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Moro quer prisão em segunda instância e pena para caixa 2

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Ministro da Justiça e Segurança Pública apresenta pacote anticrime que será enviado para votação no Congresso; texto deve enfrentar a resistência de parlamentares

 

Da Redação

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, apresentou nesta segunda-feira, 4, um projeto de lei que propõe a criminalização do caixa 2 e a prisão após condenação em segunda instância e levanta a possibilidade de isenção de pena a policiais que matarem em ações de confronto no trabalho. Considerado estratégico para o governo, o pacote será enviado ao Congresso quando o presidente Jair Bolsonaro retomar suas atividades, mas deverá encontrar resistência entre parlamentares.

Assim como a reforma da Previdência é apresentada como essencial para o equilíbrio das contas públicas, o projeto anticrime de Moro representa o pilar da política de segurança pública e combate à corrupção que elegeu Bolsonaro. Na mensagem enviada nesta segunda ao Legislativo, o presidente declarou “guerra” ao crime organizado.

No capítulo do combate à corrupção, uma das propostas é que, mesmo se a pena for menor do que 8 anos, o condenado por esse crime ou por desvio de dinheiro público (peculato) vá para o regime fechado. A regra valeria também para roubo a mão armada que resulte em lesão corporal e latrocínio (morte).

Ex-juiz da Operação Lava Jato, Moro propôs ainda a celebração de acordos entre Ministério Público e acusados, que podem confessar crime em troca do perdão de até metade da pena, como revelou o Estado, além de novas regras para facilitar o confisco de bens.

No projeto, Moro cita nominalmente as milícias como organização criminosa, entre outros grupos. Há 12 anos, o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), então deputado estadual, disse que “não se pode simplesmente estigmatizar as milícias” e se referiu aos grupos como um “novo tipo de policiamento”. O próprio presidente já fez discursos nesse sentido.

Dificuldades. Ciente das dificuldades de tramitação das propostas no Legislativo, Moro visitou nesta segunda o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), antes de divulgar publicamente o seu projeto. Logo depois, fez uma exibição detalhada a governadores de 12 Estados, que saíram defendendo o projeto, incluindo os petistas Rui Costa (BA) e Camilo Santana (CE).

O ministro deve se encontrar, nesta semana, com o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (DEM-AP), que já lhe fez um aceno. O texto, que altera 14 leis dos códigos penal e eleitoral e das leis de execução penal e de crimes hediondos, vai tramitar em comissão especial.

Todo o empenho de Moro, que já recebeu em audiências 38 políticos em janeiro, tem o objetivo de garantir destino diferente do que tiveram outros projetos, como as 10 Medidas Contra a Corrupção, parado no Senado há um ano.

Parte das propostas de Moro, aliás, integrava as 10 Medidas e não foi adiante, como a criminalização do caixa 2 e o “confisco alargado”, que possibilita o arresto de bens comprados com recursos ilícitos.

Quanto à proposta de prisão em regime fechado para corruptos e ladrões armados, já há precedente do Supremo Tribunal Federal (STF) em sentido contrário. A Corte declarou inconstitucional o trecho da lei de crimes hediondos que previa o cumprimento inicial da pena em regime fechado.

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (DEM), admitiu que pode ser difícil aprovar itens importantes do projeto, como a criminalização do caixa 2. “É lógico que essa matéria precisará de discussão”, disse Caiado. Já o governador de São Paulo, João Doria(PSDB), adiantou que os Estados apresentarão sugestões.

A avaliação de governadores é a de que o texto só avançará se for um projeto do governo e não de Moro, juiz que emparedou políticos na Lava Jato. No Senado, no entanto, a aposta é de que a pressão para aprovar o pacote virá da opinião pública.

Há muita resistência por parte da oposição em relação à ampliação das possibilidades de isenção de culpa de policiais que matarem em serviço. “A proposta autoriza que um juiz não puna um policial que alegue ter matado alguém por ‘escusável medo, surpresa ou violenta emoção’. O que quer dizer violenta emoção?”, questionou o deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ).

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: https://politica.estadao.com.br/blogs/fausto-macedo/moro-quer-prisao-em-segunda-instancia-e-pena-para-caixa-2/

Foto: Sérgio Lima

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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