instituições prejudicadas pelas fraudes do Banco Master, em um montante de aproximadamente R$ 40,6 bilhões para cobrir as garantias de cerca de 1,6 milhão de credores. Após o impacto causado pelo Master, o FGC aprovou um plano de emergência para recompor o caixa, com aumento de até 60% das contribuições adicionais das instituições associadas.
Quando um banco quebra, o FGC reembolsa depósitos e determinados investimentos até o limite de R$ 250 mil por Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica (CNPJ), por instituição ou conglomerado financeiro. Existe ainda um teto global de R$ 1 milhão em indenizações por CPF ou CNPJ em um período de quatro anos. O objetivo é aumentar a segurança dos investidores e preservar a confiança no sistema financeiro.
O evento também inaugurou a exposição “O FGC e a Rede de Proteção do Sistema Financeiro Nacional”, que ficará até o dia 30 de setembro no Prédio das Moedas, sede da B3, no centro da capital paulista. A mostra explica as origens e mudanças pelas quais o fundo passou ao longo de 30 anos, assim como seu funcionamento e impactos na economia nacional.
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