segundo dados do Ministério da Saúde

Diabetes causa ao menos 50 amputações por dia no Brasil

No Dia Mundial do Diabetes, o R7 ouviu especialistas para falar sobre os cuidados com a doença

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Saúde

Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil -

Pelo menos 50 pessoas sofreram amputações por dia no Brasil nos seis primeiros meses deste ano devido ao diabetes, segundo dados do Ministério da Saúde. Ao todo, foram 10 mil procedimentos realizados no SUS (Sistema Único de Saúde). Os dados da pasta indicam que nos últimos seis anos o número de amputações cresceu quase 26%.

Questionado sobre o aumento, o Ministério da Saúde diz que investe na APS (Atenção Primária à Saúde) e em estratégias de enfrentamento das doenças crônicas (veja resposta completa abaixo).

Para alertar sobre o tema, o R7 ouviu especialistas. Um dos principais fatores que devem ser observados pelo paciente com diabetes é se os pés têm lesões, calos, rachaduras ou alterações de cor, que podem passar despercebidas devido à neuropatia diabética (perda de sensibilidade).

A amputação é indicada quando o tecido de uma região está gravemente comprometido, geralmente por uma infecção que não responde aos tratamentos convencionais, ou pela falta de circulação sanguínea devido a obstruções arteriais, o que impede a recuperação da área afetada.

“A amputação se torna necessária para impedir a propagação da infecção para outras partes do corpo. Em muitos casos, a intervenção precoce poderia evitar a necessidade de amputação, mas quando o quadro se agrava e não há outras alternativas viáveis, a amputação é essencial para salvar a vida do paciente”, explica o presidente da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular, Armando Lobato.

Ele diz que “para pacientes diabéticos, o controle adequado da glicemia é essencial”. “A combinação de acompanhamento médico regular, medicação correta, uma dieta balanceada e a prática de exercícios físicos reduz significativamente o risco de complicações graves, incluindo a necessidade de amputação”, afirma.

“Manter a pele hidratada, usar calçados adequados e evitar andar descalço são cuidados simples, mas fundamentais para prevenir feridas que, sem tratamento, podem evoluir para infecções graves“, completa.

Aumento de amputações

A endocrinologista Geisa Macedo, coordenadora do Departamento de Diabetes, Neuropatias e Complicações nos Pés da SBD (Sociedade Brasileira de Diabetes), explica que o Brasil segue uma tendência mundial de aumento do número de amputações.

“A primeira condição para isso é o diagnóstico tardio de problemas nos pés de pessoas que têm diabetes. A falta a identificação do que a gente chama de ‘pé de risco’. Para evitar isso, é preciso uma linha de tratamento, uma linha de cuidados que comece pela atenção básica, identificando os pacientes que têm pés com problemas, ou seja, pés que têm neuropatia, que têm doença vascular, que têm alteração na sua anatomia”, salienta Macedo.

A especialista reforça que os casos devem ser diagnosticados precocemente para evitar a amputação. “É preciso uma linha de cuidado especial para os pés, de preferência na atenção básica, instituída pelo Ministério da Saúde, para todos os lugares falarem a mesma linguagem, para diminuir essa chance de amputação”, defende.

Desafios

Segundo a especialista, atualmente são cerca de 20 milhões de pessoas com diabetes no Brasil. “Ou seja, mais ou menos um em cada dez pessoas têm diabetes no Brasil, e cerca de 10% dos adultos nas capitais também têm diabetes. Falando em termos de mundo, o Brasil ocupa a sexta posição de maior número de pessoas com diabetes”, diz.

Segundo a Sociedade Brasileira de Diabetes, São Paulo (SP), Brasília (DF) e Porto Alegre (RS) são as capitais com mais pessoas com diabetes no país, com cerca de 12% da população local com a doença. A menor prevalência está em capitais do Norte e do Nordeste: Porto Velho (RO), Rio Branco (AC) e São Luís (MA) têm 6% dos seus habitantes com diabetes.

“A população precisa entender que, quanto maior o consumo de alimentos naturais, o risco de desenvolver a doença diminui. Além disso, cuidar do peso e ter uma atividade física regular, em torno de 30 minutos de exercício todo dia, é importante”, recomenda Macedo.

Investimento na Saúde

Questionado sobre o tema, o Ministério da Saúde disse ao R7 que tem investido na APS (Atenção Primária à Saúde) e nas estratégias de saúde da família.

“Em novembro de 2024, foram credenciadas 2.363 novas equipes da ESF em 561 municípios, com um investimento de R$ 854 milhões, beneficiando principalmente regiões de maior necessidade”, disse.

A pasta também explicou que o Plano de Enfrentamento das Doenças Crônicas Não Transmissíveis prevê que até 2030 sejam realizadas ações integradas de combate a doenças crônicas como diabetes e hipertensão, com foco na vigilância e assistência.

“Na APS, pacientes com diabetes recebem acompanhamento nas Unidades Básicas de Saúde, com acesso a medicamentos, insumos e encaminhamento à atenção especializada, quando necessário. O Protocolo Clínico para Diabetes é atualizado regularmente para prevenir complicações graves, como amputações.”

 

Fonte: R7 – https://noticias.r7.com/saude/diabetes-causa-ao-menos-50-amputacoes-por-dia-no-brasil-14112024/

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Saúde

HMC recebe quase metade dos pacientes regulados pelas UPAs e reforça papel estratégico na saúde de Cuiabá

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Da Redação

 

O Hospital Municipal de Cuiabá (HMC) consolidou sua posição como principal unidade de retaguarda da rede municipal de urgência e emergência. Levantamento referente aos meses de maio e junho de 2026 mostra que o hospital foi responsável por 44,8% de todas as transferências realizadas pelas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Cuiabá, recebendo 661 dos 1.479 pacientes regulados no período.
Os números evidenciam a importância da unidade na organização da assistência hospitalar. Sozinho, o HMC recebeu quase quatro vezes mais pacientes que o segundo hospital com maior volume de transferências, contribuindo para garantir maior agilidade na internação de pacientes e desafogar as UPAs.
A secretária municipal de Saúde, Deisi Bocalon, destacou que os resultados refletem o fortalecimento da rede pública de saúde.
“Os números demonstram que o Hospital Municipal de Cuiabá cumpre um papel essencial na organização da nossa rede de urgência e emergência. Ser responsável por praticamente metade das transferências das UPAs significa garantir acesso mais rápido à internação, desafogar as unidades de pronto atendimento e oferecer um cuidado mais resolutivo à população. Nosso compromisso é continuar fortalecendo a rede municipal com planejamento, investimentos e ampliação da capacidade assistencial”, afirmou.
Liderança nas internações em enfermaria
O desempenho do HMC torna-se ainda mais expressivo quando analisadas apenas as internações em enfermaria. Nos dois meses avaliados, a unidade recebeu 638 pacientes — 335 em maio e 303 em junho —, concentrando 53,6% de todas as transferências destinadas a leitos clínicos e cirúrgicos da rede.
Nas admissões em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), a maior demanda foi absorvida pelo Hospital Municipal São Benedito (HMSB) e pelo Hospital e Pronto-Socorro Municipal de Cuiabá (HPSMC), responsáveis por 27,3% e 24,9% das vagas, respectivamente. O HMC respondeu por 8% das internações em terapia intensiva, reforçando sua vocação como principal retaguarda para leitos de enfermaria.
Além do HMC, o HPSMC e o HMSB receberam 170 e 164 pacientes regulados, respectivamente. Outro destaque foi o Hospital Estadual de Câncer, que registrou crescimento superior a 200% nas transferências entre maio e junho, passando de 25 para 79 pacientes.
Gestão destaca eficiência e qualidade da assistência
A diretora-geral da Empresa Cuiabana de Saúde Pública, Kelluby de Oliveira, atribuiu os resultados ao trabalho integrado das equipes e ao fortalecimento da gestão hospitalar.
“O protagonismo do HMC é resultado do empenho diário de equipes multiprofissionais altamente qualificadas e de uma gestão comprometida com a eficiência e a humanização da assistência. Além de sermos referência em urgência, emergência, politrauma e tratamento de queimados, temos ampliado a oferta de cirurgias eletivas e procedimentos especializados, garantindo mais acesso e qualidade no atendimento prestado aos usuários do SUS”, destacou.
Hospital amplia serviços especializados
Referência estadual em urgência, emergência, politrauma, traumato-ortopedia e tratamento de queimados, por meio do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ), o HMC funciona em regime de portas abertas para atendimentos de urgência e emergência.
A unidade dispõe de enfermarias adulta e infantil, Hospital Dia, centros cirúrgicos, salas de medicação e decisão médica, seis leitos destinados à saúde mental e estrutura completa para assistência ambulatorial e hospitalar.
Nos últimos meses, o hospital também ampliou a oferta de procedimentos especializados. Entre junho e julho, iniciou um mutirão de cirurgias de vesícula por videolaparoscopia, com previsão de 30 procedimentos para reduzir a fila de espera do Sistema Único de Saúde (SUS).
Outra ação inédita colocou Cuiabá em destaque no cenário nacional. O HMC promoveu um mutirão exclusivo de cirurgias reparadoras para vítimas de queimaduras elétricas decorrentes de acidentes de trabalho, tornando-se a única unidade do país a realizar uma iniciativa voltada exclusivamente para esse público. Aproximadamente 20 pacientes foram atendidos durante a ação.
Para o diretor técnico do HMC, Dr. Eduardo Andraus, os indicadores confirmam a capacidade da unidade em atender pacientes de média e alta complexidade.
“O HMC foi concebido para ser um hospital de alta resolutividade. Nossa capacidade de receber pacientes regulados das UPAs permite que essas unidades continuem atendendo novos casos de urgência e emergência. Contamos com equipes preparadas, protocolos bem estabelecidos e uma estrutura capaz de atender desde casos clínicos até situações de alta complexidade, como politrauma, queimados e cirurgias especializadas. Os resultados de maio e junho demonstram que estamos cumprindo essa missão com eficiência”, concluiu.

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