ESCÂNDALO FEDERAL
LULA EXONERA NERI DO MINISTÉRIO E ANULA LEILÃO DO ARROZ SOB SUSPEITA DE IRREGULARIDADES
O ministro disse que o cargo foi colocado à disposição pelo próprio Neri
Política
Sob intensa polêmica envolvendo o leilão de importação de arroz, realizado na semana passada, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, que vem sendo cobrado pelo escândalo, disse, nesta terça-feira (11), que o secretário de Política Agrícola, Neri Geller, pediu demissão e não faz mais parte do quadro de confiança no Governo Federal. A avaliação interna do Mapa é de que houve conflito de interesses, em meio à participação de um ex-assessor de Geller no certame. O leilão já foi anulado.
Conforme informações apuradas após o trâmite do leilão, realizado pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), teve os lotes arrematados por empresas sem histórico de atuação no mercado do cereal. E chamou mais a atenção ainda, o fato de que a negociação da maior parte dos lotes foi feita pela Bolsa de Mercadorias de Mato Grosso (BMT) e pela Foco Corretora, de propriedade de Robson França, ex-assessor parlamentar do secretário de Política Agrícola, Neri Geller.
O ministro disse que o cargo foi colocado à disposição pelo próprio Neri. “Nesta terça-feira, pela manhã, o secretário Neri Geller me comunicou, fez ponderação, quando filho dele estabeleceu sociedade com esta corretora do Mato Grosso, ele não era secretário de político agrícola. Não há fato que desabone ou que gere qualquer tipo de suspeita, mas que de fato gerou, e por isso colocou o cargo à disposição”, afirmou Fávaro.
Conforme informações, a saída de Neri foi confirmada após reuniões no Palácio do Planalto. O presidente da Conab, Edegar Pretto, disse que o governo marcará um novo leilão, que, desta vez, terá a participação da Advocacia-Geral da União (AGU) e Controladoria Geral da União (CGU).
O ministro Carlos Fávaro já informou de que serão construídos “mecanismos” para avaliar empresas participantes do próximo leilão.
Política
Medida provisória abre novo crédito orçamentário para ressarcir descontos indevidos em benefícios do INSS
O Congresso Nacional analisa medida provisória (MP 1378/26) que abre crédito extraordinário de R$ 547 milhões no Orçamento para ressarcir aposentados e pensionistas do INSS que sofreram descontos associativos irregulares.
O governo já havia editado uma MP com crédito de R$ 3,3 bilhões para esse pagamento em julho de 2025, após entendimento firmado com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Depois disso, no entanto, a Corte decidiu que, nos casos em que segurados contestarem as respostas das entidades associativas, o pagamento deverá ser realizado mesmo que não sejam cumpridas etapas prévias previstas no acordo.
O STF também assegurou que a adesão ao acordo não impede o ajuizamento de ações judiciais contra a União e o INSS quando o pagamento não ocorrer administrativamente.
O prazo para a adesão ao ressarcimento administrativo acabou no dia 20 de junho de 2026.
Próximos passos
A MP 1378/26 tem validade imediata, mas precisa ser aprovada no Congresso Nacional para virar lei.
O texto será analisado pela Comissão Mista de Orçamento (CMO) e, em seguida, pelos plenários da Câmara e do Senado.
Reportagem – Silvia Mugnatto
Edição – Marcelo Oliveira
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