Política
Bolsonaro demite ministro da Educação
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Depois de meses de polêmicas, recuos e exonerações, o governo decidiu mudar o comando de uma das áreas mais importantes do País
Da Redação
O presidente Jair Bolsonaro (PSL) confirmou na manhã desta segunda-feira, 8, a demissão do ministro da Educação, Ricardo Vélez Rodríguez, alvo de críticas dentro e fora do governo e pressões diversas. O ministro enfrentava uma crise que vem desde sua posse, com disputa interna entre grupos adversários, medidas contestadas, recuos e quase 20 exonerações no ministério.
Bolsonaro informou em seu Twitter que Abraham Weintraub será o novo chefe da Pasta. “Abraham é doutor, professor universitário e possui ampla experiência em gestão e o conhecimento necessário para a pasta. Aproveito para agradecer ao Prof. Vélez pelos serviços prestados”, escreveu.
Na sexta-feira, 5, num explícito processo de “fritura pública” do auxiliar, Bolsonaro afirmou que o ministério “não estava dando certo”. “É uma pessoa bacana, honesta, mas está faltando gestão, que é uma coisa importantíssima. Vamos tirar a aliança da mão esquerda e pôr na mão direita ou na gaveta.”
Março foi especialmente tumultuado para Vélez, com notícias diárias de confusões e medidas criticadas do Ministério da Educação (MEC). Foi quando surgiram as primeiras informações de uma disputa interna entre o grupo militar, os de perfil técnico (vindos de São Paulo) e os chamados “olavistas”, seguidores do escritor Olavo de Carvalho, considerado guru dos bolsonaristas.
Vélez demitiu alguns integrantes desse grupo mais ideológico, mas demonstrou sua fraqueza ao ser forçado a mandar embora seus aliados, o então secretário-executivo Luiz Antonio Tozi e o militar Ricardo Roquetti.
As disputas se intensificaram depois que o Estado revelou um e-mail no qual o ministro pedia para todas as escolas do País lerem o slogan da campanha de Bolsonaro e filmarem as crianças cantando o Hino Nacional. O Ministério Público Federal pediu explicações e juristas consideraram a medida uma improbidade administrativa. O ministro admitiu o erro e recuou primeiro do slogan e, só depois, do pedido de filmagem dos estudantes. Alguns integrantes do MEC chegaram à conclusão de que era preciso um “choque de gestão”.
Mas nem todos deixaram a pasta e as confusões continuaram. Vélez anunciou dois novos secretários executivos que não foram aceitos pelo governo. Uma, a educadora evangélica Iolene Lima, foi demitida sem nem ter assumido. Em seguida, quem pediu para deixar o MEC foi a secretária da Educação Básica, Tânia Leme de Almeida, depois de descobrir por meio de reportagem do Estado que o nível de alfabetização das crianças não seria mais avaliado.
Vélez acabou revelando que também não sabia da mudança, pedida pelo seu secretário de Alfabetização ao presidente do Instituto Nacional de Pesquisas e Estudos Educacionais (Inep), Marcus Vinícios Rodrigues. Os dois se desentenderam, Rodrigues foi demitido e chamou o ministro de incompetente. Vélez voltou atrás, mantendo a avaliação da alfabetização.
No meio disso tudo, o Inep criou uma polêmica comissão para vigiar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e identificar “questões com teor ofensivo a tradições”. O exame é o maior vestibular do País, com 6 milhões de inscritos no último ano. A medida foi vista como censura e uma ameaça à segurança da prova.
O Estado ainda revelou que uma minuta de decreto elaborada pelo MEC estimulava o método de alfabetização fônico, considerado por alguns especialistas como tecnicista e ultrapassado. Depois da repercussão negativa, o ministério ainda não revelou a versão final do decreto.
Vélez, um professor de filosofia desconhecido na academia e sem experiência em gestão, enfrentou sua primeira dificuldade logo após a posse. No dia 9 de janeiro, o Estado revelou que mudanças no edital dos livros didáticos tiravam a exigência de que os materiais tivessem referências bibliográficas e ainda permitia erros de revisão e impressão. Após uma enxurrada de críticas, o ministro culpou a gestão Temer e anulou as mudanças.
No fim do mês passado, numa tentativa do governo de “arrumar a casa”, o brigadeiro Ricardo Machado Vieira foi nomeado secretário-executivo pela Casa Civil, depois de 16 dias sem ninguém no cargo de número 2 do MEC. Na semana passada, um dos principais assessores de Vélez foi demitido, em mais uma demonstração de que o ministro não ficaria mais muito tempo no cargo.
Quem é o novo ministro
Abraham Weintraub é economista pela USP e trabalhou 18 de seus 47 anos no Banco Votorantim, onde foi de office-boy a economista-chefe e diretor. Demitido, seguiu para a Quest Corretora e, logo depois, deixou a iniciativa privada. Abraham atua na equipe de Jair Bolsonaro desde a campanha eleitoral, passando pelo período de transição. Antes, estava na Casa Civil, ministério chefiado por Onyx Lorenzoni.
Abraham era professor do campus de Osasco da Unifesp, assim como seu irmão Arthur Weintraub. Alunos da unidade, que tem cursos de Relações Internacionais e Economia, divulgaram no ano passado um manifesto contra os dois quando eles passaram a integrar a equipe de transição de Bolsonaro.
Fonte: O Estado de S.Paulo / https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,bolsonaro-demite-ministro-da-educacao,70002783573
Foto: Pedro Venceslau/Estadão
Política
Presidente da Câmara renuncia ao mandato e diz que política é “frustrante”
O presidente da Câmara Municipal de Ipiranga do Norte (MT), Celso da Conceição (Republicanos), renunciou ao mandato de vereador e encerrou sua passagem pelo Legislativo municipal com um desabafo sobre os desafios da vida política. Em discurso de despedida, ele classificou a atividade como “frustrante” e defendeu a atuação dos políticos do município.
A saída foi oficializada no último dia 6, um dia depois de Celso presidir sua última sessão ordinária. Durante o pronunciamento, o parlamentar não detalhou os motivos da decisão e afirmou que se trata de uma escolha pessoal. Informações divulgadas pela imprensa local apontam que ele teria recebido uma proposta de emprego, mas a motivação não foi confirmada oficialmente pelo vereador.
Ao falar sobre a decisão, Celso ressaltou que cada pessoa precisa avaliar o que considera melhor para a própria vida.
“Às vezes, quem está de fora vê que está muito bom e acha que alguma coisa deveria estar melhor, que, se fosse eu, não fazia assim, fazia assado. Mas cada um é dono da sua vida e acredita naquilo que é melhor para si. E é isso que eu estou fazendo, né? Com fé em Deus, vai estar tudo certo”, declarou.
O vereador também demonstrou insatisfação com a imagem da classe política perante a sociedade. Para ele, o trabalho realizado por representantes públicos nem sempre é reconhecido, e a população tende a generalizar críticas sobre a conduta dos políticos.
“Realmente é frustrante, muito frustrante, porque a gente se dedica tanto e, infelizmente, o nosso país é olhado só como que político nenhum, parece que todos os políticos roubam, que todo político é aquilo”, afirmou.
Na sequência, Celso defendeu os colegas de Ipiranga do Norte e disse acreditar que o cenário nacional seria diferente se a atuação política no país seguisse o exemplo que, segundo ele, existe no município.
“Mas eu volto a dizer: se todos os políticos do nosso país fossem iguais aos políticos de Ipiranga do Norte, o nosso país era outro”, completou.
Eleito em 2024 com 307 votos, Celso esteve à frente da Câmara durante o biênio 2025-2026. Sua renúncia provocou mudanças na composição do Legislativo: o vice-presidente, Cleonaldo Araujo França, assumiu a presidência e permanecerá no cargo até o encerramento do atual período da Mesa Diretora.
Com a saída de Celso, o primeiro suplente do Republicanos, Neto da Farmácia, deverá assumir a cadeira de vereador. Ele recebeu 152 votos nas eleições municipais de 2024.
A renúncia encerra antecipadamente o mandato de Celso, que se despediu dos colegas com agradecimentos pela experiência no Legislativo. Apesar das críticas à percepção pública sobre a política, ele destacou a importância da trajetória vivida na Câmara e deixou a função afirmando ter gratidão pelo período em que exerceu o cargo.
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