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Mesmo com sede nova, CNJ vai precisar gastar R$ 2,4 milhões com instalação antiga

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sede nova do cnj

Da Redação

Mesmo tendo optado por alugar, a um custo de R$ 23,3 milhões ao ano, um novo prédio para abrigar sua sede, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai precisar continuar utilizando as instalações de um imóvel de cinco andares cedido pela União, na região central de Brasília. O gasto estimado para manter o local é de R$ 2,4 milhões ao ano.

O imóvel é o maior de um conjunto de três blocos onde hoje funcionam as instalações da entidade. A necessidade de continuar utilizando o prédio público, mesmo tendo alugado um imóvel de duas torres amplo, ao lado da Praça dos Três Poderes, se deve a um detalhe muito específico: as novas instalações não contam com local para abrigar a área de dados do CNJ.

Documentos obtidos com exclusividade pelo Estado dão conta de que, além de gastar R$ 1,9 milhão ao mês com o novo imóvel, ao optar por continuar usando o antigo o CNJ vai precisar ampliar ainda mais seus gastos, retirando de seu caixa o montante mensal de R$ 202 mil por mês (R$ 2,4 milhões ao ano) para manter o prédio da União.

O imóvel, localizado na Asa Norte, região central de Brasília, fica a 10 minutos de distância do prédio novo. Nele foi construído, em 2011, uma sala-cofre de 57 metros quadrados que abriga todos os processos sigilosos do CNJ. Tudo fica guardado em potentes computadores.

Em resposta aos questionamentos da reportagem, a assessoria do CNJ confirmou que pretende continuar utilizando o prédio da União, mesmo com o aluguel da nova sede. “Os estudos em andamento indicam a manutenção da sala cofre no prédio da União”, informou. 

Ao calcular as vantagens e desvantagens de mudar para um novo prédio, a área de planejamento do CNJ pondera, em ofício interno: “É oportuno salientar que, caso o CNJ alugue o referido edifício, ainda assim terá que manter parte da estrutura do Bloco B, como é o caso da Sala Cofre”. 

A maior parte dos gastos mensais com a sala será com segurança armada, já que, com a mudança da sede, uma equipe de vigilantes precisará ser deslocada especialmente para vigiar o sistema sigiloso. Essa equipe, para vigiar especificamente a sala-cofre, vai custar por mês R$ 142.346. O CNJ também vai ter que desembolsar R$ 14.156 de energia e R$ 16 mil com custos de limpeza.

Desde quando foi construída, em 2011, pelo valor de R$ 8,6 milhões, a sala-cofre já passou por diversos reparos. O último foi um suporte técnico, feito em maio de 2018, que custou R$541 mil.

Sala-cofre é um centro de processamento de dados onde estão concentrados os sistemas computacionais do CNJ. A sala possui vedação específica contra riscos de inundação e incêndio e proteção contra fogo, calor excessivo, explosivos, fumaça, água e arrombamento.

A sala abriga os cadastros do órgão, tais como o Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP) e o Cadastro Nacional de Adoção (CNA), por isso, segundo a assessoria do CNJ, “necessita ficar resguardada em local seguro e em sala edificada com materiais específicos resistentes a desastres naturais”.

Na edição deste domingo, o Estado revelou com exclusividade que, menos de três anos depois de uma reforma na atual sede que custou R$ 7 milhões, o órgão se organiza para transferir sua estrutura em Brasília para um novo prédio de 30,9 mil metros quadrados ao custo anual de R$ 23,3 milhões. A principal justificativa é a necessidade de dar mais “espaço” aos funcionários e garantir maior “proximidade” com o Supremo Tribunal Federal. O atual prédio fica a dez minutos da Corte e custa R$ 16,8 milhões/ano.

Terreno para sede própria

Ao comprometer uma maior parcela do seu orçamento com aluguel, o CNJ fica mais distante da meta de fazer caixa para construir uma sede própria. É que o conselho recebeu, da Secretaria do Patrimônio da União, um terreno de 83 mil metros quadrados numa área nobre de Brasília, o Setor de Clubes Sul, para construir sua sede própria. As informações estão na prestação de contas do CNJ de 2017. 

O então presidente do conselho, ministro Ricardo Lewandowski, esteve no terreno e chegou a lançar, em 16 de agosto de 2016, a “Pedra Fundamental das futuras instalações do CNJ”.  Na ocasião, foram plantadas 15 mudas de ipês, que representam os 15 conselheiros que compõem o órgão. “Cada uma dessas árvores desenvolverá de maneira diferente e trará flores distintas, assim como nosso colegiado.”

No lançamento da Pedra Fundamental foi enterrada uma caixa de acrílico com diversos documentos e objetos para ser reaberta dentro de 10 anos ou quando a construção da nova sede for inaugurada. “Os servidores do órgão, a maioria são jovens, certamente desfrutarão desse prazeroso local de Brasília, em um prédio que será construído e representará a pujança dessa ideia que é o CNJ”, disse na época. 

A chamada Cápsula do Tempo do Conselho foi lacrada com revistas e jornais do dia, o regimento interno, publicações do CNJ como o anuário Justiça em Números, foto oficial da composição atual do Conselho, cartas de filhos de servidores sobre a Justiça e a moeda comemorativa das Olimpíadas Rio 2016. 

“Isso significa o fortalecimento da magistratura mediante um planejamento estratégico permanente”, completou o então presidente do CNJ.

 

 

 

 

 

 

 

 

Fonte: O Estado de S.Paulo / https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,mesmo-com-sede-nova-cnj-vai-precisar-gastar-r-2-4-milhoes-com-instalacao-antiga,70002943973

Foto: Gabriela Biló/Estadão

 

 

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Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”

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O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.

A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.

Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.

“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.

O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.

“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.

Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.

“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.

Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.

Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.

A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.



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