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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro



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Agronegócio garante 62,5% do saldo comercial

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O agronegócio respondeu por 62,5% do superávit da balança comercial de Sergipe nos primeiros nove meses de 2026, com exportações de aproximadamente R$ 356,5 milhões e saldo positivo de R$ 244 milhões.

Entre janeiro e setembro, as importações do setor somaram R$ 112,5 milhões, segundo o Boletim de Conjuntura 02/2026, elaborado pela Agência Sergipe de Desenvolvimento (Desenvolve-SE). Os produtos agropecuários e agroindustriais representaram 22,6% de todas as vendas externas do estado no período.

O desempenho reforça a importância da produção rural e da agroindústria para a economia sergipana. Embora seja o menor estado brasileiro em extensão territorial, Sergipe mantém participação relevante em segmentos específicos do comércio internacional, especialmente na exportação de derivados da laranja.

sergipA atividade movimenta uma cadeia produtiva que envolve agricultores, indústrias de processamento, transportadoras e empresas ligadas ao comércio exterior.

A citricultura concentra a maior parte dessas receitas. Somente as exportações de suco de laranja congelado movimentaram aproximadamente R$ 243,1 milhões entre janeiro e setembro, o equivalente a 68,2% das vendas externas do agronegócio estadual. Os Países Baixos foram o principal destino, funcionando como uma importante porta de entrada do produto no mercado europeu.

Além do suco, a indústria citrícola aproveita diferentes componentes da fruta para produzir óleos essenciais utilizados na fabricação de alimentos, bebidas, cosméticos e perfumes. As exportações de óleo essencial de laranja renderam aproximadamente R$ 47,9 milhões no período, tendo a Índia como principal mercado comprador.

Juntos, o suco congelado e o óleo essencial de laranja movimentaram cerca de R$ 291 milhões, correspondentes a 81,6% das exportações do agronegócio sergipano. A concentração demonstra a força econômica da cadeia citrícola, mas também evidencia a dependência de um número reduzido de produtos, tornando a diversificação comercial importante para a estabilidade das receitas.

Sergipe também ocupa posições de destaque no mercado brasileiro de óleos essenciais. O estado lidera as exportações nacionais de petit grain, produto extraído principalmente das folhas e dos pequenos ramos de árvores cítricas, especialmente da laranjeira-azeda. Aparece ainda na segunda posição nas vendas externas de óleo essencial de limão e na terceira colocação nas de óleo essencial de laranja.

A presença nesses mercados representa uma oportunidade de agregar valor à produção agrícola. O processamento industrial permite aproveitar matérias-primas que podem ser transformadas em diferentes produtos, ampliando as possibilidades de comercialização e geração de renda ao longo da cadeia produtiva.

Diversificação abre novas oportunidades

Embora os derivados da laranja predominem nas exportações, outros produtos começam a ampliar a presença sergipana no comércio internacional. O açúcar refinado movimentou aproximadamente R$ 13,7 milhões entre janeiro e setembro, com embarques destinados a países da África, do Oriente Médio e da América do Norte.

O suco de abacaxi respondeu por outros R$ 9,5 milhões, tendo os Países Baixos como principal destino. Produtos derivados da acerola, extratos vegetais e farinha de mandioca também integram a pauta exportadora, indicando possibilidades de expansão para diferentes segmentos da agroindústria.

Na farinha de mandioca, Sergipe lidera as exportações entre os estados nordestinos e ocupa a quinta posição nacional, com vendas destinadas à Itália. O resultado mostra que produtos tradicionais da agricultura regional também encontram espaço no mercado internacional, especialmente quando atendem às exigências de qualidade, processamento e regularidade de fornecimento.

Outro movimento registrado pelo levantamento foi a retomada das exportações de couros e peles bovinas. Entre abril e setembro, os embarques alcançaram aproximadamente R$ 3,9 milhões, com vendas para a Turquia e a Nigéria, países que possuem atividades industriais ligadas ao processamento de couro.

Para a economista da Desenvolve-SE, Sudanês Pereira, a ampliação da variedade de produtos exportados abre novas perspectivas para a economia estadual.

“Sergipe tem uma nova pauta de oportunidades para o comércio exterior. Temos novos produtos na pauta: a farinha de mandioca, os sucos de acerola e o abacaxi. Outra possibilidade é a participação da cadeia global de couros, que abastece dois polos importantes, Turquia e Nigéria”, afirma.

A diversificação é especialmente importante para reduzir a exposição da economia estadual às oscilações de preços e da demanda internacional por derivados da laranja. A abertura de novos mercados também pode estimular investimentos em processamento, armazenamento e logística, atividades fundamentais para transformar a produção agrícola em mercadorias com maior valor agregado.

O desafio para os próximos anos será ampliar a participação de outros produtos sem perder a competitividade conquistada pela citricultura. Para isso, a capacidade de industrialização, o atendimento às exigências sanitárias dos países compradores e a regularidade da oferta serão fatores decisivos.

Com mais de um quinto das exportações estaduais e participação majoritária no saldo comercial positivo, o agronegócio demonstra que sua importância para Sergipe vai além da produção dentro das propriedades rurais. O desempenho das vendas externas também movimenta a indústria, os transportes e os serviços, ampliando as oportunidades de geração de renda e desenvolvimento econômico no estado.

Fonte: Pensar Agro



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